Política

Política

Frente de Esquerda: proposta do PTS para o PO e IS frente a crise nacional

O Partido de los Trabajadores Socialistas enviou uma carta aos seus parceiros de FIT com uma proposta programática e de agitação no marco da crise nacional. Leia completa.

quinta-feira 16 de agosto| Edição do dia

Para a direção do Partido Operário e da Esquerda Socialista

Estimados companheiros:

No final de semana, o Comitê Central do PTS se reuniu e decidiu compartilhar com as outras forças que compõem a Frente de Esquerda uma proposta programática e de agitação diante da crise nacional.

Estamos passando por um momento muito crítico, tanto pelas tenências de desvalorização e recessivas da economia, que questionam a viabilidade do plano acordado com o FMI e abrem a possibilidade de novos saltos na crise, como a corrida contra o peso que estamos vivendo nos dias de hoje e pelas derivações dos "cadernos das coimas" para frações centrais da grande burguesia "nacional" e de todo o regime político.

O governo tenta usar esse escândalo para impor uma agenda distinta aos golpes de desvalorização, ao aprofundamento da recessão e à queda do salário real de milhões, mas até agora não o alcança e fica cada vez mais claro, além do governo Kirchner e de seus empresários acólitos [membros da igreja católica], o envolvimento da própria família presidencial no escândalo de suborno.

Por sua parte, a extraordinária mobilização pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito coloca no centro da cena nacional o surgimento de um fenômeno essencialmente juvenil que começa a questionar as instituições reacionárias do regime democrático burguês, como o Senado, começa a confiar na força da mobilização extraparlamentar e se enfrentar com o clero e todos os partidos patronais que respondem a ele, incluindo o Kirchnerismo.

A burocracia sindical em todas as suas alas, inclusive a que responde ao kirchnerismo, é um obstáculo cuja natureza é impedir a emergência de um canal de luta e mobilização independente dos trabalhadores e do povo para que a crise seja paga pelos capitalistas.

Diante dos novos saques históricos que o governo e os grandes empresários estão realizando; diante da corrupção e processos judiciais arbitrários usados politicamente; diante a um Senado que virou as costas ao movimento massivo de mulheres que exigiam o direito ao aborto legal, seguro e gratuito; diante dos amplos setores que exigem a separação da Igreja do Estado; nossa proposta não somente parte de terminar com esse governo faminto e entreguista, mas também do regime político e social em que se baseia.

Propomos a necessidade de uma greve nacional ativa e um plano de luta para preparar o caminho para a greve geral que derrote o saque capitalista. Lutamos por um governo de trabalhadores e para acabar com essa sociedade de exploração capitalista, e desta forma nos propomos a realizar uma agitação de massa para uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, eleita em todo o território nacional que discuta os grandes problemas nacionais sem nenhum tipo de restrição.

Ali lutaremos por um programa anti-imperialista, anticapitalista e de denuncia ao regime democrático burguês como cobertura da ditadura do capital: deixar de pagar a fraudulenta dívida externa, a nacionalização do sistema de transporte e de energia, sob gestão dos trabalhadores; o monopólio estatal do comércio exterior e um único banco nacional; a eliminação do Senado aristocrático e a constituição de uma única Câmara dos Deputados revogável ganhando o salário de um trabalhador; separar a Igreja do Estado; o direito ao aborto legal e todos os direitos das mulheres, particularmente as mulheres trabalhadoras que carregam o fardo do trabalho doméstico e de cuidados não remunerados; a investigação de todos os negociados com obras públicas e outros orçamentos estaduais e mecanismos de controle dos trabalhadores e do povo sob todos os orçamentos; eleição por sufrágio universal de juízes e fiscais, julgamentos por júris populares.

Uma Assembleia Constituinte verdadeiramente livre e soberana deve ser imposta com a luta e organização dos trabalhadores, as mulheres e a juventude. Essa experiência chocará com a resistência do grande capital, seu estado e agentes políticos, e permitirá criar formas de auto-organização dos explorados e oprimidos e compreender a necessidade de uma luta revolucionária por um governo dos trabalhadores.

Defendemos que este programa de ação permitiria à Frente de Esquerda dar uma resposta geral à realidade política nacional e, por sua vez, nos separar da estratégia de "tomar Macri em 2019", que impulsiona o Kirchnerismo e setores do peronismo, para ganhar as eleições e continuar a sustentar o saqueio nacional por parte do grande capital.

Se chegarmos a um acordo para realizar um grande ato da FIT em um estádio aberto, gostaríamos de informar que este é um das pautas, junto com o apoio a todas as lutas por salários e contra demissões, a campanha pela separação da Igreja e do Estado e pelo aborto legal e o não pagamento da dívida aos especuladores.

Junto a isso, propomos iniciar uma grande campanha que inclua promover um encontro nacional em defesa do estaleiro Rio Santiago, atacado pelo esvaziamento e o ajuste de Macri, Vidal e do FMI com uma orientação que inclui demissões e sua privatização.

Promovemos, junto com outras organizações, o encontro de luta que aconteceu no Hospital Posadas no início do ano e iniciativas para dar visibilidade nacional a lutas como a do Rio Turbio e dos professores de Neuquén. Agora acreditamos que devemos colocar toda a nossa força para cercar de solidariedade a luta dxs trabalhadorxs do estaleiro Rio Santiago.

Propomos-lhes realizar uma reunião na próxima segunda-feira, dia 20, para trocar informações sobre o assunto, juntamente com a questão do ato.

Saudações fraternas,

Comitê Central do PTS - 15/08/18




Tópicos relacionados

PTS   /    Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)   /    Política

Comentários

Comentar