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Facebook: e-mails de Zuckerberg e diretores da empresa revelam venda de dados de usuários

Em mais um escandaloso episódio de violação à privacidade dos usuários, Parlamento Britânico publicou 250 páginas de e-mails nos quais Zuckerberg e outros diretores discutiam como faturar com os dados de usuários que possuíam, cobrando de algumas grandes empresas o acesso a essas informações.

quinta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O comitê do Parlamento Britânico encarregado de investigar os casos de escândalo da Cambridge Analytica, das Fake News e manipulações eleitorais publicou dezenas de e-mails e documentos internos da empresa entre 2012 e 2015 que debatiam como poderiam se beneficiar com a venda do crescente número de informações e dados de usuários que a empresa dispunha.

Mark Zuckerberg se recusou a depor na semana passada em Londres sobre esses documentos, que estão sob segredo de justiça nos EUA. Estes documentos são de uma ação judicial movida contra o Facebook pela empresa “Six4Three”, que desenvolve aplicativos e alega desde 2015 que as políticas de dados da rede social violavam as “práticas concorrenciais” e favoreciam certas empresas. Após fechar o acesso aos dados para outros desenvolvedores em 2014/2015, o Facebook ainda permitiu acesso para grandes companhias como Airbnb e Netflix entre outras.

Segundo Damian Collins, presidente do comitê do Parlamento, não está claro como se decidiu quais empresas continuariam ou não a ter acesso aos dados e qual o nível de transparência dessa coleta para com os usuários da rede social. O Facebook nega ter dado preferência a essas empresas e ter vendido dados de usuários e seus amigos, apesar de não contestar a veracidade dos documentos.

Esse é mais um episódio que evidencia a maneira como o Facebook e outras empresas do gênero violam constantemente a privacidade dos seus usuários sem consentimento, transformando as redes sociais em grandes empresas de coleta e manipulação de dados. É importante entender não só a ingerência comercial do Facebook em relação aos dados dos usuários de suas redes sociais como o uso político desses dados, que conscientemente privilegia empresas e projetos políticos (de direita e extrema-direita) a partir da utilização destes para um mapeamento e manipulação da opinião pública.

Esse tipo de uso político ficou claro nos escândalos da “empresa de consultoria” Cambridge Analytica, que coletou dados e mapeou as contas de mais de 50 milhões de pessoas para traçar perfis “psicológicos” que serviam para direcionar anúncios e conteúdos que influenciassem os usuários de maneira efetiva, usando também do mecanismo de Fake News para esse “convencimento”.

Esse “método” foi usado nas eleições presidenciais norte-americanas favorecendo o republicano Trump, no êxito do “Brexit” e inclusive nas recentes eleições presidenciais brasileiras que levaram à vitória do reacionário Jair Bolsonaro, denúncia que foi ignorada pelo judiciário em mais uma forma, dentre outras tantas utilizadas, para manipular o processo eleitoral no país.




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