Política

FOLHA DE SÃO PAULO

Folha demite repórter a pedido de Danilo Gentili, jornal da “ditabranda” adota auto-censura

Repórter criticou o filme de Gentili e depois de campanha nas redes sociais do reacionário apresentador do SBT foi demitido pelo jornal da família Frias. Depois de cunhar o termo "ditabranda" para falar da Ditadura Militar a Folha de São Paulo indica a auto-censura quando for tratar da abjeta direita brasileira.

domingo 15 de outubro| Edição do dia

Foto: Facebook de Danilo Gentili, diante da FIESP em protesto pelo impeachment, com camiseta em inglês dizendo "Mate um Comunista para a Mamãe"

Diversos meios de comunicação noticiariam que o repórter Diego Bragas foi demitido pela Folha de São Paulo depois de questionar o direitista midiático Danilo Gentili em entrevista sobre o filme “Como ser o pior aluno da Escola”. O filme, dirigido por Fabrício Bittar, ensina como praticar bullying e ainda tem piadas sobre pedofilia.

O repórter da Folha fez matéria crítica ao filme (ela pode ser lida aqui) e dias depois foi demitido pela empresa da família Frias atendendo à pressão do “comediante”. Gentili fez diversos posts em suas redes sociais chamando seus seguidores a perseguirem o repórter. A Folha, cunhadora do termo “ditabranda” para tratar do assassino e torturador regime empresarial-militar no país, atendeu prontamente ao chamado do apresentador do SBT.

O repórter demitido postou nas redes sociais o relato do que contou ser “o dia mais bizarro de sua vida”. Na postagem ele relata “Danilo Gentili me esmagou como uma barata, só porque ele pode, só porque eu ousei o desafiar. Sou uma pessoa comum, um típico brasileiro pagador de boletos. Sou só mais um. É surreal que eu tenha virado alvo de um cara desse tamanho. No jornalismo atual fala-se muito sobre fake news. Vamos aos fatos: fui considerado um “militante do PT”, quase um guerrilheiro, um subversivo. Não sou nada disso. Usaram contra mim cinco postagens no Facebook, todas pequenas frases favoráveis ao Lula, Dilma e Haddad. Ridículas, irrelevantes. Nenhuma defesa de ideias, nenhum texto político, nenhuma discussão, nada. Frases. Mas alguém disse que era posicionamento politico e militante, e daí virou verdade. Até o MBL acreditou, imagine”.

Gentili, na contramão da tradição do humor que teria como máxima aquela adotada por Gil Vicente e outros precursores no gênero em nossa língua que dizia “rindo se mudam os costumes”, faz humor para reforçar o machismo, o racismo e a homofobia. O “comediante” já foi condenado por injúrias a repórter, já foi acusado de racismo em piada sobre senadora nordestina e ainda reagiu a intimação judicial interposta pela deputada Maria do Rosária, rasgando-a e enfiando em seus genitais, para depois enviar por sedex para a deputada e ainda afirmando em vídeo "sinta o cheiro do meu saco e abra a bunda e enfie bem no meio dela".

Um dos divulgadores do filme de Gentili é Ratinho, outro funcionário da hiper machista emissora (que está sofrendo processo por constangimento de Maísa). O reacionário apresentador de TV divulgou o filme de Gentili e ele que já agrediu uma mulher ao vivo em seu programa deve ter se deliciado com as “piadas”.

Veja video de Ratinho agredindo ao vivo uma mulher:

O movimento da Folha de censurar a crítica repete o que foi feito pelo Santander depois das críticas de Bolsonaro e do MBL ao Queermuseu e mostra como essa que é uma das maiores mídias do país tem motivos ideológicos e comerciais de sobra para ficar bem na política (e nos “ads”) com o que há de mais de decrépito.




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