Mundo Operário

TRABALHADORES PEPSICO

Façamos uma grande campanha no Brasil em apoio à luta de Pepsico na Argentina

Frente a grande luta dos trabalhadores da PepsiCo na Argentina, é importante que toda a esquerda brasileira uma forças em aprofundar a campanha de solidariedade, tanto pelo papel que pode cumprir em ajudar a que vença a luta contra as demissões, mas também porque serve como exemplo e estímulo aqui no Brasil para enfrentar as demissões, para que se unifique forças ao redor de lutas decisivas e que possamos mostrar que é possível derrotar as reformas com uma luta decidida.

Marcelo Tupinambá

São Paulo

sábado 22 de julho| Edição do dia

Os índices de desemprego já atingem 14 milhões de pessoas no Brasil e perante a crise os capitalistas e seus governos querem que sejam os trabalhadores e a população quem pague por ela. Por isso que reformas como a trabalhista recém aprovada no Brasil, que rasga a CLT é vista com bons olhos para outros governos de direita como o de Macri na Argentina.

Porém, se a reforma trabalhista passou com a traição as grandes centrais como no Brasil, na Argentina, os trabalhadores da Pepsico estão dando um exemplo que fortalece a luta contra os ataques desses governos e dos empresários, ao fazerem uma luta que inclusive a grande mídia reconhece que atrasou os planos de implementação na Argentina da reforma trabalhista.

Saiba mais em: Operários-argentinos-comprovam-a-luta-pode-frear-a-reforma-trabalhista

A luta de Pepsico, contra 600 demissões que querem impor com o fechamento de uma de suas plantas, já se transformou em um exemplo e uma causa popular na Argentina. Os trabalhadores foram muito ativos desde o primeiro momento, não aceitando a política da empresa de demitir e somente negociar uma indenização. Se organizaram pela base e protagonizaram uma série de manifestações de rua, bloqueio de outras plantas da Pepsico para afetar a empresa e uma ocupação da fábrica.


Assembléia dos trabalhadores

A resposta da patronal, da justiça e do governo foi com uma dura repressão para desocupar, mas os trabalhadores resistiram bravamente, transformando a Batalha de Pepsico num fenômeno nacional, com centenas de trabalhadores e apoiadores à frente da fábrica resistindo junto aos operários. Isso levou a que o operativo policial durasse 8 horas e que fosse transmitido ao vivo em todo o país, com analistas dizendo que chegou a 20 milhões de pessoas, ou seja, metade do país. Aprofundou o que vinha ocorrendo da luta ganhar importância nos grandes meios de comunicação e obrigar todo o mundo político a se pronunciar e criar melhores condições para a luta.


Apoio das "Madres de Plaza de Mayo"

Nesse processo também vem se destacando o papel das mulheres trabalhadores, se colocando na linha de frente do conflito. Levantando pautas das mulheres, como a igualdade de salário e direitos aos homens, e se colocando ombro a ombro com os trabalhadores, combatendo o machismo que só serve para os interesses da patronal para dividir e explorar mais toda a classe trabalhadora.

A CGT, principal central sindical peronista, através de Daer, um dos principais sindicalistas burocráticos do país, depois de se negar a apoiar a luta, teve que sair à público chamando um ato em apoio, ainda que o fez sem paralisação e somente para 22/8, ou seja, seguindo sua linha de não apoiar efetivamente a luta. O peronismo argentino teve que passar a se pronunciar mais amplamente em apoio, no marco de que Cristina Kirchner segue com sua linha de apresentar-se como moderada para que nas eleições que ocorrerão nos próximos meses alcance uma base mais conservadora e aliados burgueses. Macri interviudiretamente na desocupação, junto à Ministra da Segurança Patricia Bulrich e outros setores do governo, e agora na grande mídia se discute o impacto negativo que terá nas eleições que virão agora.


Ato dos 30 mil

Um ato com 30 milocupou as ruas contra as demissões, mobilizando um amplo espectro da esquerda argentina, como parte de uma nova jornada nacional de luta que impactou nacionalmente. O ato terminou com a instalação de um acampamentona porta do Congresso Nacional, que se transformou num novo centro de organização da luta, que agora abre uma nova etapa.

Vídeo do ato - DRONE-A-massiva-marcha-por-PepsiCo-vista-do-céu

Nessa luta, cumpre um papel decisivo o PTS (organização irmã do MRT), que dirige a comissão interna da fábrica, com Camilo e Catalina à frente. Colocou todo o peso de suas figuras parlamentares, com Nicolás del Caño e Myrian Bregman à frente, assim como todo seu trabalho no movimento operário e estudantil do país em campanha de solidariedade, por exemplo mobilizando mais de 500 na porta no dia da desocupação, sem o que seria impossível tamanha resistência e repercussão.

Com essa força o PTS atua para construir uma grande força de esquerda organizada em centenas de fábricas, escolas, bairros e faculdades que possa contribuir na difícil tarefa de impor uma frente única aos dirigentes dos grandes sindicatos para resistir aos ataques e preparar uma ofensiva contra os empresários e os governos que servem a seus interesses.

Por isso que nossa batalha lá, e aqui no Brasil, é para ampliar ao máximo o apoio à luta e vem sendo importante o apoio da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, por sua sigla em espanhol, composta pelo PTS, o Partido Obrero e pela Izquierda Socialista) e de diversas outras organizações. Esse apoio vem se ampliando cada vez mais, como se expressou no ato massivo.

Enquanto organização internacional, nós da Fração Trotskista, estamos impulsionandouma campanha internacionalista de apoio e batalhando por ampliar ao máximo. Em diversos países, está se ampliando a cada dia a solidariedade, chegando inclusive a personalidades de peso como o cineasta Ken Loach. Como MRT e nossa Rede Internacional do Esquerda Diário, em 11 países e 5 idiomas, estamos colocando nossos esforços para ampliar qualitativamente a campanha.


Diretor de cinema Ken Loach

A luta começou a repercutir nacionalmente, com publicações na Carta Maior, Brasil de Fato, no Esquerda Online, da CSP-Conlutas e outros sites.

Debate: PepsiCo-a-resistência-e-os-desafios-da-esquerda

Mas é importante que toda a esquerda brasileira uma forças em aprofundar a campanha de solidariedade, tanto pelo papel que pode cumprir em ajudar a que vença a luta contra as demissões, mas também porque serve como exemplo e estímulo aqui no Brasil para enfrentar as demissões, para que se unifique forças ao redor de lutas decisivas e que possamos mostrar que é possível derrotar as reformas com uma luta decidida, como nossos irmãos argentinos estão fazendo, barrando efetivamente a reforma trabalhista que o governo queria implementar agora. Se nossos irmãos argentinos derrotam os planos de ataque dos patrões e do governo, isso fortalece muito nossa luta aqui no Brasil também.


Todo apoio à luta da Pepsico!

Por uma grande campanha internacionalista de solidariedade!




Tópicos relacionados

PepsiCo   /    Reforma Trabalhista   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar