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Faísca e Pão e Rosas para os estudantes da EBA UFMG: participemos das eleições para o nosso DA nos dias 18 e 19 de junho!

Hoje e amanhã acontecem as eleições para a próxima gestão do Diretório Acadêmico da Escola de Belas Artes da UFMG. Nós, da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas, convocamos todas e todos estudantes da escola a participar deste processo de nossa entidade, para tomá-la em nossas mãos como um instrumento da luta contra os ataques do governo Bolsonaro.

terça-feira 18 de junho| Edição do dia

Hoje e amanhã acontecem as eleições para a próxima gestão do Diretório Acadêmico da Escola de Belas Artes da UFMG. Nós, da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas, que recentemente construímos junto a independentes a Chapa 4 São Eles ou Nós, pela qual elegemos um delegado para o Conune, convocamos todas e todos estudantes da escola a participar deste processo de nossa entidade, para tomá-la em nossas mãos como um instrumento da luta contra os ataques do governo Bolsonaro.

Após um processo antidemocrático, conquistamos o direito de eleger nossa próxima representação no DAEBA. Fomos linha de frente junto com vários estudantes batalhando pela existência de um processo eleitoral democrático em que os estudantes tivessem a oportunidade de participar, desde a criação de chapas até a votação, e acesso às propostas e posicionamentos da(s) chapa(s) concorrente(s) e suas concepções sobre a entidade, para eleger uma gestão conscientemente. Hoje esse processo eleitoral está ocorrendo, ainda que haja muito o que avançar para alcançar e envolver desde a base dos estudantes.

Nos últimos meses se desenvolveram grandes manifestações contra Bolsonaro, com protagonismo da juventude, e uma greve geral de trabalhadores que, apesar de expressiva, não foi suficiente para barrar a reforma da previdência e os ataques às universidades. Para derrotar Bolsonaro e todo o plano do golpe de 2016, os estudantes mostraram disposição para lutar e decidiram que não irão escolher entre estudar e trabalhar até morrer.

Neste cenário, os estudantes podem ser parte da construção de uma resposta revolucionária aos planos de Bolsonaro e do imperialismo, de maneira que sejam os capitalistas a pagar pela crise. Entendemos que é a serviço disso que deve estar nosso diretório acadêmico e nossas entidades estudantis.

O processo eleitoral do DAEBA estava afastado dos estudantes, da conjuntura, e dos desafios que temos frente a um governo tão reacionário, sem debater as mobilizações e o papel que podemos ter nos unindo à classe trabalhadora para impor, pela luta, que nosso futuro não seja destruído nem negociado. Por isso decidimos não concorrer à direção do DA com uma chapa, pois consideramos que toda entidade deve necessariamente estar ligada à base dos estudantes, defendendo cada um de seus direitos frente às diretorias e reitorias, devendo ser uma ferramenta para os estudantes atuarem também em processos de mobilização como o recente. Portanto, precisamos buscar nos ligar aos estudantes desde a base, para que um setor cada vez mais amplo destes seja sujeito dos processos políticos de suas entidades.

E para seguir esses objetivos, participamos de todo o processo de eleição e convocamos a todas e todos os estudantes a participar, hoje e amanhã, das eleições para o DAEBA. E seguimos apresentando nossas ideias, pois estaremos em constante diálogo com a próxima gestão, fazendo sugestões e críticas para a melhora de nossa entidade.

Defendemos as universidades contra todos os ataques do Bolsonarismo e do golpismo institucional, mas não nos contentamos com como elas são. Sabemos que as universidades refletem as condições estruturais de racismo e exclusão presentes na nossa sociedade. E que, para acabar com esses problemas, é preciso levantar bandeiras com respostas também estruturais a essas condições. Lutamos contra qualquer retrocesso nas leis de cotas, e acreditamos que é preciso ir além, lutando por cotas proporcionais à população negra e indígena de MG, rumo ao fim do vestibular e à estatização das universidades particulares, de maneira que toda a juventude tenha o direito de estudar sem pagar, a partir da ampliação das vagas do ensino superior público conforme a demanda.

Na crise que está colocada, sabemos que o primeiro setor a ser atacado nas instituições públicas, são os trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas, em sua maioria mulheres negras, que sustentam estas universidades em condições precárias de trabalho. Já vemos uma série de demissões e aumento da precarização do trabalho do pessoal da limpeza, com a redução da metade do efetivo da EBA e jornadas ainda mais extenuantes para os que escapam às demissões. Contra essa exploração, defendemos a recontratação imediata dos trabalhadores e trabalhadoras demitidos e a efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, afinal, já realizam há tempos o trabalho do qual as instituições tanto dependem.

Sabemos que querem colocar nas costas dos estudantes e dos trabalhadores o peso da crise criada por eles, os capitalistas. Queremos dialogar com todos os estudantes, com todos aqueles que estão preocupados com sua formação e seu futuro enquanto professores-artistas, que são parte dessa juventude que se ergue em vários lugares do mundo como França, Argélia e Sudão, como na Argentina no ano passado, em defesa de uma vida digna. É com essa perspectiva que queremos construir uma entidade de luta, com a força de cada estudante. Lutando por um movimento estudantil anti-burocrático, anticapitalista e aliado aos trabalhadores: contra Bolsonaro, a reforma da previdência e por justiça por Marielle e Anderson. Jamais esquecemos destes nomes em nossos gritos, assim como nunca esqueceremos Mestre Moa do Katendê, Laysa Fortuna, Karolyne Nunes, Charlione Lessa e Evaldo Roda dos Santos, alvejado com 80 tiros pelo exército racista, com o aval de Sérgio Moro e seu pacote “anti crime”. Presentes em nossas lutas!

Batalharemos para que nas próximas eleições possamos ter a proporcionalidade como princípio da entidade (o que significa que todas as ideias que disputarem as eleições poderão ter representação na gestão conforme a quantidade de votos que receber). Desta forma as diferentes opiniões – como são hoje as da Faísca e do Pão e Rosas se comparadas às das correntes Afronte/PSOL e MUP/UJC/PCB, que estão na chapa única “Criar&Lutar” para o DAEBA – podem estar representadas de forma que, por assembleias democráticas e deliberativas, os estudantes decidam a cada momento necessário as diretrizes da entidade. Apesar de não concordarmos com a falta de elucidação das posições da chapa concorrente quanto ao tão grave cenário político atual, ou mesmo a falta de propostas quanto à assistência estudantil, às questões estruturais da Escola, além de sermos contra propostas como a criação de empresas júnior, votaremos Criar&Lutar de forma absolutamente crítica, pois legitimamos este processo de eleições e a batalha dos estudantes para que ele acontecesse.




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