Opinião

TRIBUNA ABERTA

Frente a venda da Embraer, a impotência do PSTU

Frente a esta situação que vai atingir milhares de trabalhadores da Embraer, mas também de outros setores do Vale do Paraíba, cabe o debate com o Sindicato dos Metalúrgicos dirigido pelo PSTU sobre como atuar para barrar a venda de uma das maiores empresas do país.

segunda-feira 27 de agosto| Edição do dia

Conforme já foi colocado neste site anteriormente, a Embraer já está colocando em prática o discurso de que vai haver demissões e está tendo uma política criminosa de que enxugar os gastos da empresa, para tornar-la mais atrativa para os grandes investidores imperialistas.

Frente a gravidade do problema, é necessário um grande plano de guerra para deter a venda da empresa e defender os empregos dos trabalhadores. É preciso um plano de luta, que envolva ações efetivas dos trabalhadores da Embraer, unidade com outros trabalhadores da região e aliança com a população que também vai sofrer com as demissões de uma das maiores empresas do país. Infelizmente, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos dirigido pelo PSTU está aquém do desafio que é colocado.

Além de ações rotineiras e de pouca efetividade, a direção do sindicato se envolve em mil audiências publica desvinculada com a organização real dos trabalhadores, alimentando a esperança de que os órgãos municipais podem dar uma saída para os trabalhadores frente a este grave problema. Isto se torna ainda mais escandaloso, quando o PSTU pedem reunião com o golpista Michel Temer para vetar a venda da Embraer

Um dos objetivos do golpe institucional foi aprofundar a entrega do país para grandes potências imperialistas. O PSTU com a sua política "pseudo – vermelha" afirmou que o golpe institucional era uma invenção, de que ele não aconteceu. Esta cegueira do PSTU, fez com que este partido sentasse com o Temer, aquele que só está no cargo na presidência para poder aprofundar a entrega do país para as grandes potências.

Pouco barulho para nada

O sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos fala em estatização da Embraer, mas para estatizar a Embraer, o sindicato pede para que o governo pague 3,8 bilhões de reais para a empresa, a mesma quantia que a Boieng pagara para obter 80% da aviação comercial da empresa. Toda lógica do PSTU em não fazer nada de efetivo para deter a venda da Embraer e defender os empregos de milhares, em ultima instância serve pra encabeçar uma política que não incomoda os capitalistas de uma das maiores empresas do país

Estatização da Embraer com indenização, em ultima instância significa dar uma enorme quantia de dinheiro que deveria ser investido em educação e saúde, para os grandes capitalistas, pois estes seriam os supostos ’’donos legítimos’’ da empresa. Ignora o fato de que são os milhares de trabalhadores que movem uma das maiores empresas brasileiras e são eles que devem ser dono do fruto do seu próprio trabalho, não meia duzia de grandes empresários que exploram os trabalhadores

No final das contas, quando o PSTU encabeça a política de estatização com indenização para os grandes capitalistas, as audiências e também as reuniões com Temer serve como acordo de bastidores com a pretensa esperança de que isso aconteça. Enquanto isso, o golpe avança a galope e a venda da Embraer para a Boieng, se depender dos empresários da Embraer e dos imperialistas da Boieng está caminhando para ser concretizada.

Estatizar com indenização, é manter alguma ilusão de que frente o avanço imperialista para tomar a riqueza que deveria ser nacional, de que os grandes empresários e políticos que estão na linha de frente de que isso aconteça vão ceder alguma coisa para os trabalhadores. Se eles são duro e não abre mão em vender a Embraer e deixar milhares de trabalhadores na rua, porque os trabalhadores teriam que negociar com estes mesmos entreguistas.

Na verdade, o PSTU que em horário eleitoral diz que vai organizar a rebelião demonstra na prática uma profunda falta de confiança na força dos trabalhadores. Se organizasse a categoria, junto com os trabalhadores de outras indústrias e aliado com os setores populares da sociedade, certamente teria condição de ir por mais, do que além desta pauta rebaixada que estão se propondo. Mas, não. O PSTU acredita que é possível conseguir ‘’alguma conquista’’ para os trabalhadores através de outra a classe social.

Os trabalhadores da Embraer tem que dizer para a população pobre de São José dos Campos e para todo o Brasil de que eles não vão pagar a conta para saciar os interesses dos grandes empresários entreguista da Embraer. Por isso defendemos que é elementar lutar pela estatização da Embraer sem nenhuma indenização. O emprego dos trabalhadores não podem ser usado como moeda de barganha.

É preciso que a Conlutas, central sindical na qual o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos rompa com o seu isolamento e exija das centrais sindicais que mobilizem as suas bases para lutar para impedir a venda da Embraer pela Boieng, defender o emprego e avançar para uma luta que vise estatizar a Embraer sem nenhum centavo de indenização para os grandes capitalistas. Uma luta na Embraer pode ser o inicio de uma grande luta contra o avanço imperialista no país e os ataques do governo golpista.




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