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Fiesp homenageia Forças Armadas por apoio aos planos golpistas e ataques aos trabalhadores

Na noite de ontem (21), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) homenageou membros das Forças Armadas. Villas Bôas, comandante do Exército, foi chamado "herói em tempos de paz".

quinta-feira 22 de novembro| Edição do dia

Foto: Ayrton Vignola/Fiesp. Entre os presentes, Villas Bôas e Paulo Skaf

A Fiesp homenageou os militares que são parte do alto escalão das Forças Armadas em solenidade. Estes que futuramente serão parte do governo federal com a posse de Jair Bolsonaro e dos ministros indicados por ele. Com a escalada de politização dos militares, este é mais um passo importante do processo iniciado desde o golpe institucional.

A condecoração do comando das Forças Armadas no evento contou com homenagens aos comandantes da Marinha, Eduardo Ferreira, e da Aeronáutica, Nivaldo Luiz Rossato, e também a Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Também foram homenageados o ministro da Defesa e general de Exército Joaquim Silva e Luna, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Junto a vários outros membros de federações industriais de outros estados, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, discursou homenageando e concedendo a maior honraria ao comandante do Exército Eduardo Villas Bôas: a comenda da ordem do mérito industrial São Paulo no grau Grão Cruz, que indica homenagem àqueles que são considerados de grande influência social e política na sociedade.

A Fiesp, que é a mais tradicional federação da burguesia industrial brasileira – defensora da reforma trabalhista que destruiu direitos dos trabalhadores, da reforma da previdência, do golpe institucional de 2016 e de sua continuidade com a prisão de Lula e manipulação das eleições – ao conceder este reconhecimento, acena com um importante aval às Forças Armadas de cada vez maior interferência na política na conjuntura nacional. É um precedente, uma vez que tal comenda só fora anteriormente destinada a reis, príncipes, presidentes e primeiros-ministros.

Com a implementação do golpe institucional, o judiciário com o apoio das Forças Armadas, manipulou desde o princípio as eleições para beneficiar o candidato que garantiria os ajustes previstos pelo regime. Antes Alckmin, que não decolou, depois Bolsonaro, quem por fim passou a ter o respaldo para o cargo, reconhecido como defensor da participação política dos militares.

Desde a Ditadura Militar as Forças Armadas não tinham tanta participação no regime. Agora, além dos acenos da Fiesp, alguns cargos importantes do governo federal passam ser chefiados pelos militares, como o general Augusto Heleno no Gabinete de Segurança Institucional, o tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes no ministério de Ciência e Tecnologia, o general Fernando Azevedo e Silva no ministério da Defesa e o general Santos Cruz na Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Skaf, em seu discurso, caracterizou Villas Bôas como “herói em tempos de paz”, sinalizando como alguém que “evitou a guerra”. Esse é o discurso dos representantes da burguesia industrial, que busca nos militares o apoio para instituir um governo bonapartista implementador das reformas contra a classe trabalhadora e dos ataques a direitos democráticos. Antes mesmo que pudesse haver uma resposta mais contundente da classe trabalhadora, já lançam mão de um governo eleito através da manipulação do processo eleitoral, retirando de campo o candidato claramente favorito e financiando a campanha ilegal de Jair Bolsonaro baseada em fake news pagas no WhatsApp.

Já o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em entrevista à Folha de São Paulo, disse ser simpático à ocupação de cargos civis pelos militares e negou ser um processo de politização das Forças Armadas, mas sim um “reconhecimento” da sua importância e busca por mais “autoridade” no comando federal. Quer dar um ar democrático e legítimo ao processo eleitoral para levar à conclusão de que entra um governo com maior autoridade – e autoritarismo – para levar adiante os planos do imperialismo e seus sócios menores no Brasil, o setor industrial representado pela Fiesp e os grandes latifundiários.

Os representantes da burguesia premiam aqueles que servem à sua classe garantindo a estabilidade para explorar cada vez mais os trabalhadores, com repressão, autoritarismo judiciário, golpe institucional e reformas. Os trabalhadores e jovens precisam exigir das centrais sindicais e estudantis que saiam do imobilismo e organizem a luta pela base contra esses ataques, com paralisações e greves.




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