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Freddie Mercury: a 70 anos do nascimento da rainha do rock

Depois de tantos anos seu legado segue intacto e mais vivo do que nunca. Cantor, compositor, músico, intérprete e líder da lendária banda Queen, ultrapassou os limites de tudo o que estava estabelecido.

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

Em 5 de setembro de 1946, em Zanzibar, atual Tanzânia, era criada uma grande coroa. Nascia Farrokh Bulsara, mais conhecido como Freddie Mercury. De ascendência persa e nacionalidade indiana, foi cantor, compositor, músico, intérprete, líder da banda Queen e um dos melhores tenores da história do rock.

Cresceu escutando música indiana, desde pequeno teve aulas de piano, ingressou no coral da escola e participou de várias peças de teatro no colegial. Sua primeira banda foi The Hectics, com a qual tocava em festas e bailes da escola.

Terminados seus estudos, se muda para Londres, onde se especializou em Arte e Desenho. Aqui se inunda com a cultura Pop e o Rock da época, com referências como Robert Plant, Elvis Presley, Mick Jagger e Liza Minelli, e constrói amizades tendo a música como fio condutor. Entre estas relações se encontram aqueles com quem mais tarde formaria o Queen. Como o baterista Roger Taylor e o guitarrista Brian May, que faziam parte da banda Smile. Mercury. Que sabia todas as letras e melodias desse grupo, uma noite se junta a eles e improvisam, mostrando seu grande talento. Pouco depois de receber seu diploma na Escola de Arte Ealing, se une à banda Ibez como vocalista.

Em 1969, Bulsara atuaria com a banda de Liverpool pela primeira vez em um palco. Contudo, não tardaria o descontentamento de Mercury devido a limitações dos demais membros da banda devido a projetos pessoais.

Ibex- Jailhouse Rock (Live- 1969)

No ano seguinte, em 1970, se une à banda Sour Milk Sea, mas apenas três shows depois os deixaria. Seus amigos Taylor e May também haviam deixado sua banda, e Mercury não demoraria em lhes convencer a formarem uma juntos, incorporando mais tarde John Deacon no baixo. Chamariam o grupo de Queen e a partir dali começariam a erguer o trono. O início foi uma viagem para encontrar um som próprio e exótico, que os representaria. Para isso combinaram sons que incluíam o rock, heavy metal, rockabilly, pop, dance, glam, entre outros. Nesse ano convulsivo passa a morar com sua companheira Mary Austin, com quem permaneceria por sete anos.

Queen (1973)

Sua ânsia pela perfeição o levou, por exemplo, a não querer tirar os dentes que faziam com que tivesse a arcada saltada, porque dizia que isso lhe dava amplitude vocal e que se os tirasse modificaria a ressonância de sua voz. Seu jogo vocal era tão particular que em princípio nenhuma das grandes gravadoras queria o grupo, até que um diretor ficou impressionado e o Queen conseguiu seu primeiro contrato.

Com mais segurança, Mercury compõe o terceiro trabalho do grupo, Killer Queen, que o levou ao que estava buscando, o sucesso. Ainda que sua voz era mais para barítono, habitualmente cantava em registro de tenor, sem nunca ter feito aulas de canto. Sofria de nódulos vocais, o que o levava a que nos show substituísse as notas mais agudas por oitavas mais graves.

O prazer pelo que criava o levou a aperfeiçoar sua atuação com sua personagem para poder representar também com o corpo aquilo que fazia com a música, tomando gestos de artistas como Liza Minelli e Marlena Shaw.

A carreira em ascenso chega a uma das obras mais destacadas da banda, "Bohemian Rhapsody", de 1975, que permanece no topo das paradas britânicas por nove semanas. Além disso, com suas atuações provocativas, seus trajes chamativos e sua confiança em cima do palco, rompia sem dúvida com tudo o que era conhecido até aquele momento. Soube dizer "Odeio fazer o mesmo o tempo todo, gosto de ver o que está acontecendo nesse momento na música, cinema e teatro e incorporar isso." Supreende o fato de que na realidade era uma pessoa muito tímida e introvertida nos bastidores e concedia poucas entrevistas.

Queen - I Want To Break Free

Ainda que o Queen houvesse triunfado em todo o mundo, no início dos anos 1980 obtiveram o primeiro lugar nos EUA. Nessa época Freddie adota o visual "Clone" (vinculado à comunidade gay pós-Stonewall), o que fez com que as emissoras mais conservadoras lhes fechassem as portas.

Se o mercado e os fãs de todo o mundo começavam a duvidar do significado deste "vestuário" novo, todos os integrantes da banda decidem se travestir para o vídeo de "I want to break free", colocando na tela o debate sobre a sexualidade de Mercury por parte da imprensa sensacionalista. Veio à tona o conservadorismo no mundo da música, particularmente nos Estados Unidos, que proibia a transmissão de músicos LGBT.

Contudo, a popularidade de Freddie deu um salto em 1985 quando é convidado junto com a bana para o concerto Live Aid, onde compartilhou o palco com 65 artistas influentes do rock.

Queen - Live at LIVE AID 1985

Em 1987 é diagnosticado com AIDS, doenças que em poucos anos, em 1991, lhe causaria a morte. Sua última atuação foi com a cantora de ópera Montserrat Caballé e, ainda que tenha continuado compondo, não pôde mais realizar apresentações ao vivo. Dentro de sua grande carreira encontramos 14 discos de estúdio, 7 ao vivo e mais de 48 singles, além de suas duas produções solo.

O processo de lagarta a borboleta não foi fácil, muito menos para a rainha do rock. Freddie ultrapassou os limites do estabelecido na arte, na própria vida e por isso segue atravessando diversas gerações e influenciando até os dias de hoje.

Tradução: Fernando Pardal.




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