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França: A traição das direções sindicais que respondem ao chamado de Macron para “manter a ordem”

Nesta segunda-feira as cúpulas sindicais se reuniram com Macron sob o lema “é necessário diálogo social” frente às manifestações dos coletes amarelos que sacodem todo o país. Nem a brutalidade policial, nem as ameaças do governo contra os manifestantes parecem ter incomodado os dirigentes sindicais, que mais uma vez, é a que garante a “paz social”.

terça-feira 11 de dezembro de 2018| Edição do dia

Macron precisou apenas de um dia para disciplinar as direções sindicais, que foram recebidas junto com as patronais e os presidentes da câmaras parlamentárias e de outras instituições para falar sobre medidas que possam acalmar as manifestações dos “coletes amarelos”.

É assim que Philippe Martinez, líder da CGT e Laurent Berger, da CFDT (Confederação Francesa de Trabalhadores) responderam o chamado de Macron para manter a ordem. A famosa “paz social”, como a chamam, que as direções sindicais conhecem bem. Sem mais, dão definitivamente as costas à raiva social que explodiu há mais de um mês na França contra as condições e vida cada vez mais precárias às quais o governo da República submete os trabalhadores e trabalhadoras.

Assim como os “gilets jaunes” não responderam os “cantos de sereia” de Macron, as centrais sindicais não hesitaram nem um minuto para trair a raiva que se expressa nas ruas, para qual a subida dos combustíveis só foi a gota que transbordou o vaso.
O “diálogo social” que oferece o Elíseo não é mais que a negociação de regressão social, do abandono das ruas que dificilmente poderá ser conquistado com a suspensão, apenas temporária, da subida dos combustíveis.

Numa tentativa de disfarçar a traição, a CGT, a segunda central do país, “advertiu” em um comunicado que, ainda que Martínez tenha comparecido à reunião nesta manhã no Palácio do Governo, “se nega a servir de álibi para pronunciamentos presidenciais que neguem mais uma vez as preocupações dos cidadãos”. Cuidado, para que ninguém se confunda.

Mas não só a CGT e a CFDT, mas também a FO, a CFE-CGC, a CFTC, l’UNAS e a FSU foram dar as mãos à Macron que tinha algumas migalhas para dividir. Apenas uma organização, Solidaires, se recusou a assinar um escandaloso comunicado das direções sindicais no qual, apenas retoricamente, reconhecem como legítima a raiva dos coletes amarelos contra as desigualdades sociais e territoriais que existem no país. E, incrivelmente, pedem “diálogo” do governo que apenas no último sábado prendeu 1400 pessoas, feriu dezenas em uma selvagem repressão. Mas no comunicado não bradaram nem uma única palavra denunciando a violência policial, mas tiveram tempo de repudiar a violência nas demandas. Um dos dirigentes bradou sem em corar: “Não é mais o momento da oposição política." De qual momento se trata então?

As ameaças contra os manifestantes realizadas pelo governo que já não tem nenhuma legitimidade e cuja popularidade não deixa de cais dia após dias, parece não ter incomodado as direções sindicais.

Uma atitude criminal das direções sindicais

Frente à selvagem repressão do sábado 1º de dezembro, as afirmações de Macron negando-se a ceder, nem sobre o reestabelecimento do imposto sob fortuna, o aumento do salário mínimo ainda irrisório, entre outras questões, é simplesmente criminal a atitude das direções sindicais como garantidoras da ordem social. Inclusive as imagens da violência policial contra estudantes secundaristas que viralizaram nas redes sociais na semana passada parecem não ter incomodado os dirigentes sindicais.

No entanto, as bases dos sindicatos estão cada vez mais afastadas das posições conciliadoras de suas direções. “Se cortam das bases”, “é catastrófico em um momento tão mobilizado”, “são inconscientes”, expressam os militantes da CGT nas redes sociais, que querem “romper” com o vergonhoso comunicado assinado pelos seus dirigentes.

Frente a esta política criminal das direções, os trabalhadores devem se somar à luta, desobedecendo as cúpulas e se manifestando nas ruas junto aos coletes amarelos, parando a economia através de uma greve geral, reivindicando o aumento do salário, a eliminação da lei do trabalho imposta por Macron, o aumento das aposentadorias, unindo-se aos “gilets jaunes” para derrubar Macron e seu mundo.




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