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Combustíveis | Folha de SP defende mega-aumento dos combustíveis de Bolsonaro. Redução dos preços já!

Diante do mega-aumento dos preços dos combustíveis anunciada pela Petrobras, nas mãos dos militares e de Bolsonaro, o jornal a Folha de São Paulo defende em seus editoriais esse ataque, assim como já defendeu privatizações e o Teto de Gastos. É urgente lutar pela redução imediata dos preços e por uma Petrobras 100% estatal, sob gestão operária e controle popular.

terça-feira 15 de março | Edição do dia

Se já estávamos com mais de 10% de inflação, pagando por preços nos mercados e o povo pobre nas filas do osso e do lixo, o aumento tende a impactar ainda mais os preços das passagens de ônibus e os custos de tudo o que é transportado por caminhão no Brasil. Isso é decorrente da guerra na Ucrânia, com o ataque do reacionário Putin e, como resposta, os países imperialistas, EUA e União Europeia (UE), além de promover um rearmamento absurdo que coloca em risco vidas dos trabalhadores e do conjunto da população, aplicam sanções à Rússia que impactam o preço do petróleo internacionalmente.

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No Brasil, o governo Bolsonaro, herdeiro do golpe institucional de 2016, implementou a vinculação do preço dos combustíveis ao preço internacional, garantindo os lucros dos acionistas estrangeiros da Petrobras, além de privatizar a BR, a principal distribuidora. Isso faz parte de um projeto mais abrangente de aprofundar as privatizações e entregas de empresas que eram estatais, como a Petrobras e a Eletrobras. Mas essas privatizações não são somente defendidas por Bolsonaro, Guedes e sua corja, ou aliados como Arthur Lira (PP), do centrão. Elas são defendidas também por meios de comunicação que estão a serviço dos interesses dos capitalistas, como a Folha de São Paulo, que se diz opositora de Bolsonaro, mas que se unifica com ele quando se trata de ataques. Vez ou outra, esses jornais podem não lançar suas opiniões com títulos ou linhas abertamente com as palavras "em defesa da privatização", mas, sim, em editoriais e matérias de opinião, que digam que esse mega-aumento pode ser uma "oportunidade para o Brasil", por exemplo - que segue obviamente sendo vergonhoso e cínico.

No editorial do dia 11 de março da Folha, eles dizem: "Os aumentos de 25% para o óleo diesel, 16% para a gasolina e 9% para o GLP são corretos e necessários para preservar a política da empresa e evitar artificialismos populistas —muito mais custosos para a economia a longo prazo". No editorial do dia 13, dizem defender o meio ambiente, reivindicando que o Brasil pode ser um fornecedor de energia limpa, por nossos recursos naturais, o que só expressa hipocrisia e cinismo diante da situação das massas trabalhadoras e pobres no país, das queimadas na Amazônia e no centro-oeste, como se não estivessemos sendo atacados também pelo agronegócio que rouba as terras dos povos indígenas, já aventando lucro de empresas em torno do que chamam de sustentabilidade. No editorial do dia 6, defendeu a privatização da Eletrobras, dizendo: "Mesmo falha, a privatização da Eletrobras será um feito importante numa agenda que claudica no governo Jair Bolsonaro (PL)". Nós, que nos revoltamos ou diretamente vivemos o apagão no Amapá, enxergamos até no escuro os impactos da privatização da energia nesse país.

Esse é o discurso que a grande mídia se utiliza na tentativa de convencimento de que a privatização e a entrega das estatais ao capital imperialista pode ser bom. Só que a verdade é concreta, ou seja, a realidade das massas comprova que não.

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É urgente a unidade da classe trabalhadora nacionalmente, entre efetivos e terceirizados, com os setores oprimidos e o povo pobre para lutar peloo contrário do que a Folha defende: a redução imediata dos preços dos combustíveis. Não é possível justificar o mega-aumento e nós não podemos aceitar isso. E está diretamente ligada a essa batalha a luta pelo congelamento dos preços a níveis anteriores à inflação pandêmica, assim como dos alimentos, e também por reajuste salarial automático de acordo com a inflação, que aumenta a cada mês.

Nesse sentido, lutar por uma Petrobras 100% estatal, sob gestão dos petroleiros, que conhecem de verdade como bota pra funcionar essa gigante, e controle da população que utiliza dos serviços, que abastece seus veículos, que pega ônibus, que está pagando o preço de uma crise que não é nossa, mas, sim, dos capitalistas. Realmente, a Petrobras é a maior empresa nacional e o Brasil é extremamente rico em recursos. Nossos solos, rios, florestas são extremamente ricos. Imaginem se nós, trabalhadores e população, pudéssemos gerir e controlar esses recursos, de acordo com as nossas necessidades, e, não, para encher os bolsos de um punhado de bilionários parasitas, que veiculam mentiras.

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Para isso, para se colocar frontalmente contra a posição da Folha, também é necessário superar a política de conciliação de classes do PT. Alckmin ser vice de Lula é a expressão que pode ser mais aparente desse caráter conciliador. Mas o PT também tem no seu legado ser um continuador da política neoliberal de FHC com as Parcerias Público-Privadas (PPP), com os leilões de fatias de estatais e criou o imposto compensatório de acionistas da Petrobras nos anos de governos Lula e Dilma. E, agora mais recentemente, o projeto, cujo relator é o senador do Rio Grande do Norte, que propõe que os royalties do petróleo se voltem para "abaixar" os preços dos combustíveis, não se enfrentando com os acionistas estrangeiros, nem com o Teto de Gastos, visto que os royalties poderiam se voltar para financiar educação e saúde.

Esse é um debate também a ser colocado para o conjunto das organizações de esquerda, como o PSOL e o PSTU, que dirige a CSP-Conlutas, a sermos parte de exigir que frentes e centrais sindicais nacionais, como a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a CUT e a CTB, assim como a União Nacional dos Estudantes (UNE), e demais movimentos sociais, dirigidos pelo PT e pelo PCdoB, saiam do imobilismo, cujo o objetivo é meramente eleger Lula, para convocar assembleias em cada local de estudo e trabalho, para que os trabalhadores, estudantes e a população possam ter poder de voz e decisão democráticos nos passos da luta. Por uma paralisação nacional unificada das lutas em curso contra a escalada dos preços!

Pela unidade da classe trabalhadora, setores oprimidos e do povo pobre: que os capitalistas paguem pela crise! Abaixo o discurso da Folha em defesa das medidas de Bolsonaro! Redução imediata dos preços dos combustíveis! Por uma Petrobras 100% estatal! Não à guerra na Ucrânia: fora tropas russas e abaixo a OTAN!




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