Cultura

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Exposição 4

terça-feira 25 de abril| Edição do dia

Como se fosse uma bola de pelos, um ranço, petróleo escuro e denso, lama toxica, matéria negra acumulada na garganta. É como se fosse uma bola de pelos, acumulada há tempos, em tempos anteriores a mim, exatamente quando tive que abaixar a cabeça para poderes, plásticos poderes, industrializado, os privilégios. Não é uma matéria anfíbia que tenho que engolir, não é biológico ou natural esse material sujo produzido e oferecido. Não, esse sabor de chumbo, esse gosto amargo, causador de amarguras, corrosivo, e gerador do sentimento de ser extremamente impotente.

Estou aqui tremendo, chorando – e até nesse, chorar, eu sinto o penso de ser julgado frágil e incapaz. Foi roubada de mim a fragilidade, foi escondida, me ensinaram a condena-la. Eu deveria ser forte, pois as coisas são assim. Guerreiro tem que ser majestoso, forte, viril. Guerreiro tem que está sempre de pé, disposto a ganhar mais uma batalha. Eu não estou sempre de pé, Eu não sou viril e nem majestoso. Eu não ganho todas as batalhas, afinal, vocês não desconfiam, mas eu batalho nu. Meus inimigos com seus carros, com o dinheiro, severos e embalados em poliéster, olham para minha genitália. São influentes, estudados, são ricos, exemplares e bondosos. Honram a moral e os bons costumes, essas mesmas coisas imateriais que podem matam, e se caso desconfia eu posso afirma, tem costumes que matam, tem moral que condena e dá força a assassinos ditadores. A tradicional forma de viver uma vida subjulgada, condenada e que constantemente tem que se adequar a dança essa dança fúnebre que nos levará diretamente a infelicidade e morte.

Eu não ganho todas as batalhas, sangro todos os meses e sou condenado. Eu não respeito suas doutrinas, eu condeno suas crenças assassinas e sanguessugas. Não engulo esse sêmen putrefato. Fico com esse bolo fecal preso na garganta. Eu vomito! Vomito todos os dias um pouco da minha revolta, não poderia ser diferente, pois mesmo derrotado, engolindo meu próprio sangue, com hematomas, feridas e pontos, eu vomito!

Sou apoiado, lavam o meu corpo, me alimentam e cuidam de mim, eu agradeço. E vomito mais uma vez, rejeito, contraio e expulso. Assim eu agradeço. Agradeço chorando em seu colo, agradeço abraçando você. Eu sou parte de um todo que quando não se apoia é destruído. Eu faço parte. Eu sou parte de um todo e assim, sou grato a esse povo, a esse todo.

Então apoiado pelos meus ancestrais, pelos que estão ao meu lado, levanto em todas as batalhas, respiro profundamente e encaro a próxima luta. Sou feroz em todas elas. E choro, sou frágil. Entro em campo de batalha muitas vezes para enfraquecer os exércitos inimigos, sabendo que provavelmente alguma lei, uma figura de poder, as barreiras da sociedade me forçaram a perde, mas eu enfraqueço o exercito inimigo e a próxima será mais próxima, até que a próxima será a vitoria, eu descansando em baixo da terra vou vibrar, pois essa será a nossa vitoria, que se seguirá na busca, pois a sociedade e o pensamento tem que evoluir.
Evoluímos maquinas, aprimoramos equipamentos, viajamos para cada vez mais longe, e precisamos evoluir o pensamento, modificar e aprimorar nosso convívio.
É como se fosse uma bola de pelos.

Texto: Marcelo Magalhães.Revisão: Samanta Tavarez Modelo: Kaerni Inreak. Desenho de Felipe Sumodjo




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