Flávia Telles pede justiça à Jordy: "Bolsonaro, a polícia e os governadores preparam nossas covas"

Na manhã desse domingo (05) no bairro Reforma Agrária, Jordy Moura Silva, um jovem negro de 15, foi assassinado por um tiro da guarda municipal de Campinas.

segunda-feira 6 de abril| Edição do dia

Flavia Teles, integrando do Esquerda Diário e coord do centro acadêmico de ciens. Sócias da Unicamp, pede justiça a Jordy.”

Um jovem de 15 anos foi morto por tiro da guarda municipal de Campinas na manhã de domingo (05), no Bairro Reforma Agrária. De acordo com testemunhas, ele sofreu um disparo da GM durante uma ação da corporação, o que revela completamente qual o real papel da GM de Jonas Donizete – reprimir e assinar o povo negro, principalmente a juventude.

Na manhã desse domingo, em um terreno de uma construção de uma estrada que dá acesso ao bairro de Reforma Agrária, um grupo de jovens estavam empinando motos, quando a guarda municipal de Jonas Donizete chegou ao local disparando para “dispersar aglomeração”. Após os jovens tentarem fugir, a GM começou a disparar contra os jovens, atingindo pelas costas Jordy, jovem negro de 15 anos, que se encontrava na garupa de seu irmão, de 26 anos. O tiro ainda atravessou seu corpo atingido o de seu irmão mais velho.

Depois de atingido Jordy, os garotos e moradores do bairro pediram pelo socorro da GM para leva-lo ao hospital, mas essa cruelmente o negou! Como mostra vídeo feito pelos moradores, a guarda chama o garoto de “vagabundo”, justificando o absurdo, e ainda ameaça moradores caso alguém “comece a dar novidade”.

Devemos ainda levar em conta que a repressão que se deu com os jovens não consegue se justificar com o argumento de “assegurar a quarentena e impedir a expansão do coronavírus”. Se esse em algum momento fosse o real objetivo de Jonas Donizette, do governador Doria ou o Bolsonaro, estaríamos vendo toda uma reestruturação das comunidades periféricas super precárias onde se quer há água para lavar as mãos ou casas que possibilitem uma quarentena segura – sem contar que a maioria desses trabalhadores não podem escolher fazer home office, pois precisam ficar correndo toda Campinas, de moto ou bicicleta com caixas térmicas de logo “IFood’ ou “Rappi”. Para um real combate ao coronavírus se faz necessário, não a demagogia do presidente ou as migalhas dos governadores, mas sim testes massivos, o cumprimento do pagamento do auxílio de R$600 do governo - aprovado a 5 dias e ainda não cumprindo -, e outras medidas que respondam e essas condições sociais previas das comunidades que intensificam o contágio.

Devemos ainda levar em conta que, mesmo com o argumento de “assegurar a quarentena e impedir a expansão do coronavírus” (o que na verdade não se sabe, mostrando como a guarda sequer precisa se preocupar com desculpas frente um crime como esse), a repressão que se deu com os jovens não seria justificada. Se esse, em algum momento, fosse o real objetivo de Jonas Donizette, do governador Doria ou de Bolsonaro, estes estaríamos resolvendo todos os problemas estruturais pré-existentes de muitos bairros como o Reforma Ágraria, super precários, onde sequer à água para lavar as mãos em todas residencias, que também não garantem uma quarentena segura – lembrando que a maioria dos seus moradores são trabalhadores que não podem escolher fazer home office. Ocupam os posto mais precários de trabalho, tendo que correndo toda Campinas com caixas térmicas de logos do “IFood’ ou “Rappi”. Para um real combate ao coronavírus se faz necessário, não a demagogia do presidente ou as migalhas dos governadores, mas sim testes massivos, o cumprimento do pagamento do auxílio de R$600 do governo - aprovado a 5 dias e ainda não cumprindo -, e outras medidas que respondam e essas condições sociais previas das comunidades que intensificam o contágio.

Como fica claro, Bolsonaro, a polícia e os governadores preparam nossas covas, ou pelo descaso a um real combate à epidemia, ou pela mão das forças repressivas do Estados, que nesse momento se vem no direito de aumentar seu autoritarismo. Não basta a juventude negra ter que trabalhar mais de 10h em cima de um moto - sendo tanto um possível vetor quanto vítima da contaminação do vírus -, esta ainda é morta em cima das mesmas em seus poucos momentos de lazer que tem.

Fica muito claro que a resposta para acabar com a violências das autoridades ao povo, principalmente as comunidades periféricas e precarizadas, não é a desmilitarização da polícia – ou seja, converte-la em GM; mas sim o fim de ambas. Como dito por Flávia Telles, coordenado do Centro Acadêmico do CACH-Unicamp, no vídeo, nós do Esquerda Diário repudiamos completamente essa ação criminosa da GM que demostra claramente qual é o papel tanto da polícia com GM – reprimir as os trabalhadores, principalmente os negros, e acabar com todas as formas de expressão de sua juventude. Por isso chamamos também movimentos socias, entidades estudantis, centrais sindicais a repudiar essa tragédia e fortalecer a luta por justiça a Jordy.




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