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Exército de Mianmar deixa mais de 400 muçulmanos mortos em uma semana

O Exército de Mianmar anunciou nesta sexta-feira, 1.º, que a luta contra os rebeldes muçulmanos no noroeste do país deixou quase 400 mortos em uma semana, principalmente combatentes rohingyas.

sexta-feira 1º de setembro| Edição do dia

No total, 27,4 mil pessoas entraram em Bangladesh desde a sexta-feira passada e 20 mil delas estão retidas na fronteira, de acordo com a ONU Foto: AP Photo/Bernat

A violência provocou uma nova fuga da minoria muçulmana. No total, 27,4 mil pessoas entraram em Bangladesh desde a sexta-feira passada e 20 mil estão retidas na fronteira, de acordo com a ONU.

O Exército birmanês anunciou em sua página no Facebook que "os corpos de 370 terroristas foram encontrados", e 15 soldados e 14 civis morreram nas operações. O último balanço fornecido há alguns dias falava de 110 mortos.

Paralelamente, várias organizações acusaram os militares de terem cometido uma nova matança na localidade de Chut Pyin. A ONG local Fortify Rights obteve o relato de sobreviventes que falam de uma chacina que teria durado cinco horas.

Chris Lewa, do projeto Arakan, organização de defesa dos direitos dos rohingyas, disse "que forças de segurança acompanhadas por colonos da etnia rakhine atacaram no domingo o povoado, queimaram casas e atiraram contra os rohingyas que fugiam". "Segundo uma lista que pudemos estabelecer, 130 pessoas morreram, entre elas mulheres e crianças", acrescentou.

A região está fechada desde outubro e nenhum jornalista pode chegar a ela de forma independente. O governo de Mianmar, contactado pela agência de notícias France-Presse, não respondeu.

Em sua página no Facebook, no começo da semana o governo se referiu a uma grande operação na área. "As tropas trocaram tiros com 80 terroristas bengalis - termo utilizado pelas autoridades para designar os rohingyas - armados com bombas caseiras, facas e lanças", afirmou o Executivo, dirigido pela ex-dissidente e ganhadora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Os combates começaram no dia 25 de agosto, quando centenas de homens, que fariam parte do Arakan Rohingya Salvation Army (Arsa), atacaram várias delegacias de polícia do Estado de Rakhine, em Mianmar, dando lugar aos maiores episódios de violência registrados no país há meses.

Os confrontos levaram milhares de civis, principalmente membros da minoria rohingya, perseguida, a abandonar suas casas. Mais de 400 mil rohingyas se encontram em Bangladesh, um país que não quer mais acolhê-los e fechou sua fronteira com Mianmar.

Os rohingyas, muçulmanos sunitas, falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários. Quase um milhão deles mora em Mianmar - país majoritariamente budista -, grande parte nos campos de refugiados, principalmente no Estado de Rakhine, no noroeste do país.

A enviada especial das Nações Unidas em Mianmar, Yanghee Lee, expressou sua preocupação na quinta-feira, declarando-se "gravemente preocupada" com a situação e exigindo que se "rompa urgentemente" o ciclo de violência.

Com informações da agência Estado e AFP




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