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10/11

Fenametro aprova dia 10/11, mas principais centrais seguem sem mobilizar

Para Guarnieri, diretor adjunto de imprensa da FENAMETRO e militante do Movimento Nossa Classe, "a resolução é importante. Mas ainda assim insuficiente para construir uma forte paralisação dos setores de transporte. E isso se deve ao fato que as principais centrais sindicais, CUT, Força e CTB, não querem mobilizar e construir uma luta séria nesse dia".

segunda-feira 30 de outubro| Edição do dia

Nos dias 27 e 28 de outubro no Sindicato dos Metroviários de SP, ocorreu a primeira reunião da nova Diretoria da FENAMETRO (Federação Nacional dos Metroferroviários), eleita no último congresso. Os ataques da reforma trabalhista, a questão do imposto sindical e a preparação do dia 10/11 foram os principais temas discutidos.

No último congresso a FENAMETRO votou resoluções acerca da conjuntura, que subsidiaram os debates na primeira reunião da nova Diretoria. A entidade reconheceu que o impeachment significou um golpe jurídico-parlamentar-midiático em nosso país, que permitiu a aceleração de ataques profundos a classe trabalhadora, principalmente após a traição e boicote das maiores centrais sindicais na última greve geral, que resultou na aprovação da reforma trabalhista, e consequentemente na manutenção de Temer no governo.

O primeiro dia de reunião foi marcado pela palestra do professor de Direito da USP- Dr. Flávio Roberto Batista sobre os efeitos da reforma trabalhista. Além de falar sobre o nível de impacto que a reforma trará sobre os trabalhadores, Dr. Flávio também mostrou como dentro dos próprios magistrados existe uma resistência para aplicar na prática a reforma quando entrar em vigor (assista aqui a palestra na íntegra), fazendo referência ao posicionamento recente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho). Após a palestra, a entidade se juntou ao ato dos professores e servidores na Avenida Paulista contra as privatizações.

No dia seguinte, a diretoria aprovou a participação da entidade no 10/11 - dia nacional de luta contra a reforma trabalhista, convocado pelas centrais sindicais. A FENAMETRO irá orientar os seus sindicatos a convocar assembleias para debater a possibilidade de paralisação dos setores de transporte metroferroviário nacionalmente nesse dia.

Para Guarnieri, diretor adjunto de imprensa da FENAMETRO e militante do Movimento Nossa Classe, "a resolução é importante. Mas ainda sim insuficiente para construir una forte paralisação dos setores de transporte. E isso se deve ao fato que as principais centrais sindicais, CUT, Força e CTB, não querem mobilizar e construir uma luta séria nesse dia. Pelo contrário, vem atuando para deixar as lutas de resistência como as greves no RS e a ocupação do MTST em SBC, isoladas. Tanto é que durante a reunião, a diretoria da FENAMETRO que é proporcional e possui uma minoria de diretores da CUT e CTB, esses nada falaram sobre outras categorias onde estão a frente que a mobilização do dia 10 esteja sendo construída. Ratificando o que já havia acontecido na recente plenária do setor de transportes, onde centrais como UGT (que dirigem categorias importantes como os rodoviários de SP), e assim como a Força é aliada de Temer, também nem mencionaram nada sobre o dia 10, e o encaminhamento da plenária foi somente a realização de um seminário em fevereiro de 2018. Isso mostra que para o dia 10 não ser somente um ato simbólico e inofensivo das centrais contra a reforma trabalhista, nós trabalhadores precisamos desde a base tomar nas nossas mãos a sua construção."

Outro tema debatido na reunião foi em relação ao imposto sindical. Também no último congresso a entidade defendeu um posicionamento contrário ao imposto, e a primeira reunião da diretoria foi marcada pelo debate de formas alternativas de financiamento da entidade, para garantir sua independência política e financeira. Na opinião de Guarnieri: "O posicionamento contrário ao imposto sindical da federação é fundamental. Ainda mais que dentro da reforma trabalhista está também uma reforma sindical, que é uma tentativa a direita da burguesia em alterar a estrutura sindical brasileira do varguismo. De forma pragmática, interessadas em manter seus privilégios, as centrais como a CUT, Força e CTB estão somente preocupadas em garantir a manutenção ou a renovação de uma nova contribuição do estado, e por isso vem traindo a luta dos trabalhadores. Enquanto deixam passar o restante da reforma".

E complementou: "Sem o imposto sindical, alguns cortes precisarão ser feitos na entidade, mas que são necessários, pois também não há preço que se pague pela independência política e financeira, e sem contar que também serão uma pressão contrária a burocratização dos diretores. Não há toa existem milhares de sindicatos que não organizam a luta e só ficam de olho no imposto para renovar os privilégios dos seus dirigentes. Historicamente o movimento operário brasileiro combativo, desde o início do século XX sempre combateu na luta de classes, o assistencialismo sindical e a tutela do Estado, o que foi determinante para que os trabalhadores protagonizassem fortes greves, lutas e manifestações."

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