Sociedade

FEBRE AMARELA

Febre amarela escancara a precarização do SUS para lucro das grandes redes de farmácia

quarta-feira 17 de janeiro| Edição do dia

Como uma reedição ainda mais severa do que o surto que enfrentamos em 2016-2017, também neste início de ano, a febre amarela já faz suas vítimas no país inteiro. Desde o ano passado, os casos só aumentam, e a incapacidade por parte dos governos de lidar com o problema fica cada vez mais evidente. O surto iniciado em meados 2016 e que se estendeu até junho do ano passado já tinha sido o mais grave desde os anos de 1980. No entanto, em 6 de novembro de 2017, o site do “Governo do Brasil” comemorava: “Brasil está livre do surto de febre amarela”.

Aparentemente, não era bem assim: o surto que agora enfrentamos já bateu os números do ano passado e colocou o estado de São Paulo no mapa das áreas de risco, que hoje compreende as Regiões Centro-Oeste e Norte, os estados de Minas Gerais e Maranhão, além de partes dos estados da Região Sul, da Bahia, do Espírito Santo e do Piauí.

Enquanto municípios como Mairiporã decretam situação de emergência e calamidade e a indisponibilidade da vacina nos postos vem causando caos na saúde pública em todo o país, o governo golpista e sua corja não se cansam de oferecer aos capitalistas presentes que estão saindo cada vez mais caros para os trabalhadores. No mês passado, ou seja, em dezembro de 2017, o setor farmacêutico ganhou a regulamentação da aplicação de vacinas em suas unidades em todo o território nacional. É isso o que acontece quando a saúde é tratada como mercadoria.

No Recife, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, com a falta de doses no setor público, as redes privadas fazem a aplicação por nada menos que R$ 300,00. Na cidade de São Paulo, se na rede pública uma pessoa chega a esperar cerca de 9 horas para ser vacinada, as farmácias preparam-se para lucrar muito com essa tragédia que promete, como sempre, fazer suas vítimas entre as populações mais vulneráveis social e economicamente, visto que o valor a ser pago para manter-se livre da doença gira em torno de R$ 160,00 a R$ 180,00. E não apenas em São Paulo. O recém-criado mercado das vacinas já opera no Rio de Janeiro e na Bahia, e além da Drogasil, que já anuncia a vacina em 16 de suas filiais paulistas, a Drogaria Araújo, no Rio, e a Nossa Drogaria Caxias, em Minas, já estão enchendo seus cofres com a desgraça dos que não vivem no andar de cima.

Como se a situação não fosse por si só um desastre, há, ainda, mais um fator: a catástrofe de Mariana, pois a lama da Samarco teria relação direta com a proliferação da doença em Minas Gerais. Segundo Marcia Chame, bióloga da Fiocruz, os 55 milhões de m3 de lama tóxica que vazaram da barragem de Fundão, matando o Rio Doce, é indício do aumento dos casos, uma vez que “mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”. Para ela, trata-se de “um conjunto de coisas que vão se acumulando”.

De fato, não apenas aí, onde a mineração já vinha provocando abalos ambientais preocupantes, mas o próprio surto de febre amarela que enfrentamos hoje é resultado de um acúmulo de catástrofes em diversos níveis. No que se refere à administração pública, é resultado do abandono e da impunidade, pois se fica claro nos casos do Espírito Santo e de Minas Gerais, também no de São Paulo há razões para acreditar que o surto tenha ligação com o crime da Samarco, que vai ficando impune. No setor da saúde, é efeito trágico da precarização do SUS, incapaz de atender à enorme demanda criada pela desgraça da falência do sistema em todas as suas instâncias, aliada à ganância dos capitalistas, que, interessados em encher seus cofres, usam como moeda de troca a vida das pessoas.




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