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Família Maldonado: “Vamos insistir em uma investigação independente e imparcial”

A família Maldonado, que reconheceu recentemente o corpo sem vida do ex-desaparecido Santiago, respondeu à negativa do juiz Gustavo Lleral de incorporar um grupo de peritas independentes à investigação do caso. “Vamos apelar essa decisão”, afirmam.

sexta-feira 10 de novembro| Edição do dia

“Vamos insistir em uma investigação exaustiva, efetiva, independente e imparcial”
A família Maldonado respondeu à negativa do juiz Gustavo Lleral de incorporar um grupo de peritas independentes à investigação do caso. “Vamos apelar essa decisão”, afirmam.

Na manhã de ontem, 09, se conheceu que o juiz a cargo da causa pelo desaparecimento e morte de Santiago Maldonado, Gustavo Lleral, rechaçou o pedido realizado pela família do jovem de incorporar um grupo de peritas independentes à investigação do caso. Pedido que a família vem impulsionando desde o dia 7 de agosto ante o Poder Executivo e Judicial.

Os Maldonado responderam essa negativa mediante um comunicado em sua página oficial.

O Esquerda Diário reproduz e difunde o comunicado:

“Pedimos para saber a Verdade e obter Justiça: uma investigação independente, imediata e exaustiva.

No dia de ontem, o Juiz Lleral rechaçou nosso pedido de incorporar um grupo de peritas independentes à investigação do caso, pedido que viemos impulsionando desde o dia 7 de agosto ante o Poder Executivo e Judicial. Se adjunta ao presente o texto completo de sua resolução.

Nessa causa, os auxiliares da justiça (como define o juiz Lleral) são forças de segurança que dependem de um mesmo Ministério. Ainda que a Polícia Militar tenha sido apartada da investigação, na própria resolução o juiz menciona vários pontos questionáveis na tarefa levada a cabo até o dia de hoje. O juiz inverte o sentido do peticionado e afirma que serão processados se cometem delitos.
Nos perguntamos se é necessário correr esse risco quando um corpo de peritas independentes se ofereceu para colaborar com o juiz na busca de Justiça. Sustentar a negativa segue parecendo infundado.

Não pedimos mais que uma investigação independente, imediata, exaustiva. A ONU nos acompanhou na iniciativa e colocou à disposição um grupo interdisciplinário e independente. Não limitamos o pedido a esse grupo: também poderiam se convocar peritas de forças de outras províncias e de corpos de investigadores judiciais, de universidades federais, colégios profissionais, entre outros exemplos.

Nos preocupa, além disso, a demora em aceitar essa ajuda, porque os peritas que nos acompanham foram os únicos que aportaram colaboração essencial ao progresso da investigação e ainda estão pendentes medidas chaves (investigação pericial do leito e zona circundante à descoberta do corpo; localização de testemunhas presenciais que ainda não declararam; preparação de documentação e guia prévio a reconstrução do acontecimento – planimetria sobre a base de diferentes versões –, entre outras).

Vamos reiterar esse pedido nas instâncias superiores, porque acreditamos que só dessa forma poderemos saber o que aconteceu com Santiago e quem são os responsáveis penal, política e administrativamente.

Não coincidimos com o Sr. Juiz nas suas conclusões sobre uma eventual perda de poder soberano do Estado Nacional por aceitar a colaboração de peritas em uma investigação que, sem dúvidas, não foi exemplo. Existem circunstâncias objetivas, mencionadas por Lleral na primeira parte de sua resolução que inclusive aconselham a colaboração de investigadores independentes. Não se trata de desconhecer o trabalho da Justiça local, e sim, pelo contrário, de hierarquizar seu papel e fortalece-la.

Também não pedimos que se substitua as forças de segurança nacionais envolvidas na investigação, e sim que as complemente e acompanhe, para evitar que investiguem a si mesmos. É uma diferença importante com as conclusões do Juiz.

Não concordamos que a Justiça tenha dado as respostas necessárias no momento indicado. A remoção do juiz anterior assim acredita, sem necessidade de maiores comentários.

Como adiantamos, vamos apelar dessa decisão e insistir no que estamos pedindo uma e outra vez: uma investigação exaustiva, efetiva, independente e imparcial.
É nosso compromisso com Santiago: conhecer a Verdade, obter a Justiça.
#JusticiaPorSantiago”




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