Educação

AULAS PRESENCIAIS

Exército determina volta às aulas em colégios militares, colocando a comunidade em risco

Em decisão autoritária, válida para todos colégios militares do país, o Exército determinou que as aulas irão voltar no dia 21 de setembro. A decisão ocorreu sem qualquer consulta a professores e demais trabalhadores das escolas, alunos e familiares.

quinta-feira 17 de setembro| Edição do dia

Foto: Diego Gurgel/Secom.

A informação foi enviada pelo diretor de Educação Preparatória e Assistencial para alunos e responsáveis na quarta-feira, dia 16, na mesma semana em que o Brasil voltou a registrar mais de mil mortes por dia pela Covid-19.

Catorze colégios fazem parte do Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB), sendo que três deles já estão em funcionamento.

A determinação do Exército contraria orientações locais de muitos estados e cidades que são contrárias ao retorno das atividades escolares. Porém, segundo o diretor do Sistema, os Colégios Militares são estabelecimentos de natureza “sui generis” e, por isso, podem determinar o seu retorno independente das decisões e das condições de saúde das localidades em que estão.

Esta determinação pela volta das aulas presenciais vai ao encontro de recentes declarações de Bolsonaro, que considera que as escolas nunca deveriam ter fechado, e de governadores como João Doria no estado de São Paulo, que liberou a volta às aulas presenciais em algumas escolas e determinou que todas as escolas do estado retornem no mês de outubro.

A decisão pelas aulas presenciais contraria a opinião da maioria da população. De acordo com dados divulgados pelo Ibope no início do mês, 72% da população acredita que as aulas presenciais só devem voltar quando houver vacina.

Além disso, professores do Colégio Militar do Rio de Janeiro entrarem em greve sanitária contra o retorno presencial na segunda-feira, dia 14, já que o retorno representa um risco maior de contaminação para toda a comunidade escolar.

Em alguns estados, governadores estão não apenas tomando a decisão vertical de retomada das aulas presenciais, mas também estabelecendo medidas para responsabilizar os professores caso adoeçam ou morram pela Covid-19.

No Espírito Santo o Plano de Retomada das Aulas Presenciais veio acompanhado de orientações para caso alunos e professores morram e, em São Paulo, professores e responsáveis pelos estudantes estão tendo que assinar um termo que os responsabilizam caso se contagiem após a volta às aulas.

Experiências de volta às aulas evidenciam que essa decisão implica em mais pessoas doentes e vulneráveis. Na cidade de Manaus/AM mesmo em meio a protestos de professores e alunos da rede estadual contra o retorno, as aulas voltaram e já no primeiro dia foram suspensas por causa da contaminação. Em países como a França, as aulas foram retomadas e depois suspensas mais de uma vez devido a novos casos de Covid-19 também ocasionados pela reabertura.

O retorno das aulas presenciais coloca em risco a vida de trabalhadores da educação, estudantes e familiares. Por isso, é importante que a própria comunidade escolar, junto com trabalhadores da saúde possam decidir quando as aulas retornarão e quais são os protocolos para fazer isso de maneira segura.

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