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FMI adverte sobre maiores riscos para a estabilidade financeira

Na mesma sintonia que as minutas da última reunião do FED lançadas semana passada, ontem desde o FMI publicaram um informe sobre a estabilidade financeira mundial, onde se remarca que “as turbulências nos mercados obedeceram aos reveses sofridos pelo crescimento, uma maior incerteza e uma perda de confiança”.

quinta-feira 14 de abril de 2016| Edição do dia

O informe adverte que no começo do ano os mercados reagiram sensivelmente ao complicado contexto mundial e descreve: “As bolsas mundiais despencaram; a volatilidade disparou; nas economias avançadas se falava cada vez mais em recessão, e os preços das ações bancárias se viram submetidos a renovadas pressões. Estes acontecimentos se deveram a uma maior preocupação pela capacidade das políticas para contrapor os efeitos de um aumento dos riscos econômicos e políticos”.
Sobre a estabilidade financeira, que se mantém “contida”, o FMI assinala: “a situação nos mercados parecer ter melhorado significativamente desde fevereiro, como consequência das notícias mais empolgantes procedentes do nível econômico assim como a intensificação das medidas de política do Banco Central Europeu e uma postura mais cautelosa da Reserva Federal dos Estados Unidos com respeito à decisão de subir as taxas de juros. AChina também tem redobrado seus esforços para reforçar seu marco de política e assim respaldar o crescimento e estabilizar a taxa de câmbio”.

As “metas” do FMI

No parágrafo intitulado “Políticas para superar três desafios em escala mundial” desde o organismo presidido por Christine Lagarde enumeram três “conselhos mágicos” para conseguir “políticas mais equilibradas e potentes para reduzir os riscos e respaldar o crescimento”.
Os três desafios preexistentes em escala mundial, a saber, do organismo são: os problemas herdados da crise nas economias avançadas, as elevadas vulnerabilidades nos mercados emergentes e os riscos sistêmicos de liquidez nos mercados.
1. “As autoridades nas economias avançadas devem abordar o legado da crise, especialmente os bancos, posto que estes desempenham um papel essencial no financiamento da economia”.
2. “As autoridades dos mercados emergentes necessitam reforçar sua capacidade de resistência aos fatores mundiais adversos. A forte queda dos preços das matérias primas tem agravado as vulnerabilidades tanto das empresas como das entidades soberanas... Após anos de crescente endividamento, as economias emergentes se encontram frente uma complicada situação que combina uma desaceleração do crescimento, um endurecimento das condições de crédito e uma maior volatilidade dos fluxos de capitais”.
3. “À medida que a saúde do setor empresarial vai se deteriorando, em especial nos países exportadores de matérias prima, é possível que se agudize as pressões sobre o refinanciamento, o que poderia provocar efeitos de contágio sobre a entidade soberana, dado que muitas das empresas mais débeis são propriedade do Estado. As reservas dos bancos são em geral adequadas em muitos mercados emergentes, mas o aumento dos empréstimos em mora poderia coloca-las à prova”.

China e política monetária

Para finalizar, o informe apresentado dias antes da reunião que começará quarta-feira entre membros do FMI, do G20 e do Banco Mundial, faz menção à situação da economia da China e ao desenvolvimento de políticas monetárias.
Com respeito a China sentencia que “pode administrar sua transição”, segundo o FMI as autoridades chinesas têm promovido reformas, mas a transição é complexa por natureza.
E continua: “Apesar dos avanços registrados em matéria de reequilíbrio econômico, a solidez das empresas chinesas está se deteriorando por causa da desaceleração do crescimento e a queda da rentabilidade, o quê se reflete no aumento da proporção de dívida nas mãos de empresas que não ganham o suficiente para cobrir seus pagamentos de juros”.
O informe estima que os empréstimos bancários à empresas potencialmente em risco na China poderiam se traduzir em perdas bancárias potenciais equivalentes a aproximadamente 7% do PIB.
Em relação à política monetária levada adiante pelos bancos centrais desde o fundo pedem “ir mais além”. Para o FMI “A política monetária segue sendo crucial, mas não pode ser a única ferramenta. É essencial levar à cabo reformas estruturaisbem concebidas e aplicar políticas fiscais de respaldo e favoráveis para o crescimento.Também devem se adotar políticas financeiras mais sólidas =, que aumentem mais a capacidade de resistência. Em escala mundial, deve se completar e se aplicar a agenda de reforma da regulamentação financeira, também para entidades não bancárias”.
Na semana passada o FMI reduziu suas perspectivas de crescimento mundial para a América Latina, desta vez seu informe aponta conseguir um plano mais integral de políticas desde os estados, os bancos centrais e controlando os perigosos endividamentos das empresas privadas. Este combo de políticas, que em muitas economias inclui planos de ajuste, tem sido provado em grande medida sem resultados exitosos, algumas delas explicam como a economia mundial se encontra à beira de uma segunda recessão global.

Tradução: Fabrício Barros




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