Política

ELEIÇÕES 2016 RIO

Freixo chama Secretária da Fazenda de Paes para ser conselheira de sua gestão

A economista Eduarda La Rocque, que foi Secretária Municipal da Fazenda de Eduardo Paes, foi convocada pelo candidato do PSOL, Marcelo Freixo, para ser sua conselheira econômica. A medida está inserida em um conjunto de sinalizações que Freixo vem fazendo de que fará uma gestão “moderada” e “responsável”.

Fernando Pardal

@fepardal

segunda-feira 24 de outubro| Edição do dia

A economista afirma que foi procurar o candidato por iniciativa própria, e que foi convencida pelos seus filhos, de 22 e 16 anos. Ao explicar a atitude, ela diz: “Neste País, o dilema ético versus não ético é mais importante do que o esquerda versus direita. A conversa com Freixo foi muito boa. Ele é pragmático, bem menos dogmático do que eu acreditava”.

“Dogmático”, na boca de uma liberal convicta como La Rocque, pode ser interpretado sem margem de erro como alguém que defende os interesses dos trabalhadores e da população pobre em detrimento da “não-dogmática” (de acordo com a crença liberal) “mão invisível do mercado”.

De acordo com a lista de crenças que liberais como La Rocque defendem, tudo o que é administrado pelo Estado é lerdo, ineficaz, dispendioso e corrupto, enquanto as empresas privadas representam o futuro, a gestão eficaz, o “pragmatismo” que ela, a secretária de Eduardo Paes, atribui a Freixo.

Entre seus “méritos” como gestora das finanças do município do Rio, está o “equilíbrio nas contas”, ou seja, uma austeridade nos gastos sociais para poder reservar uma larga fatia do orçamento para o pagamento de dívidas a banqueiros e especuladores, enchendo ainda mais seus bolsos milionários enquanto os serviços públicos tornam-se cada vez mais precários.

E quais seriam os dogmas travestidos de “eficácia” que a gestora La Rocque defende? Suas declarações expressam bem: “Não tem muita firula: tem de cumprir a lei orçamentária, ser o mais eficiente possível. Nisso há um alinhamento total entre direita e esquerda. Na administração municipal não tem de discutir política macroeconômica”. O dogma da “lei orçamentária” é indiscutível: votado pela Câmara dos Vereadores, um antro dominado pelos interesses empresariais, do tráfico e das milícias, ali se decidem as diretrizes para todos os gastos da prefeitura. A discussão econômica, de acordo com La Rocque, não tem nada de político, porque os interesses da “gestão eficaz” não tem cor ideológica.

E sob essa máscara de eficácia se privatiza a saúde por meio das OS; o transporte com subsídios milionários, tarifas absurdas, linhas insuficientes e carros superlotados. Mas a eficácia das contas públicas permanece preservada. “Garantir o equilíbrio do orçamento municipal,”, aliás, é um dos pontos defendidos na carta de Freixo que foi divulgada nessa segunda-feira, 24, para combater sua imagem de “radical”, bem como “Atuar de forma ética e equilibrada junto ao setor privado” e “Respeitar os contratos em situação regular” (leia-se, manter a privatização das OS e do transporte, entre outras).

O que a economista quer, ao afirmar que “não tem muita firula”, é “vender o peixe” de sua austeridade econômica que beneficia os ricos como a única forma possível de administrar o orçamento municipal. Mas sabemos que há uma série de arrecadações que vão diretamente para a prefeitura, como as multas de trânsito, IPTU, entre outros, e será o governo municipal que decidirá sua destinação: serviços públicos para a população ou pagamento da dívida pública para os especuladores. Para La Rocque, não há “firula”: o dinheiro vai para o bolso dos ricos. Freixo, ao adotá-la em como conselheira, sinaliza “aos mercados” que seguirá esse caminho. Suas reiteradas declarações sobre o “equilíbrio nas contas” e a “responsabilidade” são formas “amenas” de dizer o mesmo. Enquanto isso, calamidades como o caos da saúde pública no município permanecem. As pessoas morrem nas filas de espera dos hospitais, mas tudo com “responsabilidade”, e “equilíbrio nas contas”.

A aproximação de La Rocque vem sendo comparada com a entrada de Henrique Meirelles no governo Lula, um sinal de que sua política econômica continuaria sendo “responsável”, ou seja, seguiria à risca a fórmula dos gestores capitalistas.

Certamente, Eduarda La Rocque é uma peça fundamental para Freixo demonstrar que sua grande preocupação na reta final da campanha tem sido aparecer como inofensivo frente à propriedade privada e aos interesses dos milionários empresários, banqueiros e especuladores. Como ela mesma disse, seu objetivo ao aceitar o cargo de conselheira de Freixo é aplicar a austeridade e “acalmar os mercados”, fazendo um contraponto à futura Secretaria da Fazenda de Freixo, a keynesiana Laura Carvalho.

Na contramão dessa adaptação de Freixo aos patrões, chamamos seus eleitores a se juntar a nós na construção de uma força anticapitalista que tome como exemplo a luta da educação contra os ataques de Temer, que tem seu centro no Paraná, e enfrente a direita golpista e os patrões.




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