Sociedade

ABERTURA NO RN

Fátima Bezerra e Álvaro Dias se ajoelham para empresários e anunciam abertura em Natal e no RN

Nessa segunda-feira, foi anunciado o início do processo de abertura comercial no Rio Grande do Norte pela governadora Fátima Bezerra (PT), acompanhada pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias, que terá início nessa terça-feira na capital e na quarta-feira no estado.

terça-feira 30 de junho| Edição do dia

Sem que a pandemia tivesse chegado ao seu platô, com 57 mil mortes e mais de um milhão de contaminados pelo coronavírus, graças ao negacionismo de Bolsonaro, a cara mais desavergonhada e genocida da política da grande burguesia, do mercado financeiro, a governadora do PT no Rio Grande do Norte, assim como o prefeito de Natal, cederam de uma vez aos interesses patronais na região.

A proposta inicial do governo estadual era de condicionar a abertura comercial quando a ocupação de leitos chegasse a pelo menos 70%. Pois bem, a ânsia dos grandes empresários em salvar seus lucros da pandemia falou mais alto e com mais de 90% de lotação dos leitos públicos, a governadora Fátima Bezerra do PT anunciou que nesse dia 1 de julho dará início à abertura gradual do comércio.

Por sua vez, o prefeito de Natal Álvaro Dias, cidade onde se concentra 1/3 das mortes pelo coronavírus e conta com contaminados na fila de espera dos hospitais, decidiu se adiantar e irá começar a abertura comercial amanhã, terça-feira, 30.

Ambos disseram terem tomado a decisão ouvindo “a Ciência”, se baseando no fato do índice de transmissibilidade do vírus ter abaixado para menos de 1 e suposta diminuição de demanda por leitos. Esse índice não poderia ser chamado de científico em um contexto que sequer há testes massivos para conhecer a real situação da disseminação da doença.

Além disso, na semana passada foi noticiado no Tribuna do Norte que 18 leitos críticos e 26 leitos clínicos estavam bloqueados por que não havia “recursos humanos” para atender a população, ou estavam em manutenção, sob risco de contaminação ou ainda sem respiradores. Fátima e Álvaro Dias não garantiram os EPIs necessários para os e as trabalhadoras da saúde, que se contaminaram, se afastaram, e até perderam a vida na pandemia, em especial terceirizados da limpeza, maqueiros e outros.

São nessas condições que vão conduzir ainda mais trabalhadores do comércio, dos salões de beleza, barbearia, e serviços terceirizados de todo tipo, de volta ao trabalho, quando diversos setores não essenciais já seguiam sem direito a quarentena, como os do telemarketing, como mostra a seguinte denúncia:

DENÚNCIA: Teleperformance do RN mantém funcionário testado positivo para Covid-19 trabalhando

Fazem isso em nome dos “empregos”, nos marcos de que aceitaram que 10.000 trabalhadores fossem demitidos durante a pandemia, não tomando qualquer medida para proibir as demissões no estado ou que se opusesse à MP da Morte do Bolsonaro. O estado nunca passou dos 40% de isolamento, que não pode ser explicado por simples negacionismo da população, mas por que a maioria não saía de casa para ir à praia, ou fazer compras, mas para não morrer de fome, mesmo que arriscando sua vida ao vírus.

Inclusive, o discurso em defesa dos empregos não é diferente do que Bolsonaro usou todo esse tempo para justificar o seu negacionismo. Agora Fátima, do PT, e Álvaro Dias, cumprem o papel que Bolsonaro não pode cumprir, ainda que de forma gradual, ajoelhados diante da pressão empresarial, que chantageia com o emprego e a vida dos trabalhadores potiguares.

Fátima recentemente chegou a dizer que Bolsonaro “assim como o governo estadual, tem compromisso com a população”. Pois vê-se que seu chamado a um pacto entre os poderes, entre o governo estadual e federal, não tinha de fato a ver com salvar vidas, mas obter negociações com a dívida do estadual e repasse de verbas, enquanto se entendiam com os empresários para retomar seus negócios.

Essa política ficou clara na reunião entre Bolsonaro e os governadores para apaziguar os conflitos, e obter um compromisso para preparar a economia para o cenário pós-pandemia e por novos ajustes fiscais, como o corte de 25% do salário dos servidores estaduais.

Não poderia deixar de mencionar a reacionária declaração de Fátima que homenageou os 186 anos da PM, herdada da escravidão e da ditadura militar, e que aqui no Rio Grande do Norte assassinou Geovane Gabriel há menos de 20 dias.

Nessa quarta-feira, os entregadores de aplicativo realizarão uma importantíssima paralisação internacional, exigindo uma série de medidas elementares como aumento no frete, valor mínimo das entregas, fim dos bloqueios indevidos e taxa EPIs para poderem trabalhar. Em Natal está marcada uma ação desses entregadores no shopping Midway entre 9-11h da manhã, e chamamos a todos a se somarem a sua luta, porque é com a classe trabalhadora que podemos dar uma saída ao desemprego e a pandemia aqui no RN e no Brasil.

Nós do Esquerda Diário Nordeste, que viemos organizando centenas de pessoas no Comitê Virtual Esquerda Diário, em Grupos de Estudo e agora lançando uma agrupação de negras e negros de luta operária e anticapitalista, Quilombo Vermelho, colocamos todas as nossas energias para fortalecer a luta dos entregadores no Nordeste, e chamamos a todos a fazermos um bloco de estudantes, trabalhadores no ato dessa quarta-feira.

Isso por que achamos que existe uma saída para o desemprego e para a pandemia, se enfrentando com Bolsonaro e os capitalistas, muito além da miséria que oferece Fátima ou Álvaro Dias. Unificando a enorme força negra e trabalhadora que existe nesse país, nem falar no Nordeste e aqui no RN, é possível se contrapor de fato aos interesses dos grandes empresários. Por isso nos organizamos para batalhar pela proibição das demissões, a liberação remunerada de todos os serviços não essenciais, por uma renda mínima de R$ 2000, para que a população tenha direito a quarentena de fato.

Tudo isso poderia ser garantido aqui no RN cobrando a dívida de R$ 8 bilhões do estado, taxando a fortuna de grandes empresários como Flávio Rocha, da Teleperformance, e outros tantos empresários que seguem lucrando com a exploração dos trabalhadores mesmo em meio a pandemia, assim como o não pagamento da dívida pública do estado e do país com o imperialismo.

Mas também seguir o exemplo da luta anti-racista nos EUA e levar adiante uma batalha pelo fim de todas as policias, pois não fazem parte da nossa classe, e sim existem para conter ódio das negras e negros que são explorados brutalmente por esse sistema.

Por isso também que é importante dizer que a CUT, controlada pelo PT, dirige uma série de sindicatos e não tomou nenhuma ação no sentido dessas demandas essenciais para responder ao desemprego, pelo contrário. Em todo o país se recusou a expressar qualquer medida mínima de solidariedade à paralisação de entregadores, quando na verdade deveria estar batalhando para unificar os informais, terceirizados e precarizados com os trabalhadores formais.

Como faz em todo o país, aceita e negocia com os patrões a MP da Morte de Bolsonaro, como se de fato fosse qualquer garantia de emprego. A realidade provou que não!

A CUT que dirige o sindicato de rodoviários de Natal, impôs aos rodoviários que entraram em forte greve na última semana que aceitassem uma “trégua” e retomassem a circulação de ônibus, enquanto Fátima e Álvaro Dias davam uma série de concessões às máfias dos transportes. Enquanto isso, o plano de saúde, o vale alimentação e o emprego de milhares de cobradores seguem ameaçados, inclusive com motoristas se contaminando e morrendo sem EPIs adequados, como na Linha B de Natal.

Isso por que a CUT está aceitando a política pro patronal nos estados onde o PT governa e nacionalmente não sai de quarentena para colocar os trabalhadores para enfrentar com o governo Bolsonaro, se aliando à raiva anti-racista e anti-fascista que tomou o país. Não fizeram nenhum chamado paralisação internacional dos entregadores marcada para essa quarta-feira, 1 de Julho, que a exemplo dos Metroviários de SP, deveriam estar sendo convocadas greves e inúmeras ações de apoio a essa paralisação fundamental.

A única saída para a tragédia que é o governo Bolsonaro para a vida e os empregos dos trabalhadores, das mulheres, dos LGBTs e dos negros, é unificando a maior força que temos no país para impor um Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, que é a força da classe trabalhadora. Com isso, podemos botar em cheque a política pró-empresarial dos governos de “oposição” ao Bolsonaro, como Fátima, e do STF, que se diz defensor da democracia, mas chega aprovando a lei de terceirização irrestrita.

Por isso que nós do Esquerda Diário Nordeste chamamos a todos que querem derrotar o governo Bolsonaro e todo esse regime podre a serviço dos capitalistas a batalharem conosco por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, única via para botar em cheque todas as regras desse regime escravista e que pode dar uma resposta de fundo à pandemia, ao desemprego, para dar um fim a essa polícia racista, avançando contra esse regime democrático decadente no nosso país.




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