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Executivos do Comitê Rio-2016 receberam R$ 26,8 milhões entre 2011 e 2015

sexta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Enquanto o Rio de Janeiro tem passado por uma grave crise, que fez o governador Dornelles solicitar repasse de 2,9 milhões ao Governo Federal para garantir os compromissos firmados das obras da Olimpíada, obras estas superfaturadas muitas apresentando problemas antes mesmo do início dos jogos.

Há um seleto grupo de brasileiros, que diferente das milhares de famílias que foram removidas, dos trabalhadores terceirizados que foram demitidos, dos servidores do Estado que tem recebido com atraso e com parcelamentos, dos terceirizados que estão trabalhando nas olimpíadas sem os mínimos dos direitos trabalhistas garantidos, além do próprio caos que os moradores da cidade tem enfrentado pra o Brasil possa fazer bonito mundialmente, que não tem motivos para reclamar do Rio-2016.

Mesmo com inúmeros problemas de orçamento, arrecadação com ingressos e com patrocinadores, oito diretores-executivos que fazem parte do Comitê Organizador das Olimpíadas, tiveram pagamentos que somados totalizam R$ 26,8 milhões entre 2011 e 2015. Esses dados fazem parte dos balanços financeiros do Comitê Rio-2016 e, disponibilizados após pressão da justiça, e estão disponíveis no site de transparência do evento.

Esse grupo de oito executivos, na verdade, são os responsáveis pela organização desse evento milionário. Como toda empresa a transparência das informações sempre tem um porém e neste caso não é diferente, os valores apresentados não incluem os pagamentos feitos à Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio-2016. Com a tranqüilidade de quem sairá ileso, Arthur insiste que não recebeu nada.

Retrospectiva dos valores arrecadados Segundo os dados o valor do pagamento aumentava de acordo com a aproximação do megaevento.

Em 2011, foram pagos R$ 2,7 milhões aos executivos. No ano seguinte, 2012 , o valor subiu para R$ 3,1 milhões. E elevou novamente em 2013, chegando aos R$ 5 milhões, em 2014 aumentou de novo, R$ 7,3 milhões, até bater os R$ 8,3 milhões em 2015. Se até aqui os valores apresentados são uma afronta, ainda é possível alcançar um novo recorde já que os valores de 2016 ainda não serão revelados.

E não se espante, se eles superarem as quantias faturadas em 2015. E a situação piora pois segundo os documentos obtidos pelo Ministério Público Federal mesmo com altos salários, ao longo dos anos e mesmo no momento de expansão da economia brasileira, a conta do Rio-2016 não fechava.

Em 2010, o buraco era de R$ 22,6 milhões. Em 2012, teve um salto e foi para R$ 90,6 milhões, isso nos anos que o PIB Brasil chegou a crescer 7,5%. Em maio de 2016 houve um corte de gastos em mais R$ 900 milhões, mas ainda assim houve déficit nas contas. Chegando ao final das olimpíadas, os organizadores do Rio-2016 já falam na necessidade de ajuda financeira.

Em viagem à cidade carioca, o presidente golpista Michel Temer já garantiu ajuda federal, em reunião com os dirigentes, os cofres públicos vão disponibilizar R$ 250 milhões ao evento paralímpico. Os altos valores garantidos ao número ínfimo de executivos enquanto o Rio de Janeiro afunda numa crise que tem cortado todos os direitos básicos dos trabalhadores e juventude mostra a cara mais nefasta do capitalismo, a corrupção.




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