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PETROBRÁS

Forte adesão à greve dos trabalhadores da refinaria de Betim-MG

Hoje já se completam três dias da greve nacional dos petroleiros e o Esquerda Diário juntamente com militantes da juventude faísca esteve no piquete em Betim na Refinaria Gabriel Passos (Regap) para acompanhar e prestar apoio e solidariedade à greve.

terça-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

Os trabalhadores disseram que a gota d’água para o início da greve foi o anúncio da demissão de mais de mil trabalhadores da fábrica de fertilizantes do Paraná (Fafen), que está para ser fechada, mas que a mobilização é contra todo o quadro de avanço no processo de privatização da Petrobras.

A absurda demissão, num momento de grande desemprego em todo o país, já está com data marcada para 14 de fevereiro.

Os petroleiros de Betim afirmaram que estão parando o trabalho também por serem contrários aos ataques que a categoria vem sofrendo ao longo de anos, mesmo ainda no governo do PT, e que vem se agravando no governo Bolsonaro, como as condições precárias de trabalho, da falta de segurança e mudanças na jornada de trabalho.

Há uma adesão muito grande à greve, com cerca de 90% dos trabalhadores paralisados e, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), informação divulgada na tarde de ontem, a mobilização já acontece em 10 estados do país. Ao todo, são 12 unidades de refino (refinarias e fábricas), uma termelétrica e quatro terminais paralisados. Mais de 20 plataformas marítimas também estão seguindo orientações da greve.

Com a grande adesão, a empresa manteve alguns trabalhadores em cárcere privado. Isso acontece, pois os trabalhadores que estavam no posto são coagidos pela empresa a permanecerem trabalhando na medida em que a greve faz com que não tenha trabalhadores para lhes render. A empresa tem o direito legal de alegar insubordinação ou abandono, gerando várias formas de repressão aos funcionários como suspensões e processos, no mínimo. Como consequência da greve, empresa se viu obrigada a colocar funcionários da administração para ocupar os postos e continuar funcionando.

Mais uma vez, não existe orientação oficial do sindicato aos grevistas de dentro da empresa que não seja aguardar rendição dos "Fura Greve" ou aguardar Oficial de Justiça. Ainda existem trabalhadores sendo mantidos em cárcere privado desde o início da greve, mas na manhã de hoje os trabalhadores tiveram uma vitória e conseguiram liberar seis dos oito trabalhadores que já estavam a 70 horas trabalhando.

O piquete de greve nesta manhã em Betim contava também com o apoio de movimentos sociais. Os petroleiros se mostraram bastante motivados a manter a greve e vem dizendo que é a maior adesão desde a greve de 1995, com muitos trabalhadores tendo lembrado esse momento de luta contra as privatizações.

Diversos trabalhadores citaram o que vem ocorrendo na França, em que os trabalhadores franceses, cada vez mais africanos, árabes, de origem imigrante, vem sendo exemplo internacional para nossa classe, com uma forte greve em todo o território nacional contra a reforma da previdência. Neste país, os trabalhadores do transporte estão à frente do processo, tendo os petroleiros também aderido a diversos dias de paralisação e mobilização, em que a base de trabalhadores está superando suas direções e exigindo uma luta não para negociar com o presidente Macron, e sim pela retirada completa da reforma.

A já histórica greve na França vem sendo negligenciada pela mídia tradicional brasileira da mesma forma como não estão cobrindo a greve dos petroleiros no Brasil, para que não se saiba que há uma forte resistência nacional e internacional com os avanços neoliberais sobre os direitos dos trabalhadores.

O Esquerda Diário tem como objetivo contribuir para fortalecer a luta dos trabalhadores e vem fazendo uma grande cobertura de ambas as greves, na medida de seu alcance como mídia independente e militante.

Saiba mais sobre a greve dos petroleiros em todo o Brasil: (http://www.esquerdadiario.com.br/Greve-da-Petrobras)

Saiba mais sobre a greve geral na França: http://www.esquerdadiario.com.br/Greve-Geral-na-Franca

A mobilização dos petroleiros brasileiros visa que nenhuma família seja colocada na rua pelo avanço na tentativa de privatização da Petrobrás pelo governo Bolsonaro, defendendo os postos de trabalho dos terceirizados, que são maioria dos que estão sendo demitidos no Paraná.

Veja a entrevista com um trabalhador da Regap falando sobre a greve:

Juventude Faísca declara seu apoio aos petroleiros direto do piquete de greve em Betim, na refinaria Gabriel Passos:

Acreditamos que os estudantes e o movimento estudantil devem estar lado a lado dos trabalhadores em luta, ligando a batalha em defesa da educação e serviço público à luta contra as privatizações de Bolsonaro e Zema.

Contribua e fortaleça uma mídia dos e para os trabalhadores: Construa conosco o Esquerda Diário!




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