Educação

censura na educação

Futuro ministro da Educação de Bolsonaro já começa a disparar absurdos: provas do ENEM funcionariam como “doutrinação de esquerda”

O Exame Nacional do Ensino Médio, que funciona como filtro social que barra a entrada de milhares de jovens nas universidades ano após ano e cobra profundidade de conhecimento de temas que mal são tratados na escola pública, é, de alguma forma, “muito de esquerda” para o Ministro da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodrigues.

sexta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Alguns anos atrás o tema de redação do ENEM foi a violência contra a mulher, tema que está latente atualmente, uma vez que todos os dias mulheres morrem vítimas de violência doméstica ou ataques nas ruas, os chamados feminicídios. Este ano, o dialeto Pajubá, dialeto usado pela comunidade LGBT principalmente na região do nordeste do país, estava presente em uma questão de linguagens da prova.

Apesar de se tratar de temas realmente importantes, ligados aos setores oprimidos, que são quem mais sofre com o conservadorismo expresso por Bolsonaro e sua corja, estes temas estão inseridos em uma prova que exige conhecimento não fornecido na maior parte das escolas do país, servindo como filtro social que barra a entrada de jovens negros e pobres ano após ano, principalmente nas universidades públicas.

Mesmo assim, é revoltante ver que o futuro ministro da Educação quer aplicar a lógica de perseguição ilustrada pelo Projeto escola Sem Partido também nas provas do ENEM, para ele, as provas servem "mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino".

Vélez, que também deu declarações elogiando a ditadura militar responsável pela tortura e morte de militantes de esquerda, negros, travestis e quaisquer pessoas que questionassem o regime autoritário, quer tirar do ENEM o que ele alega, lunaticamente, se tratar de "doutrinação de índole cientificista e baseada na ideologia marxista", e faz alusão à retirada de instituições federais e estaduais de ensino, visando aprofundar também na educação a lógica de rifar o país ao mercado, às grandes empresas e marcas.

Em nada surpreende essa incansável tentativa da extrema direita, os golpistas e os conservadores em estereotipar quaisquer ideias ou movimentações que não condigam com seu preconceito, machismo e conservadorismo. Assim, mesmo o ENEM, que é parte desse filtro social que é o vestibular, serve como válvula de escape para que as ideias mais abjetas desse conservadorismo vil sejam propagadas no imaginário da população.




Tópicos relacionados

Censura   /    Ministério da Educação   /    Escola sem partido   /    Educação   /    Educação

Comentários

Comentar