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França: Milhares de estudantes secundaristas e universitários se manifestam contra as reformas de Macron

O dia da luta foi convocado para repudiar uma série de medidas do governo e contra a repressão, especialmente a brutal detenção de 146 estudantes secundaristas em Mantes-la-Jolie.

quinta-feira 13 de dezembro de 2018| Edição do dia

Estudantes secundaristas e universitários franceses se mobilizaram na terça-feira e bloquearam 450 institutos em todo o país, como parte de um novo dia de protestos contra as últimas medidas educacionais anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron.

Algumas das faculdades mais importantes da França foram bloqueadas ou fechadas, como as parisienses de Tolbiac e Sorbonne e a Universidade de Paris-Nanterre.

Dezenas de milhares de estudantes aderiram à chamada para uma "terça-feira negra", que foi classificada por uma das organizações estudantis que a convocou como "o maior protesto desde o início das mobilizações" em 3 de dezembro.

Estudantes secundaristas e universitários convergiram em várias cidades com reivindicações contra o governo e repressão. Os jovens frequentemente se ajoelhavam na rua, com as mãos sobre a cabeça, simulando uma prisão, como sinal de repúdio às prisões de 146 jovens em Mantes-la-Jolie.

Os estudantes pedem a reversão da reforma da prova final do bacharelado e do sistema de acesso à universidade, planejadas para 2021, bem como a supressão do serviço nacional universal que a Macron pretende implementar, além da gratuidade do transporte e do material escolar. Os universitários também pedem a anulação do aumento da taxa de inscrição para estudantes universitários estrangeiros de fora da União Europeia, que vai aumentar cerca de dez vezes a partir do próximo semestre.

Em algumas cidades, os protestos foram reprimidos pela polícia. Em Saint-Ouen (na periferia de Paris), um menino de 17 anos foi ferido por uma bala de borracha. Em um colégio em Nantes (noroeste da França), a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os jovens e, em Saint-Denis (fora de Paris), cerca de trinta manifestantes foram presos.

Em Toulouse houve uma grande manifestação depois de uma assembleia massiva na combativa universidade "Toulouse Le Mirail", onde 3000 estudantes universitários secundaristas participaram na semana passada após a brutal repressão aos estudantes secundaristas.

Os estudantes destacaram a falta de respostas às suas reclamações durante os anúncios feitos pelo presidente Emmanuel Macron na noite de segunda-feira. "Nada sobre os estudantes, os estudantes feridos", disse a conta no Twitter da comuna livre da universidade Tolbiac. "Vamos em frente! Vamos, nos vemos amanhã: você saberá onde nos encontrar" concluiu a mensagem pedindo a mobilização da terça-feira.

Os estudantes se mobilizaram convocam os professores das escolas secundaristas e universidades para se juntarem à greve convocada pela União Nacional de Educação Superior (SNESUP-FSU) na próxima quinta-feira para alcançar uma "convergência de lutas".

Os bloqueios e marchas dos estudantes secundaristas e universitários mostram que o movimento pode ser ampliado e se unir a partir da luta dos coletes amarelos, que já se tornaram um exemplo para toda a França e para o mundo, de como enfrentar as medidas dos governos que beneficiam os ricos.




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