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Faleceu mais um imprescindível: Quique, amigo e camarada, até o socialismo sempre!

Na manhã de hoje tomamos ciência do falecimento de um grande companheiro, Quique Ferreyra, revolucionário socialista, trabalhador do Estaleiro Rio Santiago. A notícia chega quando ainda tentamos lidar com a perda de outro grande amigo e camarada como Miguel Lago.

terça-feira 12 de janeiro| Edição do dia

Conheci o Quique militando em secundaristas de La Plata no MAS no ano de 1987 quando comecei militar, um ano antes da decisiva luta política com o centrismo oportunista da direção do MAS daquela época e que levou à formação do PTS em 1988. Quique dirigia o trabalho inicial que tinha sido aberto em secundaristas, num momento em que dezenas de estudantes secundaristas abraçamos as ideias revolucionárias. Quique, junto a outros companheiros e companheiras, começamos a dotar-nos das primeiras armas teóricas e políticas e educando as novas camadas de militantes nos princípios elementares da luta pela independência política dos trabalhadores.

Entre as diversas experiências e lutas que travamos esses anos, lembro uma discussão muito dura que tivemos com Quique sobre a importância das cotizações para uma organização que se reivindicava operária e socialista e que por tanto dependia para sua existência das contribuições de todos e cada um dos militantes. A discussão foi tão dura que na reunião posterior, com um pouco de autocritica, Quique disse “se não se quebraram com essa discussão, vocês não vão quebrar mais”, o que roubou alguns sorrisos. Mas hoje olhando na distância do tempo, estava certo, vários presentes na discussão nos fizemos mais “troskos”, mais revolucionários e mais sérios na luta pelas ideias que queríamos e afirmávamos defender.

Depois dividimos juntos a luta política para defender o internacionalismo militante contra o stalinismo que caia na ex URSS, e que a direção do velho MAS, hoje no MST e IS, afirmavam via Izquierda Unida. A luta política pela defesa do internacionalismo, da independência política dos trabalhadores, na qual tiveram um papel destacado os trabalhadores do Estaleiro Rio Santiago, com Montes, Titin, Lago, Quique e muitos outros foi decisiva para levantar as fundações de uma nova organização política disposta a levar adiante o legado do marxismo revolucionário que hoje se expressa no PTS e mais em geral na Fração Trotskista pela Quarta Internacional.

Lembro a Quique na primeira linha na defesa física de nossos companheiros frente ao reacionário ataque realizado pelo MAS na estação de La Plata em 1989 colocando nada menos do que o corpo e a convicção em nossas ideias frente a um ataque realizado com maldade e distante da tradição do marxismo e do movimento operário revolucionário. Esse corajoso e decidido comportamento era uma das características do Quique em cada um dos combates decisivos que ao longo de anos tivemos que dar.

Despedimos a dois grandes revolucionários, Miguel Lago e Quique Ferreyra, com uma grande dor mas com a vontade duplicada de contribuir com esse projeto que é construir uma direção que não trema na luta contra o imperialismo e o capitalismo, um partido e uma direção na qual a luta pelo socialismo seja o conteúdo moral de nossas vidas.

Até o socialismo sempre querido amigo e camarada!




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