Internacional

REPRESSÃO E ESTADO DE EMERGÊNCIA

França: contra a violência policial, uma frente em defesa dos direitos democráticos

A denúncia de um jovem professor da Sorbonne agredido e ameaçado pela polícia gerou indignação na França e viralisou nas redes. Impunidade policial e “Estado de emergência”.

segunda-feira 26 de setembro de 2016| Edição do dia

Sexta (24/9) pela manhã publicamos em Revolução Permanente o depoimento de um jovem professor agredido pela polícia, ao longo de uma violenta detenção diante da estação de trens de um bairro popular que ocorreu quinta a noite. Este artigo circulou pelas redes sociais, sendo compartilhado 2000 vezes, com centenas de comentários na página do Facebook de nossa web sendo transmitido através do Mediapart e do Liberation. Entre os amigos, os companheiros de trabalho, os leitores de Revolução Permanente, ou os internautas anônimos, ocorreu a mesma reação: indignação. E abaixo do artigo publicado, dezenas de depoimentos de pessoas que relatam suas próprias experiências com a repressão enterradas na “trivialização” tanto do “Estado de emergência” como das violências policiais. Todas estas reações confirmam definitivamente que se deve construir uma frente de luta ampla contra este governo, contra seu estado policial e pela defesa de nossos direitos democráticos.

Por trás dos insultos e da condução não consentida, uma guerra contra as classes populares e os direitos democráticos

Na realidade, se este artigo provocou tanta indignação e viralizou não somente nas redes sociais, mas também no Liberation e no Mediapart, é porque se fez eco de um forte sentimento, em meio a um ambiente mais geral que vimos instalar-se desde os atentados de Charlie Hebdo, que se reforçou depois e que chegou a seu ponto máximo com a repressão a reforma trabalhista.

Um ambiente onde o governo, já amplamente deslegitimado, busca reganhar credibilidade utilizando todo o arsenal jurídico e policial, de que se pode fazer uso o estado francês. Colocada em cena militar, “estamos em guerra”, estado de emergência, posse de armas fora de serviço, denúncia dos “elementos radicalizados” nas escolas, reforço dos efetivos de vigilância diante dos estabelecimentos escolares e das estações de trens... Este ambiente se acelerou novamente este verão, depois do atentado em Niza e da ofensiva racista e sexista contra o burkini.

A França de 2016, é a instrumentalização do medo dos atentados, construindo seu “inimigo interior”, o muçulmano ou assimiliado como tal, o “criador de caso”, o militante sindical combativo ou o jovem de um bairro popular.

Desta forma, com a leitura do depoimento em que os policiais se permitem insultar, ameaçar de morte ou de violação e fazer uma analogia entre os habitantes de um bairro periférico escandalizados por uma detenção violenta e os assassinos de Daesh, já ninguém se surpreende. Já ninguém encontra “razões” para explicar este comportamento dos policiais. Esta razão é a razão do Estado, onde com diziam os próprios policiais aquela noite, há uma guerra que se leva a cabo contra as classes populares, os trabalhadores e os jovens contestadores.

Contra o estado de emergência, contra a impunidade policial, frente unitária de luta

No artigo anterior, analisávamos a situação na França como dramática, mas promissora ao mesmo tempo. Dramática, não há porque não demonstrar. Este outono se desenvolve sob o signo da aplicação da Reforma Trabalhista, do aumento da precariedade e dos assassinatos policias como o de Adam Traoré. Mas promissora, como se demonstrou os 4 meses de mobilização contra a reforma trabalhista, 4 longos meses apesar da forte repressão contra a juventude e o movimento operário.

A repressão se encontra com uma vanguarda que lutou contra o estado de emergência e a restrição das liberdades democráticas. Mas depois de golpear os estudantes mobilizados, encurralar nossas manifestações, deixar impunes aqueles que matam nos bairros, as forças policiais se sentem com as asas crescidas.

No entanto, o escândalo suscitado pelo depoimento do jovem professor de Sorbonne é uma nova prova da indignação que suscita este giro autoritário e liberticida do governo. Em efeito, os depoimentos de solidariedade veem de todas partes: estudantes e professores, militantes de todas partes; inclusive anônimos relatando sua própria experiência com a polícia…

Esta indignação não deve restringir-se a este caso, deve multiplicar-se, por todos os jovens, trabalhadores, professores da Sobornne ou de outros lugares, jovens de bairros populares, militantes sindicalista ou defensores sdas liberdades democráticas. Todos nós fazemos frente contra este Estado policial que prende nossos companheiros e assassina a nossos irmãos e irmãs de classe. Se trata de constituir uma frente de luta unitária ampla para defender nossos direitos democráticos, para reivindicar o fim do estado de emergência, reestabelecer nosso direito a manifestarmos sem ser encurralados, exigir o fim da impunidade policial e da repressão sindical, construir uma frente para que o medo mude de lado.

*Artigo publicado em Rèvolution Permanente em 24-09-2016.




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