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Rumo ao 8M | Fortes atos de rua para derrotar Bolsonaro, Mourão e Damares, pela revogação da reforma trabalhista e pelo direito ao aborto

Nós do Pão e Rosas, fazemos um chamado rumo ao 8 de março, dia internacional de luta das mulheres cuja história remete à organização das mulheres contra o sistema capitalista, às mulheres que dirigem o transporte que nos leva pra casa, as que dão o troco na bilheteria, as que mantém limpos nossos trens, as que recebem nossas crianças na escola, as que debatem criticamente com nossos adolescentes, as que garantem a limpeza da escola, da universidade, das ruas da cidade. Às mulheres que constroem, limpam e operam as grandes máquinas, as que produzem nossos alimentos, as que cozinham para a família e que limpam os lares. As que estudam para ter uma profissão melhor. As que vendem sua força de trabalho e se deslocam todos os dias para limpar a casa de patroas.

Pão e Rosas@Pao_e_Rosas

sábado 12 de fevereiro | Edição do dia

Declaração nacional do grupo de mulheres Pão e Rosas rumo ao 8 de março de 2022

Enquanto o movimento de mulheres começa a se reunir para debater a organização do 8M de 2022, uma aluna trans é agredida brutalmente dentro de uma escola pública por seus colegas. As cenas que chocam pela brutalidade são a expressão de um país governado pela extrema direita de Bolsonaro e Damares Alves. A manifestação da transfobia enraizada em nosso país, que carrega o título de país que mais mata transexuais do mundo, é alentada por todo o regime político brasileiro, degradado com o golpe institucional de 2016 e alimentado por todo o congresso nacional e o judiciário autoritário de nosso país.

É no Brasil das reformas estruturais contra a população, que vimos Moise ser assassinado depois de cobrar a remuneração por dois dias de trabalho. Moise foi vítima da Reforma Trabalhista e da violência racista perpetuada por esse Estado, constituído às custas de sangue e suor negro. A luta por justiça à Moise é a luta que precisamos travar junto a cada mãe que perdeu seu filho pelas mãos da polícia mais assassina do mundo, é a luta que temos travado há quatro anos por justiça à Marielle Franco, ao lado de Mirtes por justiça para o menino Miguel e tantos outros exemplos chocantes, que escancaram como essa sociedade capitalista sustentada, entre outros pilares pelo machismo e pelo racismo, não vai oferecer outro destino para nós e nossos filhos, assim como para o conjunto da nossa classe.

No Brasil de Bolsonaro, Mourão e Damares Alves (para não mencionar toda a corja misógina e racista que compõe esse governo), as mulheres trabalhadoras ocupam as filas do osso, vêem seus filhos entre o absurdo índice de 70% das crianças sem garantia das principais refeições diárias, além da precarização do trabalho, da terceirização e da uberização, e estão entre a enorme massa de pessoas que foram morar na rua durante esses 2 anos de pandemia. As indígenas vêem suas terras incendiadas pelo agronegócio que dá as bases de sustentação desse governos. As mulheres negras que chegam a receber 60% a menos que homens brancos, são obrigadas todos os dias a se despedir de suas crianças, mortas pela polícia racista.

Essa mesma direita que se diz defensora da “família tradicional brasileira”, ri sobre os corpos e o sangue de crianças negras mortas pela sua cor e pelo seu endereço. Essa escória amante da ditadura militar acha graça na luta por justiça por nossos mortos e diz que é “defensora da vida” para nos impedir de lutar pela separação da igreja e do estado e pelo direito ao aborto legal - mesmo nos casos em que ele é permitido pelas leis restritivas e patriarcais do Brasil. Enquanto nos lançam ataques econômicos de um lado, utilizam a pauta do aborto para tentar aprisionar mais ainda nossos corpos.

Junto a esses setores reacionários, estão os nomes que se propõem como "terceira via" para as eleições presidenciais, como Sergio Moro. O ex-juiz lavajatista e pré-candidato do Podemos à presidência, lançou a "Carta de princípios aos Cristãos", em Fortaleza, com o intuito de dialogar com o eleitorado evangélico e disputar a base conservadora Bolsonarista. Na carta, diz que vai defender "a não ampliação da legislação em relação ao aborto e faremos a defesa da preservação da vida humana em todas as suas manifestações, conforme lei brasileira em vigor", em um nítido ataque.

Nós do Pão e Rosas, fazemos um chamado rumo ao 8 de março, dia internacional de luta das mulheres cuja história remete à organização das mulheres contra o sistema capitalista, às mulheres que dirigem o transporte que nos leva pra casa, as que dão o troco na bilheteria, as que mantém limpos nossos trens, as que recebem nossas crianças na escola, as que debatem criticamente com nossos adolescentes, as que garantem a limpeza da escola, da universidade, das ruas da cidade. Às mulheres que constroem, limpam e operam as grandes máquinas, as que produzem nossos alimentos, as que cozinham para a família e que limpam os lares. As que estudam para ter uma profissão melhor. As que vendem sua força de trabalho e se deslocam todos os dias para limpar a casa de patroas.

A todas essas mulheres, chamamos a fazer do 8M um dia de luta da nossa classe trabalhadora, uma maioria feminina e negra, se enfrentando contra Bolsonaro, Mourão e Damares, contra as reformas e ataques e pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

Frente a um cenário catastrófico de fome e miséria generalizadas no país, vimos uma reunião de figuras e parlamentares mulheres com a presença de liberais e burguesas que lançaram um documento chamado “Carta Aberta Brasil Mulheres Juntas Pela Democracia”. Assinam inclusive nomes reconhecidos do movimento de mulheres como Preta Ferreira e Anielle Franco; da intelectualidade como Djamila Ribeiro, Bianca Santana e Lilian Schwarz, entre outras; Gleisi Hoffman, do PT, que antes já sentou com os golpistas, dessa vez esteve com Carmem Lúcia, ministra do STF, instituição que foi llinha de frente da articulação das Reformas e de ataques às mulheres e do conjunto da classe trabalhadora, da Lava Jato e do consequente golpe institucional que nos trouxe até o Brasil do bolsonarismo. Outra golpista presente na reunião foi Marta Suplicy, que inclusive compunha a mesa do Encontro, que também contou com a presença de um dos votos favoráveis à Reforma da Previdência, Tábata Amaral. Essa carta que supostamente defende a democracia e a igualdade de gênero, é na verdade uma tentativa de tornar feminino o programa liberal de ataques e privatizações contra a nossa classe para 2022. A carta tem objetivo único tirar Bolsonaro da presidência, preservando todo o regime do golpe e se conciliando com a direita para isso, inclusive com aqueles que articularam a saída de Dilma da presidência.

A operação de alianças com a direita repete no movimento de mulheres um caminho que percorre o PT na preparação para as eleições nacionais, buscando negociar a construção de uma chapa Lula-Alckmin e escancarando que vem aí uma reatualização do programa de conciliação de classes que o PT ofereceu às mulheres durante seus quase 14 anos de governo, sem tocar em nenhuma pauta central do movimento de mulheres, como a legalização do aborto. O problema é que para garantir que a extrema direita seja de fato execrada é preciso uma estratégia que unifique as mulheres trabalhadoras com todos os setores oprimidos e com o conjunto de nossa classe, já que nossas demandas não podem ser negociadas com aqueles que estão juntos para nos atacar.

A lógica que percorre as negociações para a presidência, os encontros de cúpulas com o feminismo liberal,respingam na forma como se constrói um 8M com um mote “Bolsonaro nunca mais” que ignora qualquer denúncia às reformas e qualquer combate à pauta conservadora de Damares Alves, querendo substituir o presidente, mas preservando os ataques. A Marcha Mundial de Mulheres (PT-CUT) que é uma das direções do movimento de mulheres, presente em diversos sindicatos do país, não vê problema em articular o 8M como mais um palanque eleitoral dessa unidade da conciliação com a direita, na qual as demandas mais sentidas pelas trabalhadoras são impossíveis de existir.

Como viemos dizendo ao longo dos últimos anos: nossas demandas só serão resolvidas com milhares pelas ruas. Os ataques aos nossos direitos que hoje são constantes com o bolsonarismo, começaram nos anos de governos petistas, que durante 14 anos não legalizou o aborto e fez acordo com as cúpulas das igrejas, abriu espaço para a extrema direita, contribuiu com o imperialismo enviando tropas brasileiras ao Haiti e ao Congo, e segue rifando nossas pautas em busca de um país “pacificado” - sem luta de classes, sem greves, sem paralisações, sem 8 de março combativo - para não atrapalhar as eleições.

Esse é o combate que nós do Pão e Rosas temos dado em todas as reuniões do 8M em diversos estados do país, por uma saída independente das mulheres em aliança com o conjunto dos trabalhadores. Lutamos para que as direções do movimento de mulheres e também as direções das grandes centrais sindicais do país como a CUT e a CTB rompam com a paralisia e pacificação, expressando a enorme força das mulheres que tem sido vanguarda em todo o mundo nos últimos anos, mostrando o motor para lutar para que os capitalistas paguem pela crise, o que só é possível ao se romper com a lógica de divisão entre as lutas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos. Nós que compomos o Polo Socialista e Revolucionário, fazemos um chamado também às ativistas, organizações e correntes que se colocam à esquerda do PT, como o Movimento Mulheres em Luta a CSP-Conlutas e o PSTU, assim como a CST, a conformar blocos classistas e revolucionários nesse 8M, contra Bolsonaro, Mourão e Damares, pela revogação da reforma trabalhista e pelo direito ao aborto.’

É com essa perspectiva, retomando os exemplos de luta das mulheres internacionalmente, como a Maré Verde, as trabalhadoras da saúde de Neuquén na Argentina, as operárias de Mianmar contra o golpe militar, e as greves internacionais de mulheres de 2017, que temos a convicção de que as mulheres podem ser vanguarda da classe trabalhadora na luta de classes, junto aos estudantes, o conjunto dos setores oprimidos e do povo pobre, por uma sociedade sem machismo, sem LGBTfobia, sem violência de gênero e feminicídio e sem exploração, contra o capitalismo.

Convidamos todas, todos e todes, inclusive os companheiros que devem estar ombro a ombro conosco nesta dia e contra o machismo e o capitalismo, a marchar com o Pão e Rosas no 8 de Março. Assim como a conhecer e colaborar para o lançamento do livro das Edições Iskra "Nós mulheres, o proletariado", de Josefina Martinez, do Estado Espanhol, com prefácio de Diana Assunção e Letícia Parks, que sintetiza a história viva da luta das mulheres contra o patriarcado e o capitalismo recente.

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