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RIO GRANDE DO NORTE

Frustrado com o leilão de pré-sal, governo Fátima poderá não pagar atraso no salário

A secretaria de Administração e Recursos Humanos do governo do estado do Rio Grande do Norte, anunciou que o governo corre o risco de não pagar os salários atrasados de 2018.

quinta-feira 7 de novembro| Edição do dia

A secretaria de Administração e Recursos Humanos do governo do estado do Rio Grande do Norte, anunciou que o governo corre o risco de não pagar os salários atrasados de 2018. A governadora Fátima havia prometido que usaria a receita obtida pelo estado para pagar os atrasados, que somam o salário de dezembro e o 13º de 2018.

O governo estava esperando que arrecadassem o dobro do que foi repassado ao Rio Grande do Norte no megaleilão de pré-sal que ocorreu ontem e hoje. Dos esperados R$ 327 milhões, o RN foi com apenas R$ 159,5 milhões.

Esse leilão significava a maior entrega de pré-sal da história do país aos interesses imperialistas, aprofundando a privatização iniciada no governo Dilma diretamente entregando poços com um valor exorbitante de ouro negro no pré-sal para qualquer empresa que desse alguns milhões e uma fração singela dos seus lucros. Tudo que fosse arrecadado não iria para a saúde e educação, para geração de emprego, nada, apenas para pagar a dívida publica e enriquecer os bancos.

Mesmo assim, Fátima Bezerra, governadora do estado pelo PT, apoiou a medida desde o princípio do seu governo, junto a outros governadores do Nordeste, tanto da direita como MDB e PSD, como PT e PCdoB. Utilizaram como moeda de troca do seu apoio à reforma da previdência, onde cumpriram um papel de conversas com as bancadas parlamentares no Congresso para que aprovassem que trabalhemos até morrer.

Pois o resultado dessa negociação sequer serviu para Fátima cumprir sua promessa de pagar os salários atrasados para os servidores. Se valeu de uma estratégia de conciliação, sendo parte da aprovação de ataques duríssimos a nível federal contra os trabalhadores, para obter recursos extras para pagar a dívida do estado com fornecedores e bancos.

No meio disso, Fátima disse que usaria esse recurso para quitar o salário atrasado dos servidores de 2018, que já realizaram uma série de paralisações nos hospitais, escolas, para -reivindicar seu direito e defender os serviços públicos. No relativo fracasso para a entrega do pré-sal, na medida em que a Petrobrás segue atendendo os interesses de acionistas internacionais, o governo Fátima dá para trás com a promessa que havia feito, encerrando seu primeiro ano de governo com os servidores ainda sem os seus salários e fazendo dívidas.

É um escândalo que essa seja a política do PT enquanto Guedes quer impor a PEC Emergencial para acabar com a estabilidade dos servidores, atacar seus direitos políticos, reduzir salários, cortar ainda mais da saúde e da educação. Novamente mostra que o PT não tem nenhum projeto que busque romper até o final com a política de ajustes neoliberais em meio a crise, patrocinando cada ataque do Guedes que já citamos, mas também dando continuidade os ataques aos servidores do estado de governos anteriores.

Não poderia consolidar essa estratégia de conciliação sem a ajuda das burocracias do PT e PCdoB na maioria dos sindicatos do Nordeste impondo uma enorme passividade diante desses ataques, não construindo os dias de luta convocados com assembleias e comitês de mobilização. O exemplo da radicalização do Chile contrasta em absoluto com essa política, pois provaram que apenas a partir dessa radicalização que os governos podem retroceder, colocando a possibilidade de uma greve geral política para derrotar Piñera e todo o regime herdeiro dos militares.

Em especial no momento em que a juventude saiu às ruas no 15M e 30M em defesa da educação, essas burocracias sindicais garantiram junto à UNE (dirigido pelas juventudes do PT, UJS e Levante) a divisão da luta estudantil dos trabalhadores contra a reforma da previdência, dos petroleiros contra o megaleilão e a privatização. Essa é a sua verdadeira política, por mais que seus deputados, como Natália Bonavides, façam um discurso inflamado de oposição, enquanto negociam pelas costas dos trabalhadores e dos estudantes.

Nós do Esquerda Diário Nordeste chamamos todos a se organizarem conosco nos locais de trabalho e estudo para batalhar por frações antiburocráticas e anticapitalistas, que estejam a serviço de uma mobilização e auto-organização que passe por cima dessas direções burocráticas. Pois vemos no Chile, com o PC e a Frente Ampla (ditos de oposição a Piñera), cumprirem o mesmo papel que o PT vem cumprindo aqui no Brasil, que é ser agente da manutenção da ordem para esses governos de extrema-direita e os ataques neoliberais.

Além disso, defendemos um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, começando pelo não pagamento da dívida pública, a estatização sob controle dos trabalhadores e da população do pré-sal e da Petrobrás.

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