Juventude

VESTIBULAR USP

Fuvest abre as inscrições, novamente sem as cotas raciais e indígenas

Começaram na última sexta-feira, dia 19, as inscrições para o vestibular da FUVEST. Contrariando o projeto da comunidade universitária, expresso durante a greve de alunos, funcionários e professores, de incluir por meio do próprio vestibular as cotas para negros e indígenas; o Conselho Universitário aumentou o pequeno número de vagas para o Sisu, que atende às cotas. Essa é a falsa democratização promovida pela universidade.

segunda-feira 22 de agosto| Edição do dia

Começaram na última sexta-feira, dia 19, as inscrições para o vestibular realizado pela FUVEST, que se encerrarão no dia 8 de setembro e deverão ser realizadas no site da Fuvest.

A exclusão do vestibular já começa pelo valor da taxa de inscrição, que será de R$ 160,00. O período para solicitação da isenção da taxa ia até o dia 11 de agosto. O boleto deverá ser pago antes do encerramento do expediente bancário do dia 9 de setembro.

A primeira fase do vestibular 2017 da Fuvest será em 27 de novembro. A segunda etapa será realizada nos dias 8, 9 e 10 de janeiro de 2017. O resultado da primeira chamada será em 2 de fevereiro de 2017.

Confira o manual do candidato da Fuvest 2017

Uma das principais demandas da greve de mais de dois meses não apenas na USP, mas na Unicamp, reunindo milhares de trabalhadores, estudantes e docentes, era que essas duas universidades finalmente tivessem cotas para negros e indígenas em seus vestibulares. A tentativa de mascarar essa recusa, por parte da reitoria, foi ampliar o ingresso de vagas pelo ENEM. Assim, o Conselho Universitário da USP anunciou a destinação de 21% das vagas para candidatos que constem na base de dados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Das 11.072 vagas disponibilizadas aos vestibulandos de 2017, 2.338 serão reservadas para o Sisu. Ou seja, diferentemente do projeto de grande setor da comunidade universitária, de retirar do conjunto total de vagas as cotas para pretos, indígenas, segundo sua proporção na população do estado, a USP reservou uma pequena parte das vagas para o SISU e dessa pequena parte uma cota ainda menor para negros e indígenas. Portanto, na prática a democratização do ensino proporcionada por essas medidas é mínima, uma vez que até do Sisu algumas instituições ficarão de fora, são elas: a Escola de Engenharia de São Carlos, a Faculdade de Medicina (FM) e o Instituto de Física (IF).

O vestibular é um injusto filtro social. Segundo o senso comum, o exame serve para selecionar os candidatos mais bem capacitados, aqueles que poderão usufruir das “universidades de excelência”, como a Universidade de São Paulo. Entretanto, como sustentar que esses candidatos partam do mesmo patamar, se de um lado a educação pública é sucateada em todos os níveis, não tendo nem merenda para seus estudantes, por outro nas instituições privadas os alunos são preparados unicamente com o objetivo de triunfarem nessas provas, para assim as escolas poderem lucrar exibindo a imagem dos candidatos aprovados, e gloriosas taxas de aprovação.

De cem mil estudantes que se inscrevem no vestibular da USP todo ano, aproximadamente noventa mil ficam excluídos. As cotas mudariam o perfil dos ingressantes e seriam uma conquista muito grande, como mostram as experiências em universidades federais, onde hoje se vê estudantes negros em toda a parte, muito diferente do que ocorre na USP ou Unicamp. Contudo, a exclusão da maior parte dos negros permaneceria, pois a realidade de nossa sociedade capitalista é de um racismo tal que, enquanto houver um estudante excluído da universidade, ele certamente será negro. Por isso colocamos a necessidade de lutar pelo fim do vestibular, com a ampliação das vagas para atender toda a demanda e fazer valer a educação superior como um direito universal. Isso seria possível a partir da estatização das universidades privadas, tirando da mão dos empresários a “educação como negócio”, e com fim do pagamento da dívida pública para ter dinheiro para investir na ampliação da educação.




Tópicos relacionados

Cotas étnico-raciais   /    Cotas Raciais   /    USP   /    Juventude

Comentários

Comentar