Mundo Operário

31 DE MARÇO / GREVE GERAL

França: mais de um milhão de pessoas na jornada de greves contra a reforma trabalhista.

As mobilizações de trabalhadores e estudantes foram massivas. Em toda França, mais de um milhão de pessoas exigiram a retirada da “Lei de Trabalho”. O governo respondeu com repressão.

sexta-feira 1º de abril de 2016| Edição do dia

Apesar da chuva e da forte repressão policial, a determinação dos estudantes e trabalhadores se manteve intacta. A greve se mostrou forte no setor público e privado. E segundo as centrais sindicais CGT e Force Ouvrière (FO), 1,2 milhões de manifestantes tomaram as ruas de todo país.

Nada poderia evitar o impacto da greve. Nem o fechamento do administrativo de 20 escolas de ensino secundarista em Paris, por seus diretores, ou os locautes patronais em certos lugares, nem a forte repressão durante os últimos dias. Nada disso conseguiu desmobilizar os manifestantes.

Em Paris, 160 mil pessoas se manifestaram. A marcha começou em meio à chuva, encabeçada por Philippe Martinez (CGT), Bernadette Groison (FSU), Jean-Claude Mailly (FO) e William Martinet (Unef). Na Normandia, ajuntaram-se 50 mil pessoas, enquanto que em Le Havre e Rouent bloquearam os acessos à cidade. Em Lyon e Rènnes, 30 mil manifestantes se mobilizaram exigindo a retirada da lei de trabalho, apesar da forte repressão. Em Toulouse, se formou uma mobilização histórica com 100 mil pessoas nas ruas. Cenas similares repetiram-se nas principais cidades do país.

Os secundaristas se mobilizam

Os estudantes secundaristas voltaram a se colocar à frente do movimento de juventude. Apesar do boicote das autoridades, pelo menos 50 escolas foram bloqueadas na região metropolitana de Paris desde de manhã. A jornada de greves serviu como cenário para a ampliação do movimento que vem se avolumando na juventude secundarista.

Apesar da forte repressão nas mobilizações do dia 24 de março contra um estudante de 15 anos do liceu Bergson, que tinha o objetivo de amedrontar os estudantes, as manifestações se estenderam às escolas de toda Paris.

Ao longo do país, cerca de 250 escolas foram bloqueadas parcial ou totalmente segundo as entidades estudantis. As mobilizações se massificaram e a repressão se manteve, mas ficou evidente que a Polícia recebeu a ordem para que não houvesse um “novo Bergson”.

Bloqueios e protestos nas universidades

Nas universidades esta foi a quarta jornada de protestos desde 9 de março, continuadas em 17 e 24, para culminar no dia 31, com o único chamado oficial das centrais sindicais CGT e FO “contestadoras”. As universidades se mantiveram mobilizadas, e como ocorreu em protestos anteriores, as colunas maiores foram as da universidade de Paris 8, que participou antes da marcha da assembleia geral em Saint Denis, e de Paris-I-Tolbiac, onde realizaram-se na quarta-feira a reunião com intelectuais, trabalhadores da Goodyear e ferroviários.

Para preparar a jornada de 31 de março os estudantes bloquearam novamente várias universidades como Paris 8, Rènnes 2 e alguns institutos universitários da região, e em Toulouse todas as entradas da universidade Mirail foram bloqueadas. Foram no total 10 faculdades bloqueadas pela federação universitária UNEF. Em Lyon 2, que tinha sido fechada pela direção da universidade durante a mobilização do 17 de março, desta vez foi bloqueada pelos estudantes. O mesmo cenário se repetiu ao longo do país.

Os trabalhadores em greve se aliam com a juventude

Neste 31 de março, os trabalhadores saíram em massa às ruas. Atrás dos jovens, que vem lutando e mobilizando-se desde o dia 9 de março, o movimento operário entrou em cena nesta quinta-feira demonstrando uma vez mais sua disposição de luta.

Freados até agora pelas direções sindicais, que não chamaram greve durante as mobilizações dos dias 9 e 17 de março, os trabalhadores se uniram à juventude na jornada de “greve inter-profissional”. Assim se concretizou nas ruas a unidade entre trabalhadores e estudantes tão temida pelo governo.

O secretário geral da CGT disse que as mobilizações foram além do planejado. Isso se expressou na força da greve em distintos locais de trabalho, como entre os trabalhadores portuários em Le Havre e Rouen. Estes últimos fizeram sentir sua força bloqueando novamente a cidade a convergindo com a juventude.

No transporte, a greve se mostrou nos trens, ônibus e aviões. O tráfego esteve interrompido e o trânsito em colapso tanto em Paris, como em Lyon, Toulouse e Marsella. A greve também foi forte entre os funcionários públicos, na empresa de eletricidade, os trabalhadores de imprensa, e inclusive a greve chegou à Torre Eiffel, que permaneceu fechada durante o dia todo.

Governo Hollande-Vallss muito debilitado

Enquanto a mobilização contra a lei de trabalho se massifica em todas as frentes, com a juventude e os trabalhadores nas universidades e locais de trabalho, fica evidente a debilidade do governo Hollande-Vallss. Prova disso é o abandono da reforma constitucional que permitia privar a nacionalidade de supostos “terroristas”, e os deslizamentos de encostas que levou sua popularidade à 15%.

Não é tempo de negociar, é preciso impor uma greve por tempo indeterminado

Sem dúvidas, ainda com o governo muito debilitado, que enfrenta uma mobilização nunca vista desde 2010, os dirigentes sindicais mostram que estariam dispostos a negociar. Em um comunicado, as principais centrais sindicais confirmaram sua disponibilidade para reunirem-se com o governo e discutir novas propostas em termos de emprego, salário, pensões, tempo de trabalho, proteção social, negociações coletivas e direitos sindicais. Uma maneira de mostrar que estão abertos à negociação e a voltar uma vez mais ao “diálogo social”.

Em lugar de aproveitar o momento de ebulição e chamar uma greve por tempo indefinido a nível nacional, os sindicatos chamaram uma próxima reunião em 5 de abril, no mesmo dia em que se espera uma nova mobilização de juventude. E quer que se espere até dia 9 para uma nova jornada “oficial” de greve e mobilização.

O governo está em descrédito e poderia entrar em colapso junto à sua lei de trabalho. Segundo confirmou um deputado do Partido Socialista, “nesta etapa já não é possível descartar por completo o cenário de uma queda”. Ao contrário das intenções negociadoras das direções sindicais, a debilidade do governo mostra que não é o momento de negociações, senão de redobrar a luta nas ruas com greves por tempo indeterminado em fábricas e universidades até a derrubada da lei de trabalho.




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