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França: com assembleias e mobilização, os estudantes desafiam Macrón

Em Rennes, mais de 3500 estudantes respondem em assembleia e desafiam o presidente francês que havia justificado a repressão a várias universidades chamando os estudantes de “profissionais da desordem” e “agitadores”.

terça-feira 17 de abril| Edição do dia

Nesta segunda-feira milhares de estudantes se reuniram na Assembleia Geral da Universidade de Rennes 2, na Bretanha. A assembleia mostrou uma participação maior de estudantes em relação à última assembleia geral, que ocorreu na terça-feira passada, que reuniu 2600 pessoas.

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O aumento da participação estudantil se dá justamente quando Macrón havia escolhido a maneira mais forte de silenciar seus oponentes, com repressão a várias ocupações e chamando os estudantes de “profissionais da desordem”.

Macrón e seu governo demonstraram seu desprezo, com seus discursos mentirosos, e a pressão que estão buscando impor sobre os estudantes para romper o movimento e evitar a convergência com outros setores em luta. Mas não têm conseguido debilitar a mobilização. O envio da polícia para as faculdades afim de desalojar violentamente os estudantes não conseguiu cumprir seu objetivo. Pelo contrário, as assembleias são massivas, e a assembleia desta segunda-feira na Universidade de Rennes 2 é a prova evidente (e muito alentadora).

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Os estudantes se mobilizam contra o plano de Macrón que visa reformar o ingresso irrestrito ao ensino superior, impondo uma seleção sobre os estudantes que terminam seus estudos no ensino médio.

Mas a luta não se encerra na reivindicação contra a seleção na universidade. Os estudantes se mobilizaram junto aos trabalhadores que lutam contra o ajuste de Macrón, em especial os ferroviários. Não é por acaso que a massiva assembleia de Rennes 2 votou participar de uma reunião intersindical para coordenar as mobilizações com os trabalhadores.

Em Paris, os estudantes da faculdade de Tolbiac, Paris 1, mobilizados contra a seleção organizaram na noite do sábado um festival solidário de apoio aos trabalhadores da ferrovia. Ocupada por quase 3 semanas, Tolbiac viveu uma grande celebração de luta, com discursos dos trabalhadores e estudantes, bem como um concerto. Todo o dinheiro arrecadado durante a noite era para apoiar os trabalhadores em greve.

Essa iniciativa de convergência das lutas, que se soma a muitas reuniões entre trabalhadores da ferrovia e estudantes, que teve lugar nas últimas semanas, mostra que os estudantes parecem ter compreendido que sua luta estava estreitamente veiculada à dos trabalhadores que se enfrentam aos planos de ajuste do governo.

Foto: Assemblée générale - Rennes 2




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