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França: "Demasiado pouco, Demasiado tarde": os anúncios da Macron não acalmam os protestos dos Coletes Amarelos

As respostas às medidas anunciadas por Macron, que são mentirosas e insuficientes, não demoraram a chegar. "Muito pouco" responderam os "Coletes Amarelos" e mantiveram os protestos.

quarta-feira 12 de dezembro de 2018| Edição do dia

Na noite de segunda-feira, o presidente Emmanuel Macron se dirigiu aos franceses. Com a crise aberta pelos imensos protestos que abalam seu governo, o presidente fez um discurso de treze minutos em que anunciou, entre outras medidas, que o salário mínimo subiria cem euros, o que reduziria os impostos de trabalhadores aposentados que ganham menos de dois mil euros por mês, entre outras medidas.

O discurso tentou extinguir o fogo que acendeu com o movimento dos "Coletes Amarelos" decretando um "estado de emergência econômica e social", reconhecendo a crise em que o Estado francês está submerso e, pelo conteúdo das medidas anunciadas , que o protesto que leva mais de quatro semanas vai além do aumento de combustível e expressam a raiva pela precarização da vida sofrida por milhões de franceses.

Depois de uma operação policial gigantesca, acompanhada por uma campanha que buscava impor o medo, não conseguiu evitar uma mobilização maciça dos "Coletes Amarelos" com estudantes e setores de trabalhadores no sábado, 8, Macron tentou então desarmar os protestos com mais algumas concessões.

O anúncio mais contundente foi o suposto aumento de 100 euros no salário mínimo, uma espécie de adiantamento de uma promessa de subsídio estatal que Macron já tinha em mãos e que cobre aumentos já acordados em 2019. O presidente esclareceu que esse aumento não implicará custos para os empregadores, mas será subsidiado com os impostos pagos pelos próprios trabalhadores. Ele também pediu aos empregadores "que podem" dar a seus empregados um bônus no final do ano que também estará isento de impostos, embora o "que possam" deixam claro que não há obrigação dos empregadores de pagar esse bônus.

Outro anúncio foi destinado aos aposentados que ganham menos de 2.000 euros por mês, que verão anulado o aumento da contribuição social generalizada (CSG), benefício que será absorvido pela inflação.

Concessões que não conseguem acalmar a raiva

Os anúncios não foram suficientes para alcançar o desejo do presidente. "Demasiado pouco, demasiado tarde", respondeu Eric Drouet, um dos líderes dos Coletes Amarelos depois de ouvir o presidente.

"Ele ignorou a maioria das reivindicações" apresentadas pela delegação do movimento que se reuniu na sexta-feira com representantes do governo, disse Benjamin Cauchy, outro porta-voz coletes amarelos, neste caso, do setor mais moderado.

Mesmo o líder da CGT francesa, Philippe Martinez, criticou anúncios dizendo que Macron "não entendia nada e não querem entender a raiva expressa maciçamente por três semanas no país" e considerou "insignificantes" as medidas anunciadas. A declaração de Martinez chamou a atenção porque o líder sindical participou, junto com empresários e membros do parlamento, em uma reunião na segunda-feira chamada pelo governo para tentar recuperar o controle da situação de crise social e política que quebrou todo o poder estatal. O papel das direções sindicais tem sido fundamental para o governo: eles não têm chamado para uma greve, nem para que sindicatos entrem em convergência com as mobilizações dos Coletes Amarelos.

Vários líderes do setor empresarial apareceram na televisão para apoiar, ainda que moderadamente, os anúncios de chefe de Estado.

As primeiras pesquisas mostram que o apoio aos protestos é mantido

As primeiras pesquisas realizadas após o discurso presidencial evidenciam que o apoio aos protestos dos coletes amarelos continua.

Segundo a pesquisa do grupo Opinion Way, para o site de notícias LCI, o apoio aos "Coletes Amarelos" continua sendo majoritário, com 66% ante 34%. Outra pesquisa, neste caso realizada por Odoxa para o jornal Le Figaro, revela que o chefe do Estado não seduziu seis em cada dez cidadãos e 54% dos franceses acreditam que os protestos dos "Coletes Amarelos" deveriam continuar.

Enquanto os meios de comunicação franceses tentar enfatizar que algumas das medidas anunciadas foram bem recebidas pelos entrevistados, em uma missão para tentar mostrar o resultado benéfico do discurso presidencial, as pesquisas mais positivas continuam a mostrar que 59% dos franceses destacam que Macron não foi “convincente”.

O quinto dia de protestos no horizonte

As reações às concessões feitas por Macron mostram que a solução para a crise aberta pelos protestos dos Coletes Amarelos, ainda não está próxima.

O presidente francês está tentando dividir ou acabar com a força movimento de protesto, enquanto procura manter seu plano neoliberal à tona e não recuar das reformas que ele impôs. Na verdade, não mencionou mudanças na suspensão que implemento no imposto sobre a fortuna (ISF), mantendo esse benefício para os ricos.

Os referentes dos "Coletes Amarelos" mantêm o chamado para um novo dia de protesto para o próximo sábado. Na sexta-feira, 14 de dezembro, haverá um dia de luta convocado pela CGT. Se esse dia não foi transformado em um ataque contra Macron para expressar raiva contra o governo, é da responsabilidade da liderança sindical que continua a evitar a confluência dos protestos, o que encurralaria o governo ainda mais.

Nesta terça-feira, milhares de estudantes estavam se mobilizando nas principais cidades do país contra as medidas que Macron pretende impor para restringir o acesso à universidade. Um sinal de que os protestos dos "Coletes Amarelos" reviveram as manifestações de setores que já haviam enfrentado o governo.

Macron demonstrou, com sua recusa em tocar a ISF, que a "linha vermelha", que o governo não passará, está afetando os lucros dos empreendedores. O movimento dos coletes amarelos, que surgiram como protesto contra o aumento dos impostos sobre o combustível, abriu uma luta mais profunda contra as desigualdades que afetam cada vez mais os trabalhadores franceses.




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