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Fúria e greve na Tunísia contra a precarização e miséria dos planos do FMI

A morte em um acidente de trânsito de 12 trabalhadores rurais desencadeou a fúria e a convocação para uma greve na segunda-feira, expondo as condições de miséria que deixaram os planos do FMI.

terça-feira 30 de abril| Edição do dia

A Tunísia voltou a explodir em protestos nesta segunda-feira, 29, pelas condições miseráveis de vida deixadas pelos planos do FMI e pela precariedade do trabalho e dos serviços que provocaram a morte de 12 trabalhadoras rurais no último sábado.

Milhões de pessoas se manifestaram nesta segunda-feira em Sidi Bouzid, no centro da Tunísia e berço da revolta que em 2011 desencadeou a "Primavera Árabe" em toda a região.

As mobilizações tiveram lugar no marco de uma greve convocada pela principal central sindical, a UGTT, que era contra a marginalização e a precariedade das condições de vida rural.

A fúria estourou dois dias depois de um acidente de tráfico que acabou com a vida de doze diaristas que viajam na parte traseira de uma caminhonete a caminho do seu local de trabalho.

Este tipo de meio de transporte, que é utilizado principalmente nas zonas rurais, é conhecido como “caminhonete da morte”, e a ele é recorrida uma grande maioria de trabalhadores e trabalhadoras frente a falta de transporte público.

“Essa greve é em apoio das vítimas dessa tragédia, que é produto da marginalização das más condições de vida”, disse Mohamed Azhar Gamoudi, dirigente do sindicato UGTT.

Segundo a agencia estatal TAP, tanto os hospitais e os centros escolares como as administrações fecharam as suas portas nesta segunda-feira, depois da convocatória dos sindicatos locais.

Enquanto isso, a taxa oficial de desemprego no país é de 15%, na região de Sidi Bouzid supera 18%, de acordo com as últimas pesquisas do Instituto Nacional de Estatísticas (INS).

A isso se soma o desastre provocado pela aplicação dos planos de austeridade e dos cortes exigidos pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, em troca de um empréstimo de 2.500 milhões de euros concedido em 2016.

A Tunísia sofre uma crise econômica semelhante à que levou às insurreições de 2011, com os mesmos problemas estruturais da ditadura do deposto Bem Alí: alta taxa de desemprego na juventude, precariedade e corrupção endêmica.

Protestos similares estiveram ocorrendo nos últimos meses, alimentando a raiva dos tunisianos pelo alto curto da vida, o desemprego e a diminuição dos serviços estatais.

Em Sidi Bouzid, os manifestantes, incluindo mulheres e jovens, repetiram as consignas da rebelião de 2011: “As pessoas querem derrubar o regime. Queremos justiça e dignidade. Marchas e greves até que o regime caia ".

Esta reivindicação é a mesma que se escuta das casas na Argélia e no Sudão, onde, apesar de terem tirado os presidentes de ambos os países, as manifestações pedem que caia todo o velho regime, incluindo as castas políticas e militares que durante décadas se apoiaram nos governos de Bouteflika na Argélia e de Al Bashir no Sudão.




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