Mundo Operário

CORONAVÍRUS

Frente à barbárie capitalista, fortalecer a solidariedade operária

É de conhecimento de todos que a crise que enfrentamos hoje no Brasil e no mundo tem impactado enormemente na vida de massas da população, que fruto do descaso do Estado capitalista mundo afora com a situação da saúde dos trabalhadores, sofrem hoje com a contaminação de um vírus que poderia ser evitada caso a sociedade em que vivemos não funcionasse a serviço do lucro de uma pequena minoria.

Mariana Duarte

Diretoria do centro acadêmico da faculdade de educação da USP

sábado 21 de março| Edição do dia

São milhares que hoje perdem familiares e amigos fruto da doença causada pelo Coronavírus e que foram por anos submetidos a péssimas condições de saneamento e alimentação e viram a saúde da qual dependiam - isso nos países que possuem saúde pública, já que em muitos como nos EUA essa não é uma realidade - ser constantemente sucateada e precarizada em função de distribui rios de dinheiro dos cofres públicos para instituições de saúde privadas, grandes bancos e monopólios.

Frente à essa realidade, governos de diferentes países que lidam com a crise, por um lado tem tomado medidas repressivas à população forçando quarentenas compulsórias, e por outro negado - como é o caso da Itália e do Estado Espanhol - o direito aos testes gratuitos da doença, o que aumenta a chance de contaminação, já que muitos dos que são contaminados não apresentam sintomas e se tornam vetores do vírus.

Tudo isso com um discurso de que “estão dando o melhor de si” para solucionar a crise, ressaltando um sentimento de solidariedade totalmente individual enquanto aproveitam desse momento de extrema vulnerabilidade da população para avançar em ataques contra os trabalhadores ao mesmo tempo que demitem e diminuem os salários de centenas com o apoio do Estado, como vimos em diversos exemplos no Brasil onde Bolsonaro permitiu que empresas pudessem cortar salários pela metade.

No entanto, uma crise de tamanha magnitude não poderia ter uma saída que se resumisse a iniciativas individuais. É preciso batalhar para que frente ao coronavírus, os trabalhadores em uma profunda aliança, tomem o controle da produção, para que tudo que é produzido nas grandes empresas seja colocado a serviço de resolver essa crise.

Em algumas universidades pelo país vemos exemplos de laboratórios e faculdades que estão se mobilizando para ajudar na produção de álcool em gel, equipamentos para hospitais, ou testes como é na UFMG o que demonstra como tais iniciativas podem ser extremamente eficazes e que nos levam a refletir, e se isso se estendesse para o conjunto da produção, fábricas, indústrias e demais locais de trabalho, sob controle daqueles que trabalham e não dos capitalistas que têm como único objetivo aumentarem seus lucros?

É possível ver, também, outros exemplos como esses ao redor do mundo, como foi o exemplo de professores de Rosário, na Argentina, que se organizaram para produzir álcool em gel, ou dos operários de fábricas de sapato em Antacal, na Espanha, que transformaram a produção da fábrica para a produção de máscaras.

O relato de um operário gráfico mostrou que existem máquinas que imprimem 60 mil cadernos de 16 pág por hora. Com três máquinas, seriam 180 mil cadernos de 16 pág por hora. Se cada página dessa fosse um folheto para combater o coronavírus, seria possível imprimir 880 mil folhetos contra o surto do coronavirus em um hora!

Pode te interessar: "Se fosse pra ajudar a população eu viria de boa [...] O problema é que os patrões não querem”.

Esse é um exemplo da potencialidade da classe trabalhadora produzindo a serviço da maioria, o que se torna necessário no momento que estamos. É essa perspectiva que cada sindicato, como a CUT e a CTB no Brasil, dirigidas pelo PT e PCdoB, devem defender frente a essa crise tão séria, e não iludir saídas eleitorais que sabemos que são impotentes diante da realidade de calamidade que estamos vivendo.

Somente os trabalhadores podem apresentar uma saída de fundo para que não sejamos nós a pagar por essa crise. Apenas através de sua união e organização com seus próprios métodos históricos em cada local de produção, é que será possível destinar toda a energia necessária para estancar de uma vez por todas o avanço da doença e fazer com que sejam os capitalistas a pagarem pela crise que eles mesmos criaram. Para grandes saídas, grandes soluções.




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