Internacional

SUPLEMENTO DA FT-QI

França: Courant Communiste Révolutionnaire (CCR)

quinta-feira 16 de maio| Edição do dia

Em uma França atravessada por grandes feitos da luta de classes, como tem sido nesses últimos anos, o movimento contra a reforma trabalhista que deu lugar a uma forte resistência operária e a fenômenos como Nuit Debout, ou mais recentemente pelo dos coletes amarelos, a Corrente Comunista Revolucionária (CCR) constrói há anos uma tendência do Novo Partido Anticapitalista (NPA) de Olivier Besancenot.

Com por volta de 120 militantes hoje em dia, a CCR, que desde os primórdios do NPA, batalha abertamente contra o projeto de partidos amplos e sem delimitação estratégica (por isso não votou pelos princípios fundadores do partido) e pela perspectiva de um partido leninista de combate, é hoje uma das principais (senão a principal) correntes da esquerda do NPA. No último Congresso de fevereiro de 2018 obteve quase 11% dos votos como Plataforma Z e nessa proporção está representada nos organismos de direção do partido (CPN e CE).
 
Esse avanço se deu através de uma forte intervenção na luta de classes, com um papel dirigente em conflitos exemplares como a greve dos terceirizados da limpeza das ferrovias da empresa Onet, no norte de Paris, o processo de coordenação e organização da vanguarda na greve contra a reforma ferroviária de 2018. Nesse conflito, militantes operários da CCR encabeçaram a criação dos encontros inter-estações durante a greve contra a política desmobilizadora da Intersindical, que levou à derrota, e que mais tarde deu lugar à criação de um coletivo com mesmo nome. Nesse processo, um jovem companheiro ferroviário de origem marroquina, Anasse, integrado há pouco tempo nas fileiras da CCR, emergiu como a principal figura da greve e se fez bastante conhecido, em particular pelas suas intervenções na mídia que continuam até hoje. Junto a esse processo, nossos camaradas estudantes cumpriram um papel decisivo na ocupação das universidades de Tolbiac, em Paris, e de El Mirail em Toulouse, contra a política de seleção encoberta de Macron.


Anasse Kazib, trabalhador ferroviário, delegado da SUD Rail, e militante da CCR em um debate televisivo sobre os Coletes Amarelos.
 
Foi esse acumulo prévio que permitiu à CCR cumprir um papel frente à emergência do movimento coletes amarelos a partir de novembro de 2018. No marco de que a ampla maioria dos sindicatos e da esquerda encaravam com desconfiança, ou com hostilidade inclusive, esse novo movimento, a CCR chamou, junto a setores do movimento contra a violência policial (em particular o comitê organizado pela família de Adama Traoré, um jovem assassinado por policiais em 2016) a construir um polo solidário às reivindicações dos coletes amarelos, mas ao mesmo tempo determinados a disputar a consciência desse movimento com setores da extrema-direita que tentavam capitalizar os atos. Esse polo chegou a reunir mais de 5 mil pessoas nas manifestações e organizou assembleias com várias centenas de participantes no momento auge da rebelião em dezembro.


 
Frente à atitude traidora das direções sindicais, que deram as costas a um movimento majoritariamente composto por trabalhadores pobres e com reivindicações em geral progressivas, os militantes da CCR tomaram a iniciativa de uma petição interna à CGT que juntou mais de 100 assinaturas de sindicalistas para exigir uma mudança de atitude da confederação. Ao mesmo tempo, impulsionaram medidas concretas de convergência, como em Toulouse, onde a partir do movimento dos coletes amarelos, propuseram marchar até o local dos sindicatos para discutir um plano comum, ação que deu lugar a uma reunião comum com várias centenas de coletes amarelos e sindicalistas combativos. 

Nesse processo, o diário digital Révolution Permanente, que é parte da rede internacional de diários Esquerda Diário, deu um verdadeiro salto, confirmando seu lugar de principal imprensa da esquerda e da vanguarda combativa. Com uma média mensal de 1,5 milhão de acessos desde que se iniciou o ascenso, em 17/11, e um recorde mensal de mais de 2 milhões de acessos, Révolution Permanente superou no pico do movimento a audiência de periódicos históricos como L’Humanité ligado ao Partido Comunista Francês. Vem se impondo como uma referência inquestionável inclusive para alguns meios burgueses, como demonstrou recentemente quando tiveram que aceitar a autenticidade da carta da filha da primeira vítima fatal da ação policial no movimento dos coletes amarelos, publicada com exclusividade pelo Révolution Permanente. Atualmente, Révolution Permanente faz campanha pelos candidatos de Lutte Ouvrière, a única lista classista e de esquerda das eleições européias, e contribui dando-lhes visibilidade, sobretudo nas redes sociais.

No último período foi lançado na França o coletivo Du Pain et des Roses (Pão e Rosas), parte da corrente internacional Pão e Rosas, no marco do exitoso giro de Andrea D’Atri pela Europa, que somente na França reuniu mais de 800 pessoas em diferentes atividades. Além disso, realizamos um ato com a presença de vários coletes amarelos mutilados, na importante sala La Generale de Paris, que reuniu 300 pessoas.

Junto com o diário digital, Révolution Permanente lançou esse ano uma edição teórico/política quinzenal aos domingos, cujo último dossiê está dedicado ao ascenso revolucionário das massas argelinas. Para julho, a CCR está organizando uma escola de verão em comum com outros grupos da FT-QI da Europa, para o qual espera-se a participação de cerca de 300 jovens e trabalhadores de diferentes países.




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