Juventude

Faísca USP discute eleições municipais e a perspectiva na luta: o Paraná é nosso exemplo

Esse texto é fruto das discussões realizadas numa reunião da Faísca USP na última semana. E busca abordar um balanço das eleições municipais e nossa intervenção no processo. E a partir desse balanço apontar perspectivas para o próximo período como a luta desde uma perspectiva anticapitalista contra os ataques de Temer e os golpistas.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 24 de outubro| Edição do dia

A crise econômica, politica e social, pela qual passamos abre questionamentos de ordem política e espaço para novas formas de pensar e sentir. As eleições desse ano foram expressão disso. Ao contrário do que setores petistas vem tentando espalhar pra justificar sua grande derrota nas eleições, isso não foi criado por conta de uma onda conservadora. O que podemos perceber a partir dos resultados eleitorais foi que houve sim um fortalecimento do PSDB na superestrutura política, principalmente da ala Alckmin-Dória, direita que o PT, além de não combater, ajudou a alimentar em todo o seu período de governo. A derrota eleitoral do PT demonstra nada menos que a falência de seu projeto de conciliação de classes.

O PSOL conseguiu em parte capitalizar como expressão distorcida o sentimento de busca por uma alternativa a esquerda do PT, principalmente com Freixo no Rio. Outra expressão dessa busca foi a enorme quantidade de votos nulos, brancos e abstenções, ainda que seja preciso ter consciência de que nem todos esses votos são expressão desse sentimento a esquerda.

Os resultados eleitorais dos candidatos do MRT, apoiados pela juventude Faísca, demonstram como existe um espaço aberto para as ideias anticapitalistas e revolucionárias. A expressiva votação que tiveram, superando nossas expectativas, nos faz pensar que existem inúmeros jovens que podemos alcançar e apresentar a Faísca e a nossa perspectiva de se organizar e travar uma luta anticapitalista contra os ajustes e ataques dos golpistas, em combate com a adaptação e passividade das grandes entidades subordinadas ao PT, como UNE, UBES, CUT e CTB, que fazem apenas ações midiáticas em vez de organizar a luta pela base, com assembleias, paralisações e ações coordenadas.

Sabemos que a atuação da esquerda nas eleições é uma ferramenta e não um fim em si mesmo, como muitos setores creem. Não se alcança o fim das opressões, da exploração e de toda miséria que esse sistema nos impõe pura e simplesmente pela via parlamentar, por dentro da democracia burguesa, mas sim com milhares nas ruas. Ter isso em vista e utilizar esse espaço para impulsionar essa mobilização e como forma de expandir ideias anticapitalistas mostrou como é importante uma atuação revolucionária nesse espaço.

Foi com esse caráter que levamos essa campanha e é isso que continua nos norteando daqui pra frente. A tarefa agora é alcançarmos todas essas vozes anticapitalistas que, ainda que com certos limites, acreditaram em nosso programa e votaram nele. É, como sempre fizemos, continuar nas ruas, nas ocupações, nas greves, agora ao lado dos estudantes que ocupam mais de 1000 escolas em todo o país contra a PEC do fim do mundo e a reforma do ensino médio dos golpistas.

Os secundas do Paraná são exemplo. É primordial hoje que toda a esquerda preste apoio a essas ações, com uma forte campanha de solidariedade aos lutadores do Paraná que estão ocupando quase mil escolas contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio e siga esse incrível processo de luta como exemplo a ser levado para todo país. Desde a Faísca e os centro acadêmicos que fazemos parte queremos impulsionar uma ampla campanha de solidariedade aos secundaristas do Paraná e todas as ocupações contra os ajustes e ataques do governo golpista. Colocando também essa perspectivas nas batalhas eleitorais que estão por vir, agora para alguns Centros Acadêmicos e o DCE Livre da USP.

Convidamos a todos os jovens que se interessam por essas ideias a vir fazer parte dessa luta conosco e a construirmos juntos uma grande força anticapitalista capaz de barrar os ataques das reitorias, do governo golpista de Temer e de todos os governos.




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