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ELEIÇÕES ARGENTINAS

Frente de Esquerda: trabalhar seis horas e dividir as horas de trabalho

domingo 13 de agosto| Edição do dia

Uma das demandas centrais da campanha eleitoral da Frente de Esquerda e dos trabalhadores foi o lema “6 horas de trabalho, 5 dias na semana, para que todos tenham trabalho, sem diminuição salarial e o que mínimo cubra a cesta familiar (equivalente ao salário mínimo do DIEESE no Brasil”.

A consigna mostrou a perspectiva anticapitalista pela qual a Frente de Esquerda luta, já que vinculava a necessidade da redução da jornada de trabalho e não deixar a vida no trabalho, enquanto os empresários se enriquecem. Essa consigna levanta o questionamento a uma “coluna vertebral” do sistema de dominação capitalista: a existência de um permanente exército de desempregados e uma economia voltada a geração de lucro e não à vida das pessoas.

A proposta da divisão de horas de trabalho só pode ser conquistado plenamente por um governo de trabalhadores, é a única saída real para o desemprego que é crescente desde que assumiu o Governo de Mauricio Macri.

Esta ideia recorreu todo o país. Os principais candidatos da FIT como Nicolás del Caño, Myriam Bregman e Christian Castillo foram os porta-vozes que levaram esta proposta a cada bairro, fábrica, escola, universidade. Outro tanto ocorreu com os videos de campanha que foram vistos por milhões de pessoas.

Assim a campanha se instalou, despertou a simpatia de milhares de trabalhadores e jovens que tomaram a ideia nas suas mãos, outros opinaram que era algo utópico e até mesmo desatou a ira furiosa de economistas liberais como Javier Milei, que dedicou sua coluna no jornal El Cronist contra a proposta de Del Caño. A resposta no mesmo jornal por parte dos economistas que apoiam o jovem candidato à deputado pela província de Buenos Aires não tardou em chegar.

O debate mundial sobre o trabalho

No mundo se discute o “problema” do trabalho, desde a reedição das teorias do fim do trabalho até a proposta de um salário básico universal.

Estamos em um mundo que sofre com as consequências e não consegue sair da crise pós Lehman Brothers, onde a inovação tecnológica, em vez de permitirem seu uso para diminuir a carga de trabalho, é utilizada é induzir temor com a ameaça de perca dos postos de trabalho que serão “ocupados” por robôs, onde cresce o “modelo Uber”, e onde se multiplica o emprego precário.

Frente a este debate que ocorre em vários países, a Frente de Esquerda apresentou uma proposta revulsiva para o capital e os empresários, e ao mesmo tempo a consigna “nossas vidas valem mais que os lucros deles” que articulou vários eixos, como a luta contra as demissões, contra o trabalho precário, a redução da jornada de trabalho e a divisão das horas de trabalho, buscou elevar as aspirações de grandes setores de trabalhadores. E ao mesmo tempo, promover a unidade das fileiras operárias, cuja divisão é essencial para o domínio capitalista.

Na atualidade, como foi mencionado anteriormente, se discute o desenvolvimento da técnica aplicada ao trabalho. Se existisse uma organização racional da mesma, se poderia reduzir progressivamente a jornada de trabalho, mas pra isso tem que se discutir quem dirige a produção e em função de quais objetivos.

Nas mãos dos empresários cujo objetivo é aumentar seus lucros às custas da exploração do trabalho assalariado o papel é outro, explora mais ainda um setor e a outros manda embora acumulando milhões de desempregados.

A FIT não busca apenas responder o ajuste macrista, algo que obviamente faz defendendo um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas e participando ativamente em cada luta como a da PepsiCo. O PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, irmão do MRT na Argentina) luta por uma sociedade que acabe com a escravidão assalariada, que liberte todas as capacidades do ser humano para que possam aproveitar seu tempo.

A resposta da FIT frente ao aumento de desemprego, os que trabalham menos horas mal conseguem chegar ao fim do mês, os que trabalham mais de oito horas estão esgotados em jornadas infinitas, foi colocar em questionamento os próprios lucros das empresas.

É necessário lutar pela redução da jornada de trabalho para seis horas, com um salário equivalente à cesta familiar (equivalente ao Salário Mínimo do DIEESE no Brasil), e a divisão das horas de trabalho entre todas as mãos livres, para que trabalhemos menos e trabalhemos todos.




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