PERSEGUIÇÃO À COMUNIDADE MUÇULMANA

G20 na Argentina: colonialismo e perseguição religiosa

Dois irmãos de família libanesa, detidos por supostamente terem vínculos com o Hezbollah. O governo de Macri à caça de inimigos inventados, agora muçulmanos. “Teu inimigo é meu inimigo” é o que parece querer dizer o empresário Macri ao empresário Trump.

sábado 17 de novembro| Edição do dia

Foto: EFE / Juan Ignacio Roncoroni

Estamos a poucos dias do começo do G20 e para este evento a ministra Bullrich sitiou a cidade de Buenos Aires. E faz poucos dias que foi aprovado um Orçamento digitado pelo FMI. O Orçamento é mais do que a “Lei das leis”, é uma lei de colonialismo para consumar uma pilhagem monumental a favor do pagamento da dívida externa e em detrimento da maioria da população.

Com este pano de fundo (e com a avaliação da gestão presidencial que não para de cair) o macrismo quere fazer bem sua lição de casa. Aparecer bem para o principal convidado, o presidente norte-americano Donald Trump, que virá para essa reunião onde se encontrará com as principais potências imperialistas de todo mundo.
Para essa lição de casa a principal tarefa é aquela na qual Patricia Bullrich embarcou: a demonização de diversas comunidades. Qualquer semelhança neste terreno com a política interna de Trump não é simples coincidência. Agora a bola da vez são os cidadãos de origem libanesa e religião muçulmana.

A subordinação ao colonialismo norte-americano não é visível somente no Orçamento recentemente aprovado (com a colaboração-cumplicidade de um setor do Partido Justicialista e o inestimável apoio das centrais sindicais peronistas e kirchneristas que com seu imobilismo estão permitindo a pilhagem).
Operações políticas onde se demoniza comunidade que na ordem internacional também são estigmatizadas pelo direitista Trump. O americano encheu a arena internacional de gestões e ações provocativas aos árabes (população que é em sua maioria muçulmana), como também dirigidas ao Irã (país persa, também majoritariamente muçulmanos). Vejamos como.

Algo que teve pouco transcendência na notícias internacionais foi talvez o primeiro gesto dirigido à própria comunidade muçulmana norte-americana: pela primeira vez em 20 anos um presidente norte-americano deixará de comparecer a um jantar de fim do Ramadã – mês de jejum muçulmano. A imprensa norte-americana continuou falando de islamofobia (como raiz do que dizia na campanha eleitoral).
Na campanha Trump ameaçou (e logo depois assinou um decreto) – entre outras bravatas – de fechar a fronteira a 7 países de origem árabe cuja população é majoritariamente muçulmana. “Manter fora dos EUA terroristas islâmicos radicais” era a consigna do presidenciável.

Outra provocação do direitista Trump ao mundo árabe desta vez foi dirigida aos palestinos (um povo majoritariamente muçulmano), através da mudança da embaixada norte-americana de Telaviv a Jerusalém, cidade que foi tomado do povo palestino pelo sócio menor dos EUA no Oriente Médio o Estado Nacional Judeu de Israel. Há estados teocráticos bons e maus segundo a trena usada pela principal potência militar, hoje governada pelos republicanos.

Para a potência imperialista, que é o principal Estado terrorista mundial, a organização libanesa Hezbollah voltaria a ser declarada inimiga pública número um.
Na Argentina, o governo Macri usa essa orientação política dos Estados Unidos para agradar a Casa Branca e ao mesmo tempo (e sobretudo) desviar a atenção do monumental atentado contra as condições de vida do povo trabalhador que seu partido Cambiemos está fazendo.

Isso ocorreu através do uso de uma denúncia da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas) apoiada em suposta ligação anônima descrevendo pessoas “com certas características”. Uma ligação supostamente realizada em janeiro, que levou a prisão dos irmãos Abraham Salomon. São acusados de ter relação com o Hezbollah, as provas seriam vistos de países árabes em seus passaportes e umas armas (que toda a família declara pertencerem ao avô). Desta maneira o governo encara uma clara perseguição aos muçulmanos.

Mas parece que para Macri e para sua ministra de Segurança Bullrich, porta-voz do atira primeiro pergunta depois e da mão dura, não foi suficiente estas duas prisões. O show continuou na manhã de sexta quando foi feita uma operação de busca e apreensão na casa de um primo dos irmãos Salomon.

Tudo isso por ordem do juiz federal Sebastian Ramos, que diga-se de passagem, tem uma denúncia de violação dos deveres de funcionário público, demora e negação de justiça e por abuso de autoridade. Em bom português: é acusado de proteger empresários e funcionários macristas, engavetando denuncias. Se faça amigo do juiz é um conselho de Macri a seus amigos e subordinados.

Mas voltemos ao Hezbollah, que é uma organização política do Líbano com representação parlamentar. Para além de não compartilharmos com sua estratégia política nem com seus métodos, rechaçamos este ataque político contra essa força política.

Essa organização também tem base no Irã, país acusado pela CIA e pela Mossad (serviço de inteligência israelense) e pelo governo argentino, sem qualquer prova, de ser a autora do atentado contra a AMIA.

Se no seu momento o governo de Cristina Kirchner seguia o alinhamento do governo de Obama, agora Macri inventa inimigos ali onde Trump diz que eles estão. O resultado nesse caso é uma perseguição política e religiosa à comunidade muçulmana.

Assim se prepara o Cambiemos para a cúpula do G20, “feriado do Trump” com uma cidade militarizada, tal como em um filme distópico.

Buscando desviar o foco da pilhagem que implica os milhões de dólares para o pagamento de uma dívida ilegal e ilegítima a custa de rebaixar as condições de vida dos trabalhadores e criar uma paranoia persecutória à comunidades nas Argentina.
O alvo predileto: jovens, imigrantes e agora pertencentes à religião muçulmana.




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