Internacional

França: Manifestações pedem maior orçamento para os hospitais públicos

Os trabalhadores da saúde se mobilizam exigindo melhores salários e maior orçamento especialmente para a saúde pública e sofrem dura repressão em Paris.

terça-feira 16 de junho| Edição do dia

Estão na primeira linha na luta contra a pandemia pelo coronavírus, que tem gerado apoio da maioria da população para o seu trabalho. Uma e outra vez são saudados demagogicamente pelas autoridades que cortaram recursos do sistema de saúde.

Cansados dessa situação e dispostos a lutar pelos seus direitos, milhares de enfermeiros, médicos, maqueiros, ajudantes de lar com o apoio de outros setores de trabalhadores, estudantes e coletes amarelos se mobilizaram nas principais cidades francesas para exigir mais recursos para os hospitais públicos e mais amplamente para todo o sistema de saúde.

A manifestação foi convocada por uma dezena de sindicatos e coletivos de trabalhadores de saúde, com mais de 220 manifestações em toda a França.

Em Paris, se concentraram hoje em frente ao Ministério da Saúde. “Há meses os trabalhadores da saúde fazem greve estão se mobilizando, e ainda não temos uma resposta concreta do governo. Temos saudado eles das janelas e das sacadas por dois meses. Inclusive o presidente da República disse que tinha que fazer algo para a Saúde e os trabalhadores da saúde. E até hoje não faz nada, parece que esqueceu suas palavras nos últimos dois meses, por isso as pessoas estão na rua”, afirmou Philippe Martínez, representante da CGT.

“Não se alimenta com aplausos, nem com palavras bonitas. Come se e se vive bem no trabalho com um salário bom, mais trabalhadores e mais material” dizem os manifestantes, uma mensagem direta para o governo francês.

Várias assembleias convocadas a partir do dia 11 de maio, o dia do desconfinamento na França, decidiram por essa mobilização nacional em 200 cidades em todo o país. “A crie do COVID 19 demonstrou (caso alguns ainda não estivessem convencidos) o lugar essencial dos hospitais públicos e a necessidade absoluta de ter uma grande quantidade de trabalhadores e insumos materiais para satisfazer as necessidades da população”, explica o coletivo interhospitalar.

“É necessário parar de fechar leitos e hospitais porque a saúde precisa estar próxima às casas das pessoas. O governo deu muitos bilhões para empresas privadas, pode fazer o mesmo ou mais para a saúde pública”, adicionou.

A mobilização é levada adiante enquanto o governo prepara seu "Ségur de la Salud" (chamado assim por uma das avenidas em torno do Ministério da Saúde), um plano que deve ser concluído no começo de julho e que supostamente levaria a um “investimento massivo e de melhora” prometida pelo presidente Emmanuel Macron.

A realidade é que o plano do governo é pouco claro e até o momento não passou de anúncios, inclusive em meio à pandemia, como mostra a falta de resposta oficial oficial à reivindicação dos trabalhadores da saúde, hoje a polícia reprimiu a manifestação em Paris com bombas de gás lacrimogênio.

A manifestação dos que estão na primeira linha salvando vidas e tem sofrido a irresponsabilidade criminosa do governo e as reformas contra os serviços públicos. Essas manifestações acontecem no contexto do movimento que ganha forma contra o racismo e a violência policial. A possibilidade de confluência desses setores voltaria a mostrar a força para enfrentar as tentativas de ajustes do governo.

Publicado originalmente no La Izquierda Diario




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