Juventude

Frente à tragédia de Bento Rodrigues, C.A. da UFMG organiza solidariedade e exige punição aos culpados em nota

Estudantes do Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG divulgaram nota se solidarizando com os atingidos pelo rompimento da barragem em Bento Rodrigues, Mariana, para quem receberão doações durante a semana. Responsabilizam a mineradora Samarco, o governador Fernando Pimentel e o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Chamaram a lutar pela investigação independente, punição dos culpados e confisco dos bens da empresa para reparação. Abaixo a nota completa:

segunda-feira 9 de novembro de 2015| Edição do dia

Os depoimento e imagens do rompimento das barragens em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, a 124 km de Belo Horizonte, assombraram todo o país e até a mídia internacional. E não à toa: o vilarejo foi arrasado por um rio de lama e o número de mortos e desaparecidos após o acidente permanece incerto: a quantidade de vítimas vai desde os números de uma morte e 13 desaparecidos segundo declaração do Corpo de Bombeiros Militar, até a estimativa de 16 mortos e 45 desaparecidos, do Sindicado dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana, o Metabase, logo após o acidente. Essa tragédia é uma das maiores da história do Estado de Minas Gerais, e gerou imensa tristeza e indignação na população, que vem cobrando explicações dos políticos, altos-funcionários e dos empresários.

As barragens de Fundão e Santarém eram de responsabilidade da Samarco Mineração AS (uma joint-venture propriedade da gigante brasileira Vale e da anglo-australiana BHP Billiton) e serviam para acomodar rejeitos da mineração da região.

A ruptura das barragens, ocorridas na tarde desta quinta-feira (5), já provocou destruição e inundação em diversos outros distritos próximos a Mariana: a ponte que dá acesso ao povoado de Gesteira desabou, a cidade de Barra Longa decretou estado de emergência, e o prejuízo estimado para o distrido de Barreiro é de 6 milhões. O Serviço Geológico do Brasil emitiu um alerta de previsão que o mar de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos colocavam em risco diversas outras cidades banhadas pelo Rio Doce, entre elas três do Espírito Santo.

Grande parte dos moradores do distrito de Bento Rodrigues eram amigos ou parentes de trabalhadores da Samarco e da empresa terceirizada Integral. É clara a situação de negligência da mineradora: um laudo técnico elaborado a pedido do Ministério Público alertou, em 2013, sobre os riscos de rompimento da barragem do Fundão. Além disso, a empresa não emitiu nenhum alerta, o que contraria as leis que exigem a instalação de sirenes de emergência em caso de ruptura em barragens: segundo moradores a barragem teria estourado às 14h, e as primeiras informações chegado apenas por volta das 15h30.

As grandes mineradoras constroem seus lucros monumentais sobre a miséria de centenas de vidas. Já há diversos casos de ruptura de barragens nos últimos anos, o último no ano passado, com a morte de três operários em Ouro Preto. Diversos trabalhadores já haviam alertado acerca do perigo de rompimento das barragens: tratar esta barbaridade como um mero acidente do acaso é desrespeitar imensamente todos aqueles e aquelas que morreram ou perderam tudo e terão de reconstruir suas vidas: o distrito de Bento Rodrigues não mais existirá, o dano ambiental é inestimável, posto que a lama de rejeitos destruirá rios, solo e nascentes por onde passar (além de ser potencialmente tóxica a seres humanos), já caiu no curso do Rio Doce e chegará ao Espírito Santo e ao mar. Várias cidades já se vêm no risco de uma possível crise hídrica fruto da chegada da lama às cidades que retiram o abastecimento do Rio Doce.

Além de responsabilizar a empresa, responsabilizamos o governador do Estado de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) e o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS). Repudiamos o cinismo da declaração do Secretário de Estado e Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, que classificou a empresa Samarco como “vítima” do rompimento da barragem, defendeu que “existe excesso de rigidez” nos licenciamentos ambientais e ainda disse que empresas deveriam ser contratadas para substituir o Estado nos licenciamentos. Esses políticos são os mesmos que receberam milhões das mineradoras em sua campanha eleitoral: Dilma Roussef recebeu R$ 2,5 milhões da Vale para a campanha de 2014 e Pimentel R$ 1,8 milhões. Não é por acaso que este governador enviou um Projeto de Lei à Assembleia Legislativa (PL 2946/15) para tentar flexibilizar e facilitar ainda mais os licenciamentos ambientais da mineração.

Nós do Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG – CAFCA organizaremos uma campanha de solidariedade às vítimas, recolhendo roupas, alimentos, roupas de cama, água, cobertores, e utensílios de utilidade doméstica (especialmente os últimos quatro itens), para levar no fim da semana às milhares de pessoas afetadas. O local para as doações será a sala 3035, na FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas), dentro da UFMG, campus Pampulha. Junto à isso exigiremos a punição dos culpados por meio da investigação realizada por sindicatos, organizações de bairro, entidades estudantis e comitês de atingidos, com independência dos políticos, empresários e seus altos-funcionários. Lutaremos para que os bens da empresa sejam confiscados e usados na reparação aos atingidos e ao meio ambiente. Chamamos todas entidades estudantis e sindicatos a somarem-se a essa campanha.

– Não foi por acaso! Mineradora Samarco, governador Fernando Pimentel e prefeito Duarte Júnior são responsáveis!
– Punição aos culpados! Pela apuração realizada por organizações de bairro, sindicatos e entidades estudantis, com independência dos empresários, políticos e seus altos-funcionários!
– Pelo confisco dos bens da empresa para reparação aos atingidos e ao meio ambiente!

Abaixo a nota da página do Facebook do Centro Acadêmico, de onde também pode ser compartilhada:

Solidariedade aos atingidos pela tragédia de Bento Rodrigues, Mariana! Punição aos responsáveis e reparação às ví...

Posted by CAFCA ⋅ Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG on sábado, 7 de noviembre de 2015




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