Política

REPRESSÃO

Exército e Alckmin admitem militar infiltrado em manifestação

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 19 de outubro| Edição do dia

O exército admitiu ter negociado com o Governador Geraldo Alckmin uma operação que envolveu acompanhamento de capitão em manifestação contra Michel Temer. A manifestação ocorreu no dia 04 de setembro e na ocasião 21 jovens foram presos em frente ao Centro Cultural São Paulo, antes de irem ao ato. O capitão do Exército, Willian Pina Botelho, se infiltrou entre os manifestantes com o nome de Balta Nunes. O Ministério Público Federal e o Estadual abriram investigação no mês passado para apurarem se a operação foi legal.

De acordo com o comandante - geral do Exército, general Eduardo da Costa Villas Boas, afirmou que não há preocupação a respeito da legalidade da ação.
De acordo com ele próprio "O primeiro aspecto a destacar que ele não estava infiltrado, estava acompanhando. Nós estamos muito tranquilos porque estamos absolutamente respaldados pela legislação e por medidas que haviam sido adotadas. Havia a situação dos Jogos Olímpicos, havia uma situação de segurança do presidente, estava tudo dentro deste contexto. Nós estamos tranquilos, cumprindo a nossa missão, é lógico essas investigações vão chegar a termo, mas enfim não temos preocupação."

Quando foi questionando se houve comunicação com o Governador Geraldo Alckmin a respeito da operação, o general Villas Boas responde: "Houve, houve, houve uma absoluta interação com o governo do Estado. As pessoas precisam entender o Exército tem sido demandado para o cumprimento de várias missões fora da nossa esfera de responsabilidade primordial, vamos dizer assim".

Depois complementa "Então, por exemplo, lá no Rio de Janeiro nós estamos sendo demandados novamente pra contribuir com a segurança pública. Logicamente que isso exige de nós um acompanhamento da situação. O que garante a nossa eficiência, com oportunidade, com objetividade, com o mínimo de danos laterais, é exatamente o conhecimento prévio que nós buscamos reunir antes de sermos empregados".

O método de infiltrar membros do exército dentro das manifestações remete aos tempos da ditadura militar. Trata-se de uma operação de guerra contra aqueles que estão na linha de frente pelos os direitos da classe trabalhadora e demais setores populares da sociedade. Isso mostra que com a consolidação do golpe, não é de interesse do Estado dialogar com os setores que estão em luta. Este estado está a serviço dos grandes empresários e banqueiros.

Do outro lado, Alckmin vem demonstrando ser o setor linha dura dos golpistas. O atual governador do Estado de São Paulo vem reprimindo as manifestações contra Temer, assim como mandando a policia para desocupar as escolas estaduais porque quer demonstrar para o imperialismo que ele não vai permitir que tenha manifestações contra os ajustes. Sabemos que Geraldo Alckmin quer lançar a sua candidatura para presidência em 2018 e desde já quer mostrar o imperialismo de que é confiável para implementar as medidas impopulares.




Tópicos relacionados

Política

Comentários

Comentar