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CORONAVÍRUS

Filas por vaga de leito de UTI já são realidade em vários estados do país

Ao menos quatro estados e oito capitais já têm mais de 90% dos leitos de terapia intensiva destinados ao tratamento de Covid-19 ocupados, e filas já se formam a espera de vagas.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

Foto: Sandro Pereira/Estadão Conteúdo.

Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Roraima são os estados que estão em situação mais grave em relação a taxa de ocupação de leitos de UTI – que varia entre 100% e 93% segundo dados de segunda-feira (4).

O estado do Amazonas, um dos primeiros a registrar o colapso para atender pacientes graves, continua em situação crítica. Segundo relatos de profissionais da saúde, há indicação que em Manaus, única cidade do estado com serviço de UTI, já está se trabalhando na capacidade máxima.

Entre as capitais, já são oito que estão com o índice de ocupação acima de 90%. Além de Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Fortaleza e Boa Vista, as cidades de São Luís, Belém e São Paulo também estão próximas a um colapso para o atendimento de pacientes graves.

O Rio de Janeiro registra filas para ocupação dos leitos há duas semanas. Eram 363 pessoas à espera de transferência no estado na segunda (4). Enquanto a fila de leitos de cuidado intensivo se alonga, a promessa de Wilson Witzel (PSC) de criação de hospitais temporários segue sem se cumprir.

Pernambuco também já lida com filas de mais de uma centena de pacientes, e está com índice de ocupação de vagas de UTI na casa de 98%.

O hospital geral do estado de Roraima lida com o funcionamento em capacidade máxima, mesmo após o aumento de 10 para 14 vagas.

A falta de respiradores é um dos principais motivos da lentidão em ampliar a abertura de leitos pelo país, ao mesmo tempo que o número de casos graves de Covid-19 só aumenta. Como consequência, as mortes, não só por coronavírus como também as doenças de práxis hospitalares, têm saltado em ritmo galopante.

Enquanto o sistema de saúde se aproxima cada vez mais do colapso, os trabalhadores da saúde seguem na linha de frente da crise, muitas vezes sem nem ao menos terem direito a proteção individual, no país que tem mais mortos da área da saúde do que Itália e Espanha juntas.

É preciso aumentar com urgência o investimento na saúde. Garantir uma quarentena racional que diminua as taxas de contágio, com proibição de demissões e licenças remuneradas para trabalhadores de serviços não-essenciais, liberação dos trabalhadores de serviços essenciais parte do grupo de risco e uma renda básica de R$ 2.000,00 por pessoa desempregada, informal e sem renda durante a pandemia.

Todas as medidas devem ser custeadas pelos grandes empresários, banqueiros e latifundiários, que continuam ganhando enquanto a população morre pela COVID-19 ou perde direitos e renda. É preciso instituir um imposto às grandes fortunas e parar o pagamento da dívida pública. Assim faremos as vidas estarem acima dos lucros.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores da saúde seguem sendo expostos e contaminados, em uma guerra sem armas. Diversas mobilizações começam a surgir pelo país. Babi Delatorre, trabalhadora do Hospital Universitário da USP, defende que deve existir uma coordenação e unificação nacional como forma de potencializar essas lutas e mobilizações.

No próximo 12 de maio, dia nacional das enfermeiras, pode ser uma primeira data para colocarmos de pé uma mobilização nacional por medidas de emergência contra a COVID-19, em defesa dos trabalhadores e da população.




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