TRABALHO ESCRAVO

Fazendeiros que mantinham 23 escravos incluindo grávida e adolescente são reincidentes

Num momento em que se diminui a vigilância de trabalho escravo no Brasil mais um caso é descoberto, de uma família reincidente que escravizava 23 pessoas entre elas uma gravida e uma adolescente

sexta-feira 4 de agosto| Edição do dia

23 trabalhadores são resgatados de uma fazenda em Cuiabá onde trabalhavam em situação análoga à escravidão. Dentre eles, uma mulher grávida e um adolescente de 17 anos.

Três empresas pertencentes ao mesmo grupo familiar estão envolvidas na ação de resgate realizada pelo Ministério Público do trabalho. 23 trabalhadores foram resgatados nesta ação. Segundo o próprio MPT essas famílias são reincidentes em caso de trabalho escravo. O resgate dos trabalhadores foi feito na fazenda Santa Laura Vicuña – Fazendas Reunidas, onde há criação de gado bovino de corte e plantio de arroz.

Os trabalhadores, que exerciam atividades de lavoura, serralheria e construção civil, se encontravam, junto a seus familiares e crianças, em condições que negavam os direitos trabalhistas mais básicos como: água potável, higiene sanitária, registros de trabalho, etc.

No local onde viviam havia apenas um banheiro localizado no “quarto” dos homens, enquanto que as mulheres tinham que fazer suas necessidades numa fossa localizada próxima ao alojamento. A pia jorrava água direto no chão. Bombas de veneno ficavam próximas ao alojamento, sem isolamento nenhum, expostas diretamente aos animais e crianças.

Enquanto alguns trabalhadores dormiam em redes do lado de fora do alojamento, outros foram encontrados alojados em edificações próximas à sede da fazenda, destinadas a maquinários.
Os trabalhadores não possuíam uniforme ou equipamentos de proteção para executarem o serviço e as roupas usadas para aplicar o veneno eram lavadas pelos próprios funcionários e familiares, como é o caso da trabalhadora grávida.

Proprietários de terra reincidentes

Na ação, o MPT pede pela condenação dos sócios e das empresas ao pagamento de R$ 100 milhões por danos morais coletivos. Foram acionados Bruno Pires Xavier, Cyro Pires Xavier, Gláucia Pires Xavier Cardone, Rosana Sorge Xavier, Sebastião Douglas Sorge Xavier, Susete Sorge Xavier e Silvia Margarida Américo Pires Xavier, além das empresas Agropecuária Princesa do Aripuanã Ltda., a SSB-Administração e Participações Ltda. e a BX Empreendimentos e Participações.

Segundo o mesmo pedido do MPT, entre 1997 e 2005 foram resgatados 300 trabalhadores das fazendas Santa Luzia e Vale do Juruena, de posse de Susete, Rosana e Sebastião Douglas Sorge Xavier.

Foi pedido à Justiça a expropriação, para fins de reforma agrária, da fazenda e dos imóveis da família que estiverem envolvidos com denúncias de crimes ambientais e trabalhistas.

Segundo o órgão, a fazenda é controlada por um dos familiares que nem mesmo configura como sócio da fazenda e três dos efetivos donos chegaram a transferir os bens para filhos e sobrinhos quando passaram a ser acionados na Justiça. Por isso, o MPT ainda solicita, na ação, a manutenção de todos os membros da segunda e terceira gerações da família Xavier no polo passivo.




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