Economia

FMI prevê queda histórica de 9,1% do PIB no Brasil, avançando a miséria no país

Segundo a última projeção do Fundo Monetário Internacional, a queda no PIB brasileiro será ainda maior do que na última previsão de abril, segundo a qual a queda seria de 5,3%. A queda projetada para o PIB neste ano é a pior dos últimos 120 anos.

quinta-feira 25 de junho| Edição do dia

À situação de débil recuperação econômica do pós crise de 2008, com a economia mundial já mostrando sinais de uma nova recessão iminente, veio se somar a pandemia do coronavírus, crise sanitária que se sobrepôs à crise econômica e também política em diversos países, criando uma situação de milhares de mortes e aumento da piora das condições de vida de boa parte da humanidade, que se viu com salário reduzido ou demitido.

Em todos os países ao redor do mundo os Bancos Centrais vêm implementado pacotes trilionários de ajuda às grandes empresas, enquanto estas vêm diminuindo cada vez mais seu quadro de trabalhadores. No Brasil de Bolsonaro, temos o agravante de além termos um governo ultra neoliberal, com Paulo Guedes à frente, termos um negacionista na presidência que não reconhece nem mesmo as medidas elementares de isolamento social, preferindo contar os mortos.

Na previsão do FMI os países emergentes teriam menor queda do PIB em relação aos países desenvolvidos, mas o Brasil tem taxas de queda próximo ao dos países ricos. Com as medidas fiscais anunciadas pelos países, que somam mais de 10 trilhões de dólares, o FMI estima que a dívida bruta global deverá chegar a 101,5% do PIB neste ano. No caso do Brasil o Fundo estima que a dívida pública neste ano e no ano que vem ultrapassará a marca de 100% do PIB, isto para um país no qual o endividamento já era considerado alto em relação aos outros países emergentes.

Em relação as enormes mazelas trazidas a população por conta da sobreposição de crises, o governo Bolsonaro vem respondendo com medidas como a MP 927 e MP 936, que prevê a suspensão do contrato de trabalho por 4 meses sem salário, e estabelece a redução proporcional de jornada de trabalho e de salários. MP 936 que quando aprovada foi comemorada pelas centrais sindicais, como CUT e CTB, além de ser louvada como “uma conquista” por estes grupos, por supostamente “defender o empregos”, o que se vê na prática que não acontece. E também com o plano “Pró Brasil”, liderado por Braga netto, à contra gosto de Guedes, plano que promete reaquecer a economia a partir de investimentos públicos, mas que os próprios economistas sabem que será insuficiente para o nível de crise que está colocado.

A resposta para resolver esta crise na classe trabalhadora. O que deveria ser a primeira medida para lidar com a crise sanitária, é a garantia de testes massivos e EPIs para todos os que tivessem que ser obrigados a continuar trabalhando. Para além destas medidas se faz necessário também que nenhuma demissão seja permitida, garantindo a manutenção dos empregos já existentes, sem nenhuma redução na jornada com redução de salário. Para os desempregados, um auxílio de 2 mil reais, ao invés do insuficiente auxílio de 600 reais promovido pelo governo.

Para que fossem garantidos todos os insumos necessários ao combate à crise sanitária, se faz necessária a reconversão industrial, esta que teria que se dar mediante o controle operário da produção, única forma de garantir que esses insumos fossem produzidos e que salvassem vidas, ao invés de salvar os lucros.

Como a explosão da fúria negra mostrou, é necessário nos apoiarmos na mobilização pra que sejam os capitalistas a pagarem por essa crise, conseguiríamos garantir a efetivação de todas estas medidas através do não pagamento da fraudulenta dívida pública, que puxa os recursos nacionais para a mão dos grandes monopólios imperialistas, a taxação das grandes fortunas, o monopólio do comercio externo e também a abertura do livro de contas das empresas, para que fosse comprovado a farsa que torna “justificável” a demissão de centenas de trabalhadores, como no caso recente da LATAM.




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