Política

MÍDIA GOLPISTA

Folha de S. Paulo lança campanha aberta por Bolsonaro

A Folha de S. Paulo amanheceu coberta de artigos entusiastas sobre a candidatura de Bolsonaro. Poucas matérias a diferenciavam do site do PSL.

quarta-feira 3 de outubro| Edição do dia

A Folha de S. Paulo amanheceu coberta de artigos entusiastas sobre a candidatura de Bolsonaro. Poucas matérias a diferenciavam do site do PSL.

Encarregaram-se de publicar uma matéria que mostrava a euforia dos mercados com os resultados do Datafolha (que colocava Bolsonaro com 32% das intenções de voto), dedicaram o artigo de capa às possibilidades que Bolsonaro tem ou não de liquidar a fatura eleitoral no primeiro turno, e não se eximiram de publicar um artigo de opinião de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, enaltecendo a visão dos mercados sobre o capitão reformado como "mito dos mercados":

Bolsonaro "É o extremo viável na eleição que barraria as sandices econômicas que já sabemos que virão do PT. De fato, Haddad não tem dado sinais de convencer o mercado de que fará algo muito diferente do que se viu em 13 anos de governo. O problema maior é que não há tempo a perder. [...] Não ajuda no discurso petista dizer que vai parar as concessões de óleo e gás para esperar a Petrobras se fortalecer, revogar a reforma trabalhista e taxar o spread bancário. Ou seja, mais do mesmo, e isso o mercado sabe muito bem onde dará. É crise na certa. Bolsonaro, por outro lado, agrada ao mercado pelo seu provável superministro da Fazenda, Paulo Guedes. A agenda ultraliberal do candidato é o ar de continuidade das políticas que Michel Temer começou a fazer em 2016".

Conclui dizendo que "Se o candidato é autoritário ou não e se seu vice-presidente aludiu a um autogolpe se necessário, não são questões relevantes para o mercado."

Adiante, outra matéria agita a entrada de tropa de generais da reserva para a campanha do candidato do PSL, aludindo até à proximidade de Villas Boas - apesar de seu papel como "moderador" - com Mourão, Augusto Heleno e Oswaldo Ferreira (chefes de campanha de Bolsonaro).

A Folha esqueceu rápido o veto do STF à entrevista com Lula, e embarcam de braços abertos depois de aconselharem Bolsonaro a dar "garantias institucionais" a seus eleitores, no editorial de ontem.

O Globo não se distingue dessa campanha pró-Bolsonaro, algo que vinha sendo desenhado desde o "pas de deux", o dueto entre o Ibope e o Datafolha.

A mídia golpista, que apoiou o golpe institucional, vai deixando de lado o quanto o PT atuou em 13 anos de governo para enriquecer os capitalistas e os banqueiros, e forceja a opinião pública para o barco bolsonarista na última semana antes do primeiro turno.




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