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FRANÇA | Em Assembleia Geral, estudantes renomeiam universidade ocupada para Instituto Clément Méric

Adentrados na luta, após uma ocupação e um bloqueio, os estudantes mobilizados decidiram em Assembleia Geral (AG) renomear a Universidade de Ciências Políticas (Sciences Po), em Paris, para Instituto Clément Méric. O estudante e militante foi assassinado aos 19 anos em 2013 por membros das Juventudes Nacionalistas Revolucionárias, um grupo de extrema direita fascista. Abaixo, retranscrevemos o comunicado dos estudantes mobilizados.

quinta-feira 19 de abril| Edição do dia

Nas faixas, pode ser lido: Instituto Clément Méric e Aqui são formados aqueles que selecionam; Bloqueemos a fábrica de elites

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COMUNICADO DA ASSEMBLEIA GERAL DA SCIENCES PO EM LUTA SOBRE A RENOMEAÇÃO DE NOSSA UNIVERSIDADE PARA INSTITUTO CLÉMENT MÉRIC

Hoje, a Assembleia Geral da ocupação decidiu renomear a ocupação da Sciences Po para Instituto Clément Méric.

Clément está sempre em nossos corações, em nossas lutas.

Clément Méric foi um estudante da Sciences Po, militando na federação Estudantes Solidário(a)s (Solidaires Étudiant-e-s) e na organização política Ação Antifascista da Periferia de Paris (Action Antifasciste Paris-Banlieue). Em 5 de junho de 2013, cinco anos atrás, nosso camarada foi assassinado por membros das Juventudes Nacionalistas Revolucionárias (Jeunesses Nationalistes Révolutionnaires), um grupo de extrema direita fascista.

No ano presente, ocorrerá o inquérito judicial de seus assassinos e, em particular, de Esteban Morillo e Samuel Dufour, acusados de violência resultando em morte cometida junto com circunstâncias agravantes (uso e ameaça com arma de fogo).

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Deste inquérito, nós esperamos que a verdade seja dita publicamente em relação às circunstâncias da morte de Clément e que seja dito claramente de que tratou de um crime político. O discurso midiático dominante trata a morte de Clément como resultado de um infeliz acaso resultante do encontro aleatório de dois grupos que compartilhavam a mesma cultura da violência: nós afirmamos que não, os extremos não se comparam. Colocar ao mesmo nível racistas e antirracistas, homofóbicos e defensores das liberdades, fascistas ou neonazis e antifascistas, é ser conveniente com o ódio e com a violência gratuita.

Por isso, as e os ocupantes da Sciences Po decidem não somente homenagear aos valores e combates de Clément Méric, mas principalmente os fazer vivos e mostrar aos fascistas de todos os cantos que eles não são bem-vindos, particularmente no contexto atual de repetitivas agressões fascistas ocorrendo em diversas faculdades na França. Nós afirmamos alto e forte que nós não vamos tolerar, “nem esquecer, nem perdoar”. E decretamos a necessidade de manter viva a memória de nosso camarada através de nossas lutas.

A morte de Clément não deve permitir que esqueçamos o conjunto de vítimas de agressões fascistas e, em particular, todas as pessoas não-brancas que são as primeiras vítimas da ideologia de extrema direita. Podemos citar especialmente Ibrahim Ali, assassinado aos 17 anos por causa de sua cor de pele por militantes da Frente Nacional (Front Nacional – Partido político francês de extrema direita), e também Habib Grimzi, vítima de crime racista pelos candidatos da Legião Estrangeira (Légion Étrangère – Unidade militar francesa).

O Estado frequentemente se apressa para condenar estes assassinatos, mas não somos ingênuos: os seus agentes são igualmente culpados de crimes racistas e, portanto, nós apoiamos as lutas das famílias de Zyed Benna, Bouna Traoré, Adama Traoré, Amine Bentounsi e tantos outros. Da mesma forma, pensamos em todo(a)s exilado(a)s vítimas das políticas racistas de imigração do Estado Francês e da União Européia. É, portanto, em memória de Clément, mas também de todas as vítimas dos fascistas, da polícia e do racismo sistêmico que nós renomeamos nossa ocupação Instituto Clément Méric.

O tempo passa, a raiva permanece: Clément e todo(a)s os outro(a)s vivem em nossas lutas.

Tradução: Lina Hamdan

Veja aqui postagem do comunicado pela página Sciences Po en lutte no Facebook.




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