Gênero e sexualidade

FAÇAMOS COMO AS ARGENTINAS

Fazer Porto Alegre tremer no dia 08 pela legalização do aborto

No dia 08 de agosto o Senado argentino votará a legalização do aborto. É uma importante batalha do movimento de mulheres, que já impôs uma vitória na Câmara de Deputados. Neste dia em Porto Alegre ocorrerá um ato na Esquina Democrática no final da tarde. Temos que fazer a cidade tremer em apoio à luta na Argentina e pela legalização do aborto no Brasil.

sexta-feira 27 de julho| Edição do dia

Em várias cidades do Brasil há manifestações marcadas para o dia 08 de agosto, em apoio à grande luta que ocorre na Argentina e pela legalização do aborto no Brasil. Em Porto Alegre o ato se concentrará na Esquina Democrática, às 17h30. Veja o evento no Facebook. Este é um dia muito importante para o movimento feminista da Argentina e do mundo todo, e a aprovação da legalização do aborto neste país é um grande ponto de apoio para batalharmos por esse direito aqui no Brasil e em toda a América Latina.

Entre os dias 03 e 06 de agosto haverá também o Festival Pela Vida das Mulheres em Brasília. Em Porto Alegre haverá atividades no dia 03, para trazer esse debate à sociedade. Nós do Grupo de Mulheres Pão e Rosas estaremos em todas as atividades, construindo e convocando com toda a força o ato do dia 8.

Basta de mulheres mortas por abortos clandestinos!

Estima-se que cerca de 500 mil abortos ocorrem todos os anos no Brasil. Você, sua irmã, sua mãe, sua amiga, sua prima, sua vizinha, todas nós já abortamos ou conhecemos alguém que o fez. E todas nós, mulheres, temos que ter o direito de decidir sobre nossos corpos. Não é a Igreja, que acoberta casos de padres envolvidos em pedofilia, tampouco os políticos corruptos que governam o país, que devem decidir sobre o corpo das mulheres.

No Brasil 55% das gestações não foram planejadas. Isso significa que estamos falando de um país onde a garantia de métodos contraceptivos é falha, no contexto de um sistema de saúde precário em que a população não tem acesso a um acompanhamento especializado desde o início de sua vida sexual. Antes disso, a educação sexual nas escolas é falha e muitas vezes inexistente. E em meio a todo esse sistema falho, o aborto é a última alternativa e sua clandestinidade é também um problema de saúde pública. A legalização do aborto significa que todas as mulheres têm direito de escolher sobre seus próprios corpos sem que isso lhes leve à morte, significa mexer em um dos elos dessa cadeia de precariedade a qual estamos submetidas. Nossa luta é por educação sexual nas escolas para decidir, contraceptivos de qualidade distribuídos gratuitamente para não engravidar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.

Façamos como as argentinas!

Temos que nos organizar em cada local de trabalho e estudo, em cada bairro da cidade, conversar como nossas colegas, nossas vizinhas, com nossas amigas, chamar todas ao ato do dia 08, na Esquina Democrática, que será convocado pela Frente Pela Legalização do Aborto no RS. Precisamos fazer como as argentinas e tomar as ruas, paralisar locais de trabalho e estudo, para dizer que nenhuma mulher deve ser morta por abortos clandestinos.

Assim podemos impôr à Igreja e a este congresso de corruptos que serão as mulheres a decidir sobre seus próprios corpos. Esse mesmo congresso mantém o aborto na ilegalidade sob justificativa de "defesa da vida" ou mesmo "defesa do feto", mas aprovou a reforma trabalhista, atacando sobretudo as mulheres e permitindo que trabalhemos em locais insalubres mesmo grávidas e em período de amamentação. Isso mostra a grande demagogia desses discursos, pois para nos explorar arriscam a vida das mulheres e de seus filhos, porém nosso direito ao próprio corpo segue sendo negado, enquanto sobretudo as mulheres negras, pobres e trabalhadoras precarizadas seguem morrendo em abortos clandestinos.

No Rio Grande do Sul há ainda o peso do tradicionalismo, que historicamente coloca as mulheres em posição de "enfeite", inclusive nos nomeando diretamente "prendas" e incrementando o machismo estrutural da sociedade. Nosso grito nas ruas deve ser ainda mais forte mostrando que não aguentamos mais todo esse controle sobre nós, que não somos enfeites e que somos nós que temos que definir sobre o destino das nossas vidas.

A força das mulheres é o que pode garantir nossos direitos

No segundo semestre do ano passado as principais greves que sacudiram o estado tiveram rosto de mulher. As professoras enfrentaram Sartori e os parcelamentos de salário, assim como as municipárias estiveram em 2017 e também em 2018 na linha de frente contra Marchezan. CPERS e Simpa têm a importante tarefa de organizar assembleias e plenárias de mulheres para pautar o ato do dia 08 de agosto e colocar toda essa potência nas ruas novamente pela legalização do aborto. No caso do CPERS, seja organizando atos no interior ou trazendo ônibus para a capital, conforme o que decidir a categoria, há um grande força feminina que pode fazer toda a diferença.

Nas universidades e escolas temos que pressionar os DCEs, DAs e Grêmios Estudantis a organizarem assembleias e reuniões para construir o dia 8, e organizar de maneira independente assembleias, plenárias e reuniões de mulheres por local, caso essas entidades se neguem a fazer. A força das estudantes que ocuparam escolas e universidades em 2016 também tem que estar nas ruas pela legalização do aborto. O DCE da UFRGS se comprometeu em fazer um amplo chamado na universidade para o ato do dia 08, com passagens em sala de aula e panfletagens, porém o histórico da gestão, encabeçada pela UJS e pelo PT, mostra que comprometimentos como esses não saem do papel. É necessário fazer uma grande pressão para que ocorra essa divulgação logo no primeiro dia de aula. Além disso seguiremos exigindo uma plenária das mulheres da UFRGS, em que estudantes, trabalhadoras, professoras e terceirizadas possam seguir mobilizadas depois do dia 08.

A vereadora mais votada da Porto Alegre é Fernanda Melchionna do PSOL, que esteve presente em outros atos do movimento feminista no passado mas agora não tem convocado a luta em curso. Além dela, Luciana Genro também participou do movimento feminista da cidade e é muito conhecida. É necessário que nas redes sociais e em todas as atividades elas convoquem o ato do dia 08 e também as demais atividades pela legalização do aborto na cidade.

Nos dias 03 e 06 de agosto o STF também pautará a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, que trata da descriminalização do aborto. A Audiência não tem poder de decisão e nestes dias ocorrerá o Festival Pela Vida das Mulheres em Brasília. Todas as que puderem estar lá para pressionar o STF devem se fazer presentes, e tomar este festival como parte da preparação e convocação para as manifestações do dia 08. Isso sem perder de vista que nossa luta é para que o aborto deixe de ser crime e se torne um direito, ou seja, nossa luta histórica é pela legalização. Em Porto Alegre no dia 03 há a edição local do festival, que será na Esquina Democrática e será parte da nossa preparação para massificar e fortalecer o ato do dia 08.

Nós do Grupo de Mulheres Pão e Rosas convocamos cada estudante e trabalhadora da cidade a participar de todas as atividades de convocação e a marchar conosco no dia 08. Estejamos nas ruas com as argentinas e façamos como elas, sem nenhuma esperança no STF nem no Congresso, sabendo que somente a força da nossa luta pode arrancar esse direito.




Tópicos relacionados

Aborto   /    Rio Grande do Sul   /    Porto Alegre   /    Caxias do Sul   /    Direito ao aborto   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar