Política

Fiscalização do trabalho escravo tende a acabar, diz sindicato dos auditores fiscais

Segundo entidade que atua no setor e também o sindicato a quantidade de estabelecimentos fiscalizados caiu 58% em relação a 2016.

terça-feira 25 de julho| Edição do dia

A Comissão Pastoral da Terra (CPD) e Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sinait) afirmam que todo o orçamento do ano está comprometido, enquanto o Ministério do Trabalho nega que haverá suspensão de atividades.

O número de trabalhadores resgatados também diminuiu em 76% comparando com 2016. Esse número pode cair ainda mais no segundo semestre de 2017. O sindicato afirma que a verba de apuração de denúncias acabe em agosto.

Sem recursos as fiscalizações feitas em locais distantes, como nos interiores, ficarão comprometidas. Carlos Silva do sindicato afirma que “Depois, não vai ter mais tampouco para a fiscalização ao trabalho infantil e o combate à informalidade”.

“Se houver mesmo esse panorama caótico, só poderemos então apurar denúncias nas áreas onde estão alocados os auditores", explica o presidente do sindicato, uma vez que o deslocamento dos auditores gera um custo com diárias e passagens e que o Ministério do Trabalho só tem bases nas cidades maiores do interior

Até o momento apenas 49 estabelecimentos foram inspecionados, enquanto que no ano passado esse total foi de 204 estabelecimentos. O coordenador da campanha da CPT contra o trabalho escravo, frei Xavier Plassat, afirma que o número de fiscalizações e de pessoas resgatadas está em queda desde anos anteriores.

Plassat também ressalta que “Estão faltando cerca de 1,5 mil fiscais para atender, pelo menos, à manutenção do quadro como estava 10 anos atrás”. Ou seja, é possível perceber que desde o governo do PT esses números vêm sendo reduzidos.

O Ministério do Trabalho, em nota, nega que os trabalhos serão suspensos em agosto. “Desde o contingenciamento de verbas determinado pelo governo federal, o Ministério do Trabalho vem fazendo gestões para readequar os recursos orçamentários de forma a impactar o menos possível áreas de atuação prioritárias, como a fiscalização”.

Apesar disso, a partir das duas análises é possível perceber que essa queda tende a aumentar e o trabalho escravo que já não possui uma fiscalização adequada, vai continuar acontecendo nas regiões mais distantes, bem como o trabalho infantil.




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