Educação

EDUCAÇÃO

Exaustão faz professores da rede pública se afastarem 30 dias no ano por problemas de saúde

Descanso é uma palavra que não está no cotidiano dos professores das redes da prefeitura e estadual de São Paulo. Outras palavras como “problemas na coluna”, “alergia na mão”, “sinusite crônica”, “estresse” e “depressão”, contudo, são parte da realidade da maioria dos professores que perdem suas vidas em jornadas exaustivas e também nas longas horas de transporte de uma escola a outra.

segunda-feira 24 de julho| Edição do dia

Além das jornadas excessivas, algumas triplas (manhã, tarde e noite), há também as horas de produção pedagógica que se dá com o coordenador pedagógico da escola. Tudo isso enche a semana do professor ( 39% dos professores das redes trabalham mais de 40 horas semanais) e não permite que haja descanso, pois há ainda a carga extra, que é feita na casa dos professores, que é preparação de aulas.

Segundo dados da Folha, a média anual de faltas dos professores é de 30 dias no ano, sendo a principal razão o volume de licenças médicas que representam 60% da ausência de professores na capital paulista. Ou seja, 60% das faltas é porque todos os dias os professores entregam suas vidas para receber a metade de um profissional com a mesma formação e com uma carga horária excessiva.

Esses dados são da fiscalização do TCE (Tribunal de Contas do Estado) em todos os municípios paulistas e se referem a 2015. As ausências dos professores equivalem a 15% dos 200 dias letivos do ano. O que automaticamente precariza a aprendizagem dos alunos. O estado então não está preocupado nem com os professores e nem com os estudantes.

Por que pode-se dizer que a culpa do estado? Os professores simplesmente não têm descanso e por isso adoecem, e automaticamente precisam tirar licenças que os afastam da escola, o que faz com que os alunos saiam prejudicados. Não há como não perceber que esse sistema de horas é excessivo e não permite que o professor utilize seu tempo e seu conhecimento para se debruçar no ensino pedagógico que fica à mercê dos livros didáticos que em sua maioria carregam o ensinamento da ideologia dominante.

Além disso são em média 40 alunos por sala, e o estado gradativamente vem fechando mais salas de aula, o que fará com que esse número aumente. Como alguém pode ter em média 500 alunos (e dependendo da disciplina, até mais), para corrigir provas, aplicar trabalhos, formatar o conteúdo de modo a contemplar a individualidade de cada estudante? Simplesmente impossível.

Os professores ganham em média R$ 2.000.00 ( o que varia dependendo do ciclo em que o professor dá aula) e nada é pago pelas horas-extras em que os professores precisam preparar aulas a partir do que conseguem de tempo nos fins de semana.

O primeiro passo é permitir a livre docência, permitir que os professores tenham tempo qualitativo para preparar suas aulas a partir do material didático que preferirem. Além disso se o valor da hora-aula aumentasse, os professores poderiam trabalhar menos horas e encaixar o seu tempo com a sala de aula e o preparo das aulas. Mais professores trabalhariam ganhando mais e adoecendo menos.

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) diz que as ausências reduzem a possibilidade de ganho de bônus e a “gestão” Dória diz que modernizou o departamento de saúde para reduzir a espera por perícia. Ou seja, não importa que tenham doentes, pois para Alckmin isso é o que impede que se ganhe mais, e para Doria basta que consigam passar no médico mais rapidamente. Eis a culpa do estado.

Que todo político ganhe o mesmo salário de uma professora e que todo professor ganhe o mínimo estipulado pelo DIEESE, para que se viva uma vida minimamente digna. Nossas vidas valem mais que o lucro deles.

Leia também: Prefeitura do PSDB comemora criação do "Uber de professor"




Tópicos relacionados

Professores São Paulo   /    Trabalho Precário   /    Educação   /    Educação   /    Professores

Comentários

Comentar