Sociedade

AUTO ORGANIZAÇÃO

Frente ao abandono de Dória e Covas, moradores de Paraisópolis criam 60 bases de emergência

Paraisópolis capacitou 240 moradores para atuarem como socorristas em bases de emergência na comunidade. Serão 60 bases espalhadas nas microrregiões do Centro, Antonico, Grotão, Grotinho, Brejo e Prédios.

quarta-feira 6 de maio| Edição do dia

Ao mesmo tempo em que ações como essa demonstram a potencialidade existente na auto-organização da população, que está tomando sob seu controle os cuidados com os moradores da comunidade onde vivem, explicitam o descaso de governos como de Dória e Bruno Covas, ambos do PSDB, que não fornecem o mínimo para os trabalhadores sobreviverem a crise sanitária.

A falta de testes faz com que pessoas infectadas convivam com as não contaminadas, mesmo ambas em quarentena, o que propicia o aumento de contágio pelo vírus, e mantém a subnotificação como uma prática já recorrente, o que impede a análise dos locais que possuem maior risco de contaminação.
A insuficiência de máscaras e EPIs para os profissionais da saúde faz com que aqueles que lutam na linha de frente no combate ao vírus sejam os que estão mais propensos a serem contaminados.

A falta de contratação de profissionais da saúde também precariza ainda mais a estrutura de saúde já deficitária, elemento que motiva diversos estudiosos a apontarem o colapso da rede de saúde algo inevitável.

Diante do nível de precarização, os trabalhadores não encontram outra saída a não ser fazerem eles mesmos uma pequena parcela do que o Estado deveria fazer caso estivesse a serviço de atender as necessidades da população. Fica escancarado o quanto os governos lutam para manter o lucro dos grandes empresários enquanto secundarizam a sobrevivência de milhares de pessoas. Por isso, precisamos nos inspirar em ações como essa de Paraisópolis, e nos organizarmos para que nós mesmos possamos decidir sobre nossas vidas.

Nós, do MRT, e do Esquerda Diário, defendemos a criação de comitês em cada fábrica, hospital, e em todos os locais em que os trabalhadores continuam a ser explorados, com representantes votados pelos próprios funcionários, para que esse grupo possa administrar os recursos disponíveis, com o objetivo de salvar vidas e não lucro dos patrões.

Ninguém melhor do que os próprios profissionais da saúde para administrar os hospitais no qual trabalham, de forma democrática, levando a frente os interesses dos trabalhadores; assim como os próprios funcionários das fábricas poderiam decidir reconverter a produção para a fabricação de respiradores, álcool gel e máscaras, já que sentem o medo de serem infectados todos os dias, e veem amigos e familiares sob o mesmo risco, ao mesmo tempo que sabem que a seus patrões só interessa os cifrões em suas contas bancárias.

Para isso, precisamos perceber que governos como os de Dória e Covas não estão ao lado dos trabalhadores e do povo pobre, e que somente com os trabalhadores auto organizados será possível mudar a lógica dessa sociedade e impor que nossas vidas valem mais que o lucro deles.




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